A menina com síndrome de Down - Artur da Távola
Manoel Carlos não deveria escrever telenovelas.
Deveria ser professor de todos os que as escrevem
e os que pretendem fazê-lo.
Daria um curso gravado, que seria repartido
por alunos, escritores e candidatos a autores, universitários de letras e comunicação.
Em DVD, as aulas ficariam para sempre.
Em Páginas da Vida, no auge de sua criatividade,
Maneco está a abordar, com valor,
sabedoria e coragem,
os seguintes temas, entre outros:
crianças e adolescentes com síndrome de Down;
a tragédia da África e a indiferença
com que o mundo a trata; os dramas internos
de uma família grande conduzida por este ser complexo que é um pai ao mesmo tempo autoritário,
mas bom de caráter e coração;
o deserto de sentimentos, a agressividade
e a indiferença pela dor alheia que a vida moderna
pode gerar em algumas pessoas.
E vários outros subtemas de valor ético
e visão humanista.
Só espero que, entrando a novela em velocidade
de cruzeiro, como sempre acontece,
ele não seja pressionado pelas pesquisas
a mexer na trama, acabando por resvalar
para o inverossímil ou o enlouquecimento
da história...
Li por aí algumas reportagens,
inclusive entrevistas dele, que me assustaram.
Mas o caso do abandono covarde, do preconceito
ou da adoção amorosa de uma criança
com Síndrome de Down todas as noites
me traz reflexões antigas sobre esse ser especial
que é a pessoa diferente.
E diferente, para mim, não é apenas
quem sai da chamada normalidade física.
Existem os interiormente diferentes
(poetas, pintores e músicos em geral).
Dizia eu que a carga de preconceitos vários
é tão grande, quando a diferença é de natureza física,
que ali se instala uma das maiores fontes
de sofrimento humano.
O diferente carrega desde cedo apelidos
e marcações, os quais acaba incorporando.
Só os diferentes mais fortes do que o mundo
se transformaram (e se transformam)
nos seus grandes modificadores.
Diferente é o que vê mais longe do que o consenso.
O que sente, antes mesmo dos demais
começarem a perceber.
Diferente é o que se emociona, enquanto
todos em torno agridem e gargalham.
É o que engorda mais um pouco; chora onde
outros xingam; estuda onde outros burram.
Quer onde outros cansam.
Espera de onde já não vem. Sonha entre realistas. Concretiza entre sonhadores.
Fala de leite em reunião de bêbados.
Cria onde o hábito rotiniza.
Sofre onde os outros ganham.
Os diferentes aí estão:
enfermos, paralíticos, anões, portadores
de síndrome de Down, machucados, engordados, anoréxicos, inteligentes em excesso,
bons demais para aquele cargo, excepcionais,
narigudos, barrigudos, joelhudos, de pé grande,
de roupas erradas, cheios de espinhas,
de mumunha, de malícia ou de baba.
Aí estão, doendo e doendo, mas procurando ser, conseguindo Ser.
A alma dos diferentes é feita de uma luz além.
Sua estrela tem moradas deslumbrantes
que eles guardam para os pouco capazes
de os sentir e entender.
Nessas moradas estão tesouros da ternura humana.
De que só os diferentes são capazes.
Jamais mexa com o amor de um diferente.
A menos que você seja suficientemente forte
para suportá-lo (o amor) depois.
Artur da Távola
[ topo ] Você precisa ser surdo para entender
Autor: Willard J. Madse
Como é “ouvir” uma mão?
Você precisa é ser uma pequena criança
Na escola, numa sala sem som
Com um professor que fala,
fala e fala e, então
quando ele vem perto de você
Ele espera que você saiba o que ele disse?
Você precisa ser surdo para entender!
Ou o professor que pensa que para torná-lo inteligente
Você deve, primeiro, aprender
Como falar com sua voz
Assim
Colocando as mãos no seu rosto
Por horas e horas
Sem paciência ou fim
Até sair algo indistinto
Assemelhado ao som?
Você precisa ser surdo para entender!
Como é ser curioso
Na ânsia por conhecimento próprio
Com um desejo interno que está em chamas
e você pede a um irmão, irmã e amigo
Que respondendo lhe diz:
“Não importa”?
Você precisa ser surdo para entender!
Como é estar de castigo num canto
Embora não tenha feito
realmente nada de errado
A não ser tentar fazer uso das mãos
para comunicar a um colega silencioso
um pensamento que vem, de repente, a sua mente?
Você precisa ser surdo para entender!
Como é ter alguém a gritar
pensando que irá ajudá-lo a ouvir
ou não entender as palavras
de um amigo que está tentando
tornar a piada mais clara
e você não pega o fio da meada
Porque ele falhou?
