A retomada do transporte ferroviário como vetor estratégico para o desenvolvimento econômico e logístico do país esteve no centro dos debates do 1º Fórum Ferroviário de Minas Gerais, realizado nesta terça-feira (6/5), na sede da FIEMG, em Belo Horizonte. Promovido pelo Conselho de Infraestrutura da Federação, o encontro reuniu representantes do setor produtivo, concessionárias, especialistas e autoridades públicas para discutir os principais desafios, investimentos e oportunidades ligados à expansão e modernização do modal ferroviário no Brasil.
Na abertura do evento, o presidente em exercício da FIEMG, Emir Cadar, destacou a mudança de percepção em relação ao setor ferroviário, historicamente relegado a segundo plano no país. Segundo ele, o Brasil começa a reconhecer o potencial logístico e econômico das ferrovias, especialmente para o transporte de cargas, produção industrial e conexão com os principais corredores de exportação. “O setor ferroviário foi, durante muito tempo, desprestigiado no Brasil. Hoje, vemos um movimento de retomada, com investimentos, expansão e modernização. Minas Gerais está no centro dessa transformação”, afirmou.
Cadar ressaltou que Minas abriga as duas únicas fabricantes de locomotivas do país, a Progress Rail e a Fabtech, além de projetos ligados à expansão de linhas ferroviárias, terminais de transbordo e short lines, estruturas de menor extensão voltadas à conexão entre grandes terminais logísticos.
O presidente em exercício da FIEMG também defendeu a ampliação do uso das ferrovias para além do minério de ferro, incluindo outros tipos de carga e o transporte de passageiros. “A melhoria da malha ferroviária reduz o custo logístico, fortalece a competitividade da indústria e torna Minas Gerais ainda mais atrativa para novos investimentos”, destacou.
O secretário de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias de Minas Gerais, Pedro Bruno Barros de Souza, afirmou que Minas Gerais vive um momento decisivo para os investimentos em infraestrutura ferroviária. “Somos a terra do trem. Minas possui a maior malha ferroviária do Brasil e deve concentrar grande parte dos investimentos do próximo ciclo ferroviário nacional”, disse. Também destacou que o modal ferroviário contribui para a redução de emissões, melhora o fluxo das rodovias e aumenta a produtividade industrial. Ele também citou os investimentos realizados no metrô de Belo Horizonte, com mais de R$ 2 bilhões aplicados nos últimos anos. “Vamos viver o maior boom de investimentos ferroviários da história de Minas Gerais”, afirmou.
Já o diretor-presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Davi Barreto, reforçou que o transporte ferroviário é mais barato, seguro e sustentável em comparação ao modal rodoviário. Segundo ele, o custo médio do frete ferroviário pode representar metade do valor do transporte rodoviário, além de registrar índices de acidentes até dez vezes menores e emissões cerca de oito vezes inferiores. “O Brasil ainda utiliza pouco as ferrovias diante do seu potencial e das dimensões continentais do país. Hoje, cerca de 20% da matriz de transporte está sobre trilhos. Precisamos avançar para 30%, 40% ou até 50%”, afirmou. Barreto destacou, no entanto, que os investimentos exigidos são elevados. De acordo com ele, um quilômetro de ferrovia custa cerca de R$ 20 milhões, valor semelhante ao de uma locomotiva.
Representando a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Alessandro Baumgartner afirmou que Minas Gerais é atualmente prioridade nos investimentos nacionais em infraestrutura. Segundo ele, estão previstos cerca de R$ 38 bilhões em investimentos ferroviários no estado ao longo dos próximos 30 anos, incluindo projetos ligados à Estrada de Ferro Vitória a Minas, MRS e Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). “A logística é a base de tudo. Sem infraestrutura, não há escoamento da produção. Minas Gerais ocupa posição estratégica nesse cenário porque é um grande eixo de conexão nacional”, afirmou.
Baumgartner também destacou que o crescimento da produção agrícola e industrial brasileira torna indispensável a expansão ferroviária. “Um único trem pode substituir entre 800 e 900 caminhões nas estradas. As rodovias já não suportam mais o volume atual de cargas”, disse.
Dados apresentados durante o evento mostram que Minas Gerais possui cerca de 5 mil quilômetros de malha ferroviária, o equivalente a aproximadamente 17% da rede nacional. Quatro concessionárias operam no estado: Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), MRS Logística e Rumo Malha Central (RMC). Juntas, elas movimentaram aproximadamente 279 milhões de toneladas úteis em 2024.
Apesar da relevância estratégica, o modal ferroviário ainda responde por cerca de 26% da integração de cargas no estado, enquanto o transporte rodoviário concentra mais de 70%. O minério de ferro representa 75,8% de toda a carga transportada pelas ferrovias mineiras, evidenciando a necessidade de diversificação do setor.
O fórum foi dividido