Empresas têm dificuldade para preencher cota de deficientes



A baixa participação dos portadores de deficiência no mercado de trabalho constitui hoje um dos mais graves problemas sociais do país. Para tentar solucionar isso, foi criada a Lei 8.213/91, que versa sobre a exigência de que em um quadro de cem funcionários, de 2% a 5% das vagas devem ser reservadas a pessoas com deficiência. Apesar do tempo de vigência, a determinação tem pouca incidência no meio empresarial.

A inserção desses profissionais esbarra em percalços que vão desde a dificuldade de acesso às empresas por má qualidade dos transportes e vias públicas, passando pela falta de estrutura para receber os deficientes, até às condições jurídicas envolvidas.

“Existe a lei, mas falta a colaboração da União. Isso porque o governo exige a inclusão, mas não criou estímulos para a empresa. Ou seja, não oferece benefícios fiscais, por exemplo. Não é hipocrisia dizer que solidariedade passa sim pelo bolso”, diz André Veneziano, advogado trabalhista.

Professor de direito do trabalho do Complexo Damásio de Jesus, Veneziano conta que os portadores de deficiência são vistos como geradores de custos.

“Os empregadores têm sido críticos das medidas que obrigam a contratação. As grandes empresas alegam falta de qualificação dos candidatos, e as médias e pequenas dizem que têm que assumir despesas arquitetônicas e de equipamentos”, afirma.

Sabendo disso, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Paulo (Apae) criou o “Projeto Parceiros pela Capacitação”, voltado àqueles com deficiência intelectual. De acordo com a Apae de São Paulo, a ação permitiu incluir, desde 2003, cerca de 615 pessoas no mercado. O índice de adaptação vem subindo: em 2004, foram 9% de retorno à Apae dentre os 198 capacitados ao trabalho nas empresas; em 2005, foram 2% de 120; e, em 2006, a taxa foi inferior a 2% de 113.

Vantagens e dificuldades

Segundo a coordenadora do Centro de Capacitação e Orientação para o Trabalho da Apae-SP, Elisabeth Teixeira, o objetivo é identificar no mercado onde cada um se encaixa. Os portadores de deficiência, de acordo com a ela, possuem habilidades que, se bem exploradas, se destacam, como acatar ordens, respeitar hierarquia e apresentar assiduidade e pontualidade acima da média.

“Eles se agarram à oportunidade com muito carinho e personalidade. A grande dificuldade é a desinformação. Para a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), trata-se de um profissional comum que não tem regalias, como horário reduzido de trabalho, por exemplo”, explica Elisabeth.

Mesmo assim, cumprir a lei ainda é tarefa árdua para algumas empresas. De acordo com Roni Pelegrini Tarifa, coordenador de Recursos Humanos da Construtora Tarjab, o ramo da empresa compromete a escolha do profissional.

“É difícil alocar um deficiente visual em uma obra nossa, por exemplo. O mesmo para os deficientes auditivos, já que há riscos de acidentes. Não foi fácil cumprir a lei, mas conseguimos, ao encaixar pessoas com deficiências nos membros, como braços e pernas, para ficar na portaria da empresa e outros departamentos desta natureza”, diz Roni.

Fonte: Marina Diana
Data: 24/05/2007

   
  
   
Universidade catarinense oferece licenciatura em libras a distância


Garantir a inclusão social de surdos na sociedade por meio de formação acadêmica e, com isso, abrir espaços no mercado de trabalho é a proposta da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A instituição oferece o curso a distância de licenciatura em letras na língua brasileira de sinais, a libras.

Promovido em parceria com as secretarias de Educação a Distância (Seed/MEC) e de Educação Especial (Seesp/MEC), o curso foi desenvolvido em rede nacional com mais oito instituições educacionais. Cada uma delas oferece 55 vagas, além de outras 60 no pólo da UFSC. O propósito é o de formar o professor para o ensino de libras como primeira língua ao lecionar para alunos surdos e como segunda para os que falam o português.