Você precisa ser surdo para entender!
Como é quando riem na sua face
quando você tenta repetir o que foi dito
somente para estar seguro que você entendeu
E você descobre que as
palavras foram mal entendidas.
E você quer gritar alto:
Por favor, me ajude, amigo!
Você precisa ser surdo para entender!
Como é ter que depender de alguém
que pode ouvir
para telefonar a um amigo ou marcar
Um encontro de negócios
E ser forçado a repetir o que é pessoal
E, então, descobrir que seu
recado não foi bem transmitido?
Você precisa ser surdo para entender!
Como é ser surdo e sozinho
em companhia dos que podem ouvir
e você somente tenta adivinhar
Pois não há ninguém lá com uma mão ajudadora
enquanto você tenta acompanhar
as palavras e a música?
Você precisa ser surdo para entender!
Como é estar na estrada da vida
encontrar com um estranho que abre a sua boca
E fala alto uma frase a passos rápidos
E você não pode entendê-lo e olhar seu rosto
Porque é difícil
E você não o acompanha?
Você precisa ser surdo para entender!
Como é compreender alguns dados ligeiros
que descrevam a cena e fazem você sorrir
E sentir-se sereno
com a “palavra falada” de mão em movimento
que torna você parte deste mundo tão amplo.
Sim, você precisa ser surdo para entender!
Poesia de mãe
Você precisa ser surdo para entender
um mundo vazio e tão diferente
um olhar solitário em meio à multidão
um constante silêncio, quase um castigo
gestos que buscam ajuda, quase sempre em vão.
Você precisa ser surdo
para descobrir que gritar não ajuda
que falar não é sinal de inteligência
que calar não é atestado de loucura
que é apenas ser diferente.
Você precisa ser
participante deste mundo
Onde mãos falam e olhos escutam
Onde o corpo dá a nota e o ritmo
É um mundo especial para pessoas especiais.
Você precisa
saber as dificuldades de um vocabulário resumido
(Onde muitas palavras não existem)
perdoar quando não obtiver resposta
(Imaginar que não foi compreendido)
vê-los ignorarem os risos
(Apenas para fazerem parte do nosso mundo perfeito)
Você...
... provavelmente não é deste mundo
... nem pode se tornar parte dele
Mas as palavras faladas de suas mãos em movimento...
... podem torná-lo parte do seu mundo.
Sim, você precisa ser surdo para entender
a alegria de compreender mãos que falam e olhos que escutam
os olhos atentos agradecidos às respostas de paz e esperança
o amor que, em Jesus, é possível encontrar
Mas, para isso
Você precisa ser ouvinte e fazer.
Poesia de Patrícia F. da Silva, 24 anos, mãe de Renam Fernandes da Silva, 7 anos, paciente com deficiência auditiva do Centrinho/USP desde 2001. Moradores de Araraquara (SP).
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Dicas para se relacionar com pessoas com deficiência física
Para uma pessoa sentada em cadeira de rodas, é incômodo ficar olhando para cima por muito tempo. Portanto, se a conversa for demorar mais do que alguns minutos, se for possível sente-se, para que você e ela fiquem com os olhos no mesmo nível;
A cadeira de rodas (assim como bengalas e muletas) é parte do espaço corporal da pessoa, quase uma extensão do seu corpo. Agarrar ou apoiar-se na cadeira de rodas é como agarrar ou apoiar-se numa pessoa sentada numa cadeira comum. Isso muitas vezes é simpático, se vocês forem amigos, mas não deve ser feito se vocês não se conhecem;
Nunca movimente a cadeira de rodas sem antes pedir permissão para a pessoa;
Empurrar uma pessoa em cadeira de rodas não é como empurrar um carrinho de supermercado. Quando estiver empurrando uma pessoa sentada numa cadeira de rodas, e parar para conversar com alguém, lembre-se de virar a cadeira de frente, para que a pessoa também possa participar da conversa;
Ao empurrar uma pessoa em cadeira de rodas, faça-o com cuidado. Preste atenção para não bater nas pessoas que caminham na frente. Para subir degraus, incline a cadeira para trás, levante as rodinhas da frente e apoie-as sobre o degrau. Para descer um degrau, é mais seguro fazê-lo de marcha à ré, sempre apoiando para que a descida seja sem solavancos. Para subir ou descer mais de um degrau em seqüência, será melhor pedir a ajuda de mais uma pessoa;
Se você estiver acompanhando uma pessoa deficiente que anda devagar, com auxílio ou não de aparelhos ou bengalas, procure acompanhar o passo dela;
Mantenha as muletas ou bengalas sempre próximas à pessoa deficiente;
