Histórico da
COMPANHIA RENASCENÇA INDUSTRIAL

Fontes: Ata de Constituição da empresa, datada de 14.03.1937; histórico fornecido pela Cia.; ROMANO, Olavo. Muito Além da Cidade Planejada. Belo Horizonte: Magnum, 1997. P.123/133.



A Cia. Renascença Industrial foi fundada em 14 de março de 1937, por um grupo de empreendedores mineiros, de famílias tradicionais da cidade.

A criação da Companhia uniu dois grandes projetos: a instalação de uma fábrica de fios e tecidos finos e um grande empreendimento imobiliário, na região Nordeste da Capital, ainda pouco povoada.

Com o apoio do Prefeito Octacílio Negrão de Lima, foi loteada uma extensa área no local denominado Villa Renascença, reservando-se 21 mil m² para a construção da fábrica.

No grupo de acionistas da Companhia, destacavam-se o industrial Christiano França Teixeira Guimarães, Juventino Dias, Antônio Mourão Guimarães , Sebastião Augusto de Lima e Severino Pereira da Silva.

Para gerenciar o estabelecimento foi escolhido Antônio Augusto Pereira da Rocha, de larga experiência no setor têxtil e que participou como Diretor Tesoureiro da 1ª Diretoria da FIEMG (1933-1935).

A construção e montagem da fábrica só foram concluídas em 1940, durante a II Guerra Mundial, o que dificultou enormemente o seu aparelhamento. No entanto, a criatividade e esforço de dirigentes e empregados possibilitou a construção de uma máquina de estampar dentro da própria fábrica, que entrou em operação em 1943.

A construção de uma vila operária nas imediações da Companhia, somada aos incentivos oferecidos aos operários, transformou a Cia. Renascença Industrial numa das maiores empregadoras da Capital. Dentro dos parâmetros da época, caracterizada por uma política assistencialista, a Companhia oferecia a seus funcionários praça de esportes, clube, armazém e até mesmo um time de futebol foi criado com apoio da empresa.

Dentre os milhares de trabalhadores que passaram pela Companhia, destacou-se a cantora Clara Nunes, que participou de desfiles de modas e concursos de música popular patrocinados pela empresa, e que no final dos anos 50, já profissional, continuou recebendo o apoio da empresa, sob a forma de roupas e tecidos.

O quadro de funcionários da Companhia atingiu o n.º de 1.200 operários, e foi desde o início formado em grande parte por mulheres e menores.

Como a Renascença treinava todos os seus trabalhadores e não exigia experiência anterior, ampliava a possibilidade de emprego para os habitantes da região, absorvendo também trabalhadores oriundos de Cachoeira de Macacos, município sede de outra fábrica de tecidos dos fundadores da Companhia.

Idealizada para produzir tecidos finos, superiores aos tradicionalmente fabricados pelas indústrias têxteis mineiras, a Renascença desde seu início destacou-se pela busca de novas tecnologias, tendo lançado no mercado produtos como a cambraia, a popeline e a flanela.

Em 1964 a empresa foi comprada pelo Grupo Lundgren, pernambucano, de grande experiência no ramo, que cuidou de expandir e modernizar a produção, alcançando maiores mercados consumidores.

Com o passar dos anos e o crescimento vertiginoso da cidade, a Cia.

Renascença, cuja implantação havia sido calorosamente festejada pela população da região, passou a se constituir num entrave à qualidade de vida dos moradores. Da mesma forma, o espaço que fora tão amplo na década de 1930, não era mais suficiente para a expansão das atividades industriais da empresa.

Assim, em 1996, a unidade do Bairro Renascença foi desativada e a empresa transferiu-se para a Cidade Industrial, ocupando o prédio da Cia. Têxtil Santa Elisabeth.

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