Aqueles que concluírem o curso poderão atuar na formação de professores em nível universitário, de fonoaudiólogos e de alunos surdos e ouvintes. Os alunos receberão a titulação da UFSC como licenciados em língua brasileira de sinais para atuar como professores em diferentes espaços educacionais.

Compõem a rede o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines/MEC), no Rio de Janeiro, a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade de São Paulo (USP), as universidades federais do Amazonas (Ufam), do Ceará (UFC), da Bahia (UFBA) e de Santa Maria (UFSM) e o Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) de Goiás.

Fonte: MEC
Data: 11/05/2007

 

   
Senai lança cursos para jovens surdos


O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), lançou, na manhã desta terça-feira (20/04), um curso de informática básica a distância para jovens surdos. O curso, pioneiro no Brasil, tem, duração de 150h. O objetivo de qualificar pessoas com deficiência auditiva é ajudar a inseri-las no mercado de trabalho.

Os alunos recebem instruções na própria tela do computador. O programa que utiliza recursos multimídias, aborda duas linguagens, à Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e a portuguesa.

De acordo com a coordenadora do projeto, Maria das Graças Barreto, embora o programa sirva para qualquer pessoa que saiba ler a linguagem de sinais, o curso é para jovens acima de 17 anos, uma vez que a intenção do curso é profissionalizante. A coordenadora explicou que foram realizadas entrevistas para montar a primeira classe do curso. "Realizamos algumas entrevistas com jovens portadores da deficiência auditiva e observamos os que tinham maior conhecimento da linguagem dos símbolos e da língua portuguesa. Esses foram os selecionados", declarou.

Segundo informações do gerente do Núcleo de Educação a Distância, Ricardo Lima, a depender do desempenho dessa primeira turma, o projeto vai ser avaliado e validado, para que possa ser disponibilizado pela internet como ensino a distância. "Isso vai ajudar a que mais pessoas com deficiência tenha acesso e com isso um maior espaço no mercado de trabalho", disse.

O diretor do Senai Bahia, Gustavo Sales, afirmou que sendo validado podem começar a pensar em abranger uma área maior. "Validando poderemos pensar em ampliar o público, e ainda pensar a estender para outros tipos de portadores de deficiências especiais", falou Sales.

Portador da deficiência, Divanildo Oliveira, 37 anos, é um dos alunos do curso e faz uma avaliação positiva. "É muito importante para a gente, devido  a dificuldade de arrumarmos emprego, esse curso com certeza vai aumentar meus conhecimentos e minhas chances no mercado de trabalho", declarou o aluno.

Fundadora da Associação de Pais e Amigos de Deficientes Auditivos (APADA), Marizandra Dantas, fica muito feliz com a iniciativa do curso e é uma das pessoas que reconhecem seu valor. "É muito importante porque, não só o surdo, como outros portadores de deficiência, são muito descapacitados. Esse curso é importantíssimo para essa capacitação, ainda mais que o mercado de trabalho exige sempre conhecimentos em informática", disse.

Fonte: TV Aratu online
Data: 20/03/2007

   

   
Incrementar o futebol para deficientes


O desenvolvimento de um plano de dez pontos para melhorar as estruturas do futebol para pessoas com deficiências e a criação, pela UEFA, de um curso de "e-Learning" sobre futebol dirigido aos mesmos destinatários, a ser disponibilizado no uefa.com, foram dois dos principais pontos da agenda da reunião do grupo de trabalho de futebol para pessoas incapacitadas, que decorreu na cidade alemã de Leverkusen.

Desenvolvimento do setor

O grupo de trabalho, emanado do Painel de Futebol de Formação da UEFA, discutiu um plano com dez pontos traçado com o objectivo de permitir às federações nacionais desenvolverem o futebol para pessoas com deficiências. A importância desta vertente foi sublinhada pela União Europeia, que estima que 18 por cento da população do Velho Continente possui alguma forma de deficiência.