Se achar que ela está em dificuldades, ofereça ajuda. Caso seja aceita, pergunte como deve fazê-lo. As pessoas têm suas técnicas pessoais para subir escadas, e às vezes, uma tentativa de ajuda inadequada pode até mesmo atrapalhar. Outras vezes, a ajuda é essencial. Pergunte e saberá como agir. Não se ofenda se a ajuda for recusada;
Se você presenciar um tombo de uma pessoa com deficiência, ofereça ajuda imediatamente. Mas nunca ajude sem perguntar como deve fazê-lo;
Esteja atento para a existência de barreiras arquitetônicas quando for escolher uma casa, restaurante, teatro ou qualquer outro local que queira visitar com uma pessoa com deficiência física;
Pessoas com paralisia cerebral podem ter dificuldades para andar, podem fazer movimentos involuntários com pernas e braços e podem apresentar expressões estranhas no rosto. Não se intimide com isso. São pessoas comuns como você. Geralmente, têm inteligência normal ou, às vezes, até acima da média;
Quando conversar com um estudante em cadeira de rodas lembre-se de que uma pessoa sentada tem um ângulo de visão diferente. Se quiser mostrar-lhe qualquer coisa, abaixe-se para que ela efetivamente a veja;
Se a pessoa tiver dificuldade na fala e você não compreender imediatamente o que ela está dizendo, peça para que repita. Pessoas com dificuldades desse tipo não se incomodam de repetir quantas vezes seja necessário para que se façam entender;
Não se acanhe em usar palavras como "andar" e "correr". As pessoas com deficiência física empregam naturalmente essas mesmas palavras;
Trate a pessoa com deficiência física com a mesma consideração e respeito que você usa com as demais pessoas.
Mais Informações:
Assessoria de Educação Especial – Secretaria de Educação (Cristalina-GO)
Luiz Henrique Trolle de Barros – Assessor de Educação Especial
E-mail: lhbarros@visaodefe.com
Fone: (61) 3612 4563 Ramal: 27 Celular: (61) 9972 7295
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Terminologia sobre deficiência na era da inclusão
Por Romeu Kazumi Sassaki
"Usar ou não usar termos técnicos corretamente não é uma mera questão semântica ou sem importância, se desejamos falar ou escrever construtivamente, numa perspectiva inclusiva, sobre qualquer assunto de cunho humano. E a terminologia correta é especialmente importante quando abordamos assuntos tradicionalmente eivados de preconceitos , estigmas e estereótipos , como é o caso das deficiências que aproximadamente 14,5% da população brasileira possuem."
O autor é Consultor de inclusão social e autor dos livros Inclusão: Construindo uma Sociedade para Todos (5.ed., Rio de Janeiro: WVA, 2003) e Inclusão no Lazer e Turismo: em busca da qualidade de vida (São Paulo, Áurea 2003). E-mail: romeukf@uol.com.br
Clique aqui para ler o texto na íntegra!
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Deficientes Discriminados
Por Diogo Mainardi
"Ter um filho deficiente não é nenhum drama, nenhum peso, nenhum problema. Basta que os outros não perturbem. Os pais de crianças deficientes não querem favores nem comiseração. O que eles querem é que as crianças tenham a oportunidade de conviver com outras crianças"
Rio de Janeiro. Teimei em morar de frente para o mar. Difícil encontrar apartamento. Tudo caro demais. Comicamente, os melhores que visitei pertenciam a gente ligada à política. O primeiro era de Antonio Carlos Magalhães. O segundo era da filha de Tancredo Neves, mãe de Aécio. Perdi este último para uma herdeira de Getúlio Vargas, ex-mulher de Moreira Franco. Estou pensando em lançar minha candidatura a governador de Roraima.
Mais difícil que encontrar apartamento é encontrar escolinha para meu filho. Ele é deficiente físico. Escolinhas não querem deficientes por perto. Três delas já nos enxotaram. Eram escolas alternativas, piagetianas, daquelas que ensinam a plantar feijão e a melecar as paredes com tinta vermelha. Mil reais de mensalidade. Você pode achar que não é problema seu. Engana-se. É em escolinhas como essas que seus filhos estão estudando. Aprendem o preconceito desde cedo. Aprendem a afastar quem parece diferente deles.
Na Escola Nova, a diretora barrou meu filho na porta. Disse que não estava preparada para educar quem não sabe andar. Se ela não está preparada para educar uma criança deficiente de 3 anos, não está preparada para educar ninguém. Como sou endinheirado, ofereci algumas facilidades: material escolar adaptado, orientação por parte das terapeutas de meu filho e uma assistente de plantão na sala de aula para ajudar sempre que necessário. No caso de deficientes, porém, nem o indefectível privilégio de classe brasileiro funciona: ricos e pobres são discriminados do mesmo jeito.
