Os transtornos mentais já representam uma das principais causas de afastamento do trabalho e de perda de produtividade no Brasil. Estudo realizado pela FIEMG, com base nos últimos dados disponíveis, aponta que os problemas relacionados à saúde mental retiram 2,8% do PIB potencial brasileiro, o equivalente a R$ 282 bilhões por ano, além de impactarem diretamente o mercado de trabalho, a renda das famílias e a arrecadação pública.
Segundo o levantamento, cerca de 20% da população ocupada convive com algum transtorno mental, como ansiedade e depressão. Cada trabalhador afetado perde, em média, 51 dias de vida saudável por ano, reflexo de afastamentos, queda de produtividade, absenteísmo e presenteísmo — fatores que afetam diretamente a eficiência das empresas e elevam custos operacionais.
No cenário analisado, os impactos econômicos incluem ainda a perda de aproximadamente 801 mil postos de trabalho no país e a redução de R$ 165 bilhões na renda das famílias, evidenciando que a saúde mental deixou de ser apenas uma pauta social e passou a ocupar papel central nas estratégias de gestão, segurança e saúde no trabalho (SST).
Para a analista de saúde e segurança do trabalho e qualidade de vida do SESI-MG, Camila Dulce Gorgulho Campos, os transtornos mentais podem afetar a dinâmica das empresas de forma progressiva e muitas vezes silenciosa, gerando impactos que vão além dos afastamentos formais. Ela avalia que o presenteísmo – quando o trabalhador permanece em atividade mesmo sem estar bem de saúde – costuma ser um dos primeiros sinais do problema e tende a elevar custos operacionais antes mesmo de aparecer nos indicadores tradicionais.
“Quando o colaborador não está bem emocionalmente, é comum observar queda de concentração, aumento de erros, retrabalho e conflitos”, afirma. Para a analista, esse cenário compromete a qualidade dos processos, a entrega de resultados e a segurança das operações, além de sobrecarregar equipes e ampliar riscos financeiros e humanos.
O estudo também aponta que os efeitos dos transtornos mentais vão além do indivíduo, gerando um efeito sistêmico na economia, com queda no faturamento das empresas, redução de investimentos, diminuição da produção e aumento das demissões. Em Minas Gerais, as perdas também são significativas, com impacto direto sobre empregos, massa salarial e arrecadação.
Ao analisar uma solução para esse problema, Camila afirma que a consolidação de uma cultura de bem-estar contribui para reduzir riscos operacionais, fortalecer o engajamento e tornar os ambientes de trabalho mais seguros, sustentáveis e humanos ao longo do tempo. “Para mudar esse cenário, as empresas precisam adotar uma postura proativa de gestão de promoção da saúde mental, assumindo um papel ativo como fator de proteção e apoio social, e não como agente de adoecimento”, defende.
Neste contexto, a campanha Janeiro Branco, mostra a importância de incorporar a saúde mental às políticas de SST, com foco na prevenção, gestão de riscos psicossociais e promoção da qualidade de vida no trabalho.
A mensagem é clara: cuidar da saúde mental não é custo, é investimento — com impacto direto na produtividade, na segurança do trabalho e na competitividade das empresas.
Acesse aqui o estudo realizado pela FIEMG e leia na íntegra.
Ana Paula Motta
Imprensa FIEMG