Atingir o potencial

O maior grupo é composto pelas pessoas com deficiências de aprendizagem. Mas o plano também contempla outras pessoas portadoras de deficiências: surdas ou com dificuldades auditivas, cegas ou com dificuldades de visão, portadoras de paralisia mental ou amputadas. O principal objectivo é, muito simplesmente, permitir a futebolistas com incapacidades poderem desfrutar o jogo e atingir o seu pleno potencial.

Primeiros passos cruciais

O primeiro desafio que se depara à maior parte das federações é que as várias categorias de futebol para pessoas com deficiências estão sob a alçada de diferentes tutelas administrativas e organizacionais. Assim, os primeiros passos cruciais devem ser o de fazer um levantamento sobre as atividades existentes no respectivo país no que toca ao futebol para pessoas com deficiências e desenvolver ou melhorar as ligações com as organizações desportivas da área, tornando claro que o objetivo passa por estreitar relações.

Grupos-alvo específicos

É necessário que se estabeleçam canais de comunicação e as reuniões periódicas são, por norma, produtivas. Os passos seguintes podem passar pela constituição de um grupo de aconselhamento - um painel de especialistas em desportos para incapacitados capaz de orientar a respectiva federação. Grupos-alvo específicos, baseados em parâmetros nacionais, podem ser seleccionados e, em conjunto com os grupos de pessoas com deficiências, clubes e organizações, levarem a efeito festivais com jogos de futebol de 11, ou até menos jogadores de cada lado. Estes eventos causam maior efeito quando integrados em clubes locais, em vez de dependerem diretamente das federações nacionais.

Estabelecer estruturas

Podem ser estabelecidas outras estruturas sustentadas nos eventos organizados a nível local, tais como: oportunidades de treino e formação em conjunção com esses festivais; a criação de modelos que autorizem outras entidades ou clubes a desenvolver competições regionais e/ou nacionais a partir desses festivais locais, juntamente com critérios para as respectivas aprovações da parte da federação; e o desenvolvimento de “percursos para os jogadores” capazes de levar os mais talentosos para equipas de elite regionais ou nacionais.

Líderes ou treinadores

Mas os projectos de desenvolvimento requerem líderes e treinadores - e é aqui que o curso de "e-Learning" no uefa.com poderá representar um enorme passo na direcção certa.

Proposta de curso

O curso proposto concentrar-se-á em tópicos como:

- Compreender os diferentes tipos de deficiência
- O impacto das deficiências na actividade
- Adaptar métodos de treino existentes às várias formas de futebol para pessoas incapacitadas
- Maximizar as oportunidades
- Assuntos relacionados com a segurança e protecção de crianças
- Estabelecimento de objetivos realísticos e exequíveis
- Cenários problemáticos e estudo de casos específicos
- Planos de acção para treinadores

Base de dados para treinadores

O curso, na sua fase inicial, deverá ser em inglês e os interessados poderão inscrever-se através do uefa.com. Esta proposta de projeto facilitará a tarefa de criação de uma base de dados de treinadores de futebol para deficientes e promoverá mais contatos entre eles.

Este excerto é parte de um artigo publicado na última edição da "newsletter" do Futebol de Formação da UEFA.

Fonte: UEFA
Data: 09/11/2006

   

   
Síndrome de Down


Começou a nova novela da Rede Globo "Páginas da Vida", de Manoel Carlos,
e um dos principais assuntos a ser abordado será a síndrome de Down.

Muitos avanços vêm sendo conseguidos na área da inclusão da pessoa com
síndrome de Down em todas as esferas da sociedade, a começar pela família,
continuando na escola, capacitação, trabalho e vida social.

Este movimento tem garantido às pessoas com síndrome de Down espaços
jamais imaginados. No Brasil, sabemos de 4 jovens que já chegaram à
universidade, e vários que têm se destacado em suas áreas de trabalho, só
para citar alguns exemplos.