Em outra escolinha, chamada Vilhena de Moraes, a coordenadora informou que aceitava portadores de todos os tipos de deficiência, menos os deficientes físicos. Criou uma discriminação dentro da discriminação, como num sistema de castas. O pária é meu filho.
No Espaço Educação, a coordenadora recusou-o alegando falta de pessoal. Eu repeti que estava disposto a pagar o salário de uma assistente, em tempo integral. Não adiantou. Fomos despachados.
Ter um filho deficiente não é nenhum drama, nenhum peso, nenhum problema. Basta que os outros não perturbem. Os pais de crianças deficientes não querem favores nem comiseração. Pelo contrário: sentem um orgulho desmesurado de seus filhos. O que eles querem é que as crianças tenham a oportunidade de conviver com outras crianças. Nada de muito complicado.
Outro dia, Lula posou para fotografias com os atletas paraolímpicos. Foi mais uma manobra eleitoreira do presidente. Quando chegou a hora de agir, ele escolheu o lado oposto: vetou a transferência de recursos para entidades particulares que atendem deficientes e vetou a isenção de IPI e do imposto de importação sobre equipamentos como cadeiras de rodas. Nos anos 70, todo mundo tinha um contrabandista de uísque escocês. Eu, agora, tenho de apelar para um contrabandista de apetrechos ortopédicos. Acabo de receber um moderno andador de alumínio. É a muamba fisioterápica.
O Brasil discrimina portadores de deficiência assim como discrimina negros. O maior entrave para o crescimento do país é a nossa infinita ignorância. Quando eu for governador de Roraima, garanto que todos terão acesso à escola e todos terão apartamentos de frente para o mar, se é que Roraima tem mar.
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Há mãos que sustentam e mãos que abalam, mãos que limitam e mãos que ampliam. Mãos que se abrem e mãos que se fecham.
Há mãos que afagam e mãos que agridem... Mãos que ferem e mãos que cuidam das feridas. Mãos que destroem e mãos que edificam. Mãos que são temidas e mãos que são desejadas e queridas. Mãos que dão com arrogância e mãos que se escondem ao dar. Mãos que escandalizam e mãos que apagam escândalos. Mãos puras e mãos que carregam censuras.
Há mãos que escrevem para promover e mãos que escrevem para ferir. Mãos que pesam e mãos que aliviam. Mãos que operam e mãos que curam.
Há também mãos que “amarguram”...
Há mãos que se apertam por amizade e mãos que empurram por ódio. Mãos finas que provam dor e mãos rudes que espalham amor.
Há mãos que se levantam pela verdade e mãos que encarnam a falsidade.
Há mãos que oram e imploram e mãos que devoram.
Há mãos que educam e mãos que se acomodam. Mãos que orientam e mãos que confundem. Mãos que ensinam a segurança do ir e vir e mãos que se omitem sendo responsáveis pelos acidentes e mortes.
É A MENTE TRANSFORMADA QUE DIRIGE A MÃO SANTIFICADA, DELICADA. E a mente agradecida que transforma as mãos em instrumentos de graça.
Mãos que se levantam para abençoar, mãos que baixam para levantar o caído, mãos que se estendem para amparar o cansado, mãos que se unem para salvar vidas. São como as mãos de DEUS , que criam, que guiam, que salvam, que nunca faltam.
Existem mãos... e mãos... As tuas quais são? Para que são?
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Diminuindo o passo
Há alguns anos, nas olimpíadas especiais de Seattle, também chamada de Paraolimpíadas, nove participantes, todos com deficiência mental ou física alinharam-se para a largada da corrida dos cem metros rasos.
Ao sinal, todos partiram, não exatamente em disparada, mas com vontade de dar o melhor de si, terminar a corrida e ganhar. Todos, exceto um garoto, que tropeçou no piso, caiu rolando e começou a chorar.
Os outros oito ouviram o choro. Diminuíram o passo e olharam para trás. Viram o garoto no chão, pararam e voltaram. Todos eles! Uma das meninas, com Síndrome de Down, ajoelhou-se, deu um beijo no garoto e disse: "pronto, agora vai sarar". E todos os nove competidores deram os braços e andaram juntos até a linha de chegada. O estádio inteiro levantou e não tinha um único par de olhos secos. E os aplausos duraram longos minutos. E as pessoas que estavam ali, naquele dia, repetem essa história até hoje. Por quê? Porque lá no fundo, nós sabemos que o que importa nesta vida, mais do que ganhar sozinho, é ajudar os outros a vencer, mesmo que isso signifique diminuir o passo e mudar de curso. Que cada um de nós possa ser capaz de diminuir o passo ou mudar de curso para ajudar alguém que em algum momento de sua vida tropeçou e precisa de ajuda para continuar..."
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