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Aula presencial perde espaço para EAD no Estado - Cursos virtuais exigem gastos 60% menores.

Em pouco mais de 10 anos, o Ensino a Distância (EAD) mudou a cara da educação no país. Se a proliferação de faculdades ampliou o acesso a cursos de nível superior, o fortalecimento do e-learning deixou para trás os antigos conceitos que, por muito tempo, definiram o modelo de educação nacional.

Atualmente, cerca de 3 milhões de brasileiros trocaram as aulas presenciais pelo ensino a distância. Os dados são do Censo EAD, levantamento da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed).

Uma das instituições pioneiras nessa modalidade de ensino, a Newton Paiva investe na área desde 1999 e possui, hoje, cerca de 4 mil alunos matriculados em disciplinas de EAD.

Para o coordenador adjunto do Núcleo de Educação a Distância da Newton Paiva, Eduardo José Dias, a tendência é de que, em um futuro próximo, os estudantes que optam pelos cursos a distância superem os que escolhem as aulas presenciais. "Tudo caminha para isso, apesar de que algumas matérias ainda não se encaixem no EAD", diz.

Ele refere-se, especialmente, às carreiras da área biológica, fortemente dependentes de laboratórios. Independentemente de como o e-learning vai se ajustar a tal questão, Dias afirma que o rendimento dos alunos do ensino a distância, em média, supera os do ensino tradicional. "Isso porque os cursos de EAD exigem mais disciplina."

Para Dias, o movimento que tem sido observado no país é um caminho sem volta. Embora há mais de 60 anos o Instituto Universal Brasileiro (IUB) trabalhe com conceito semelhante, somente há pouco mais de uma década o EAD ganhou espaço no país.

O coordenador da Newton Paiva comenta que a tendência é de que o Brasil se assemelhe a países como China e Estados Unidos, onde as aulas virtuais já são entendidas, inclusive, como uma solução para desafogar o trânsito.

Apesar disso, atualmente somente quatro cursos oferecidos pela instituição são 100% virtuais: Pedagogia, Letras, Processos Gerenciais e Administração de Empresas. As demais carreiras oferecem até 20% da grade de ensino no modelo de EAD, índice autorizado pelo Ministério da Educação (MEC).

de EAD, índice autorizado pelo Ministério da Educação (MEC).

Limite - No momento, a UNA também limita seu acesso ao EAD devido às restrições do MEC. Fundado no fim do ano passado, o Instituto UNA de Educação a Distância abrange somente cursos em que 20% das disciplinas são ministradas virtualmente.

Porém, o diretor do Instituto, Anderson Teolin, afirma que a faculdade está buscando se credenciar junto ao MEC para poder oferecer, gradualmente, seus 54 cursos no modelo de EAD.

Para ele, embora os conselhos de algumas profissões sejam contra o ensino fora da sala de aula, a grande demanda pelo e-learning deve vencer essa barreira. " um modelo que dá autonomia ao aluno", destaca.

Finalizado o processo de credenciamento no MEC, a UNA deve fazer do curso de Administração de Empresas o primeiro a se encaixar nos moldes do EAD. Conforme Teolin, a expectativa é de que, no mínimo, 400 alunos se matriculem.

A diretora do Centro Educacional Conceição Ferreira Nunes (Cecon), Karine Rolim, destaca que o EAD é somente uma modalidade de ensino e precisa ser encarado da mesma forma que o presencial. Para ela, além da questão da acessibilidade, o e-learning é uma opção cada vez mais freqüente por ser mais barato que os cursos presenciais.


Senai - A gerente do Núcleo de EAD do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Denise Dumont, confirma a diferença no valor do investimento. Conforme ela, um estudo feito pela instituição detectou que, em média, os cursos virtuais exigem gastos 60% menores na comparação com a modalidade tradicional.

A diferença nos preços de execução é, entre outros fatores, conseqüência da facilidade para modificar os conteúdos on-line. "Além de ser um processo mais barato, o modelo de ensino virtual permite atualizações constantes." Denise Dumont explica que questões como essa, aliada ao maior volume de alunos, faz com que o EAD seja, também, um negócio rentável.

Ela acrescentou, ainda, que as empresas que investem em cursos nesses moldes para seus funcionários também ganham por não precisarem gastar com deslocamento. "Além disso, ao contrário do que ocorre em aulas presenciais, o e-learning tem horários flexíveis. Portanto, os profissionais podem conciliar o aprendizado com a carga de trabalho convencional."

Por essas razões, a demanda no Núcleo de EAD do Senai é crescente. Ao todo, a instituição oferece 10 cursos pagos e seis gratuitos, entre eles "Educação Ambiental", "Legislação Trabalhista", "Segurança do Trabalho", "Tecnologia da Informação e Comunicação", "Propriedade Intelectual" e "Empreendedorismo".

De janeiro a março de 2011, mais de 14 mil pessoas já freqüentaram os cursos gratuitos do Senai em Minas Gerais. Atualmente, outros 78 alunos acessam um dos 10 programas pagos.

Além deles, Denise Dumont cita os cursos desenvolvidos sob encomenda para empresas. De acordo com ela, esses pedidos também são crescentes, especialmente dentro das indústrias, já que atingem questões específicas das corporações.


Fonte: Diário do Comércio
26/04/2010

 

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