Há correntes que ainda resistem em aceitar a convivência natural de todos
os membros da sociedade juntos, independente de suas diferenças ou
deficiências, cada um exercendo a sua cidadania e contribuindo para o
crescimento do país da forma que puder.

Pode parecer muito mais fácil fazer uma matéria ambientada em instituição
onde é possível encontrar vários indivíduos com a mesma alteração genética
juntos. Mas, por favor, tomem cuidado ao escolher personagens estereotipados que não refletem a realidade nem essa tendência à inclusão, que é uma questão de direitos humanos e deve ser defendida por todos e cada um de nós.

Se precisarem de contatos de profissionais e pessoas com síndrome de Down
para entrevistas, terei prazer em indicar em qualquer estado. Faço parte de
um grupo nacional sobre o tema, com quase 1000 membros, além de outros
internacionais.

Contamos com vocês para que tratem o assunto com a seriedade e a
sensibilidade que ele exige, contribuindo para a inserção de fato destas
pessoas na sociedade e a desmistificação de uma ocorrência genética que, no final das contas, quer dizer apenas ter os olhos puxados e aprender mais
devagar.

Patrícia Almeida, jornalista, mãe de uma criança de 2 anos com síndrome
de Down - Moderadora dos Grupos Síndrome de Down e DFDown - Coordenadora do Instituto Meta Social, da campanha Ser Diferente é Normal em Brasília (61)-99647745.

Síndrome de Down não é doença

A síndrome de Down é uma ocorrência genética natural e universal, estando presente em todas as raças e classes sociais. É a alteração genética mais comum, sendo registrada aproximadamente em 1 de cada 700 nascimentos. Não é uma doença e portanto as pessoas com síndrome de Down não são doentes. Não é correto dizer que uma pessoa sofre de, é vítima de, padece ou é acometida por síndrome de Down. O correto seria dizer que a pessoa tem ou nasceu com síndrome de Down. A síndrome de Down também não é contagiosa. Por motivos ainda desconhecidos, durante o desenvolvimento das células do embrião são formados 47 cromossomos no lugar dos 46 que se formam normalmente. O material genético em excesso altera o desenvolvimento regular da criança.

Este material extra se encontra localizado no par de cromossomos 21, daí o outro nome pelo qual é conhecida, Trissomia do 21. Para confirmar o diagnóstico de síndrome de Down é necessário fazer um exame genético, chamado cariótipo.

Os efeitos do material genético adicional variam enormemente de indivíduo
para indivíduo. Não há exames que determinem, no nascimento, como a pessoa vai se desenvolver. Para que ela tenha condições de desenvolver todo seu potencial é importante que seja encaminhada, ainda bebê, a profissionais habilitados para um programa de estimulação precoce.

Como a maioria das mulheres que têm filhos é jovem, cerca de 80% das
crianças com síndrome de Down nascem de mulheres com menos de 35 anos. Mas a incidência da síndrome de Down entre mulheres mais velhas é maior. De cada 400 bebês nascidos de mães com mais de 35 anos, um tem síndrome de Down.

Características - As três principais características da síndrome de Down
são a hipotonia (flacidez muscular, o bebê é mais molinho), o
comprometimento intelectual (a pessoa aprende mais devagar) e o fenótipo
(aparência física). Algumas das características físicas são olhos
amendoados, uma linha única na palma de uma ou das duas mãos, dedos
curtinhos, entre outros. Mas apesar da aparência às vezes comum entre
pessoas com síndrome de Down, é preciso lembrar que o que caracteriza mesmo o indivíduo é a sua carga genética familiar, o que faz que ele seja
parecido com seus pais e irmãos.

Expectativa de vida - Devido aos avanços da medicina, que hoje trata
problemas médicos associados à síndrome com relativa facilidade, a
expectativa de vida das pessoas com síndrome de Down vem aumentando
incrivelmente nos últimos anos. Para se ter uma idéia, enquanto em 1947 a
expectativa de vida era entre 12 e 15 anos, em 1989, subiu para 50 anos.
Atualmente, é cada vez mais comum pessoas com síndrome de Down chegarem aos 60, 70 anos, ou seja, uma expectativa de vida muito parecida com a da população em geral.

Síndrome de Down hoje - Pessoas com síndrome de Down têm apresentado
avanços impressionantes e rompido muitas barreiras. Em todo o mundo, e
também aqui no Brasil, há pessoas com síndrome de Down estudando,
trabalhando, vivendo sozinhas, se casando e até chegando à universidade. A
melhor forma de combater o preconceito é através da informação e da
inclusão de TODAS as pessoas, na família, na escola, no mercado de trabalho e na comunidade.

Grupos de discussão e apoio na internet - Nos últimos anos, pais e profissionais formaram grupos de discussão que têm contribuído muito para
informar pais e profissionais e disseminar o conhecimento sobre a síndrome
de Down em todo Brasil. Existem também grupos regionais. Os dois maiores, a
nível nacional, são:

Happydown - http://br.groups.yahoo.com/group/happydown

Estilo família italiana, é formado majoritariamente por pais de crianças
pequenas. Muito acolhedor, especialmente bom para pais recentes ou quem
descobre que espera um bebê com síndrome de Down no pré-natal.

Síndrome de Down - http://br.groups.yahoo.com/group/sindromededown

Tem quase 1000 participantes em todo Brasil entre pais e profissionais.
Ótimo para fazer perguntas e tirar todo tipo de dúvida. Existe desde 2002.

Para entrar, basta digitar os endereços e clicar em Entre neste grupo!
(Você pode acompanhar apenas lendo. Não é obrigatório escrever. Não existe
nenhum custo para participar de qualquer destes grupos)

Informe-se (não confie em livros com mais de 5 anos. A evolução, tanto na
área médica quanto na qualidade de vida de pessoas com síndrome de Down é enorme. Esteja sempre atualizado sobre os avanços alcançados)

Livros
Mas Ele Não é Mesmo a sua Cara? - Claudia Werneck , WVA Editora;
Liane, Mulher como Todas - Liane Collares, WVA Editora; Construindo o
Caminho - Cecilia Dias, Editora Augustus; Inclusão Começa em Casa - O
Diário de uma Mãe - Iva Proença, Editora Ágora.

Internet
Série sobre síndrome de Down, realizada por Lais Pimentel para
a BBC Brasil

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/cluster/2003/08/s_down.shtml

CEPEC - Dr. Zan Mustachi - SP - www.sindromededown.com.br, SOS Down- SP - www.sosdown.com, Carpe Diem - SP - www.carpediem.com.br, Reviver Down - Curitiba, PR - www.reviverdown.org.br

Filme
Do Luto à Luta - Evaldo Mocarzel - Documentário realizado em 2004
sobre a síndrome de Down (para pedir uma cópia, enviar email para
circuitoespaco@uol.com.br. O vídeo é gratuito. Só se paga a postagem)

Texto - Patricia Almeida - Coordenadora do Instituto Meta Social em
Brasília - www.metasocial.org.br

Data: 21/08/2006

   

   
Portadores de necessidades especiais no mercado de trabalho

 

A lei nº 8.213 de 1991 estipula uma cota de 2% de empregados portadores de necessidades especiais quando a empresa tem até cem funcionários. Quando este número é de mil empregados, a cota mínima para portadores sobe para 5%.

A realidade é bem diferente. Poucas empresas se adaptam para empregar a quantia de funcionários. E quando existe um projeto, a iniciativa chama a atenção da sociedade. Um exemplo disso foi a formatura de alunos do projeto da Gerdau Cosigua – do Grupo Gerdau, no mês passado. A turma de 13 alunos terminou o primeiro curso de operador de processos siderúrgicos e já está pronta para atuar no mercado industrial.

O grupo era bem variado: homens e mulheres, de 20 a 50 anos de idade com deficiência auditiva e motora. Um dos pré-requisistos que a Gerdau exigiu foi o Ensino Médio completo. As mais de novecentas horas aulas foram divididas em quatro módulos, passando pelas disciplinas de cidadania e ética, conteúdo técnico (desenho mecânico, informática, siderurgia) e segurança de trabalho e saúde. Os professores não tinham necessidades especiais, mas contavam com a ajuda de intérpretes.

O projeto, em parceria com o Sesi e Senai, tem o objetivo de manter uma das missões da empresa de desenvolvimento das comunidades em conjunto com a educação. Outro fator favorável é a abertura de postos de trabalho e expansão do mercado no setor industrial no estado do Rio de Janeiro.

Em 2007, já está previsto o início do curso para uma nova turma.

Nova realidade

Portadores de deficiências físicas, sensoriais ou motoras do Rio de Janeiro e de São Paulo encontram um novo cenário para expandir suas fronteiras. Por meio dos programas oferecidos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto Brasileiro de Tecnologia Avançada (IBTA) e Instituto Muito Especial, eles os capacitam para funções que não subestimam seu potencial e ampliam o convívio dos portadores de necessidades especiais na sociedade.

"Esta iniciativa de proporcionar a nós deficientes o aprendizado em uma área tão interessante e atual está sendo, para mim, uma oportunidade ímpar. Com este curso, pretendo ampliar meus conhecimentos e me preparar para o mercado de trabalho", diz Sandro Bina Soares, deficiente visual e aluno do projeto Habilitar, desenvolvido pelo Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro. (NCE/UFRJ).

De acordo com o professor Sérgio Guedes, do NCE, a meta do projeto é a capacitação para que a pessoa portadora de deficiência dispute o mercado, não havendo promoção de assistencialismo.

Fonte: Marianna Wachelke, com informações da Unesco.
Data: 07/11/2006

   

   
Tato de ver


Uma cega que volta a enxergar. Uma criança que perde a visão e a audição com apenas dois anos de idade. O país, Estados Unidos. O ano, 1887. Desse encontro, nasceu a aprendizagem.

A professora, que já tinha passado pelo mesmo que a aluna de sete anos, sabia como ensiná-la a compreender o significado das palavras através do tato. Com paciência, fazia a menina tocar um objeto com uma das mãos, enquanto desenhava a palavra a que esse objeto deveria remeter na outra.
Um certo dia, a aluna estava com uma das mãos debaixo de uma bica d’água. Sua professora escreveu “água” na palma da outra mão, como já havia feito muitas vezes antes, e ela compreendeu o significado daquela palavra. No mesmo dia, ela compreendeu outros 30 conceitos e não parou mais de detectar informações.

Aprendeu a se comunicar, ficou mais tranqüila e, aos poucos, foi descobrindo que podia compreender idéias, sensações, emoções e perceber a vida pulsando por meio do tato. O segundo passo foi ser alfabetizada em braile.
Mas ela queria mais. Queria descobrir o que e como as pessoas falavam. Sua professora, com a mesma confiança e persistência, decidiu ajudá-la mais uma vez. Colocava a mão da criança em seu pescoço e pronunciava lentamente as palavras que já haviam sido aprendidas pelo tato. Com 10 anos, ela já era capaz de falar.

Tamanha sensibilidade ganhou um norte quando a aluna colocou na cabeça que precisava cursar uma faculdade. Escolheu o curso de Direito. Seu objetivo era lutar por mais justiça nas causas dos excluídos. Além de advogada, ela se tornou escritora e professora de cegos.

O nome dessa pessoa sedenta por comunicação e educação era Helen Keller. O nome da professora era Anne Sullivan Macy e a aventura vivida por essas duas originou a maior vitória pessoal registada na história da educação mundial.

Já imaginou se deparar com um desafio desse tamanho pela frente, professor? Como será que você se sairia? Pense nisso.

Data: 15/09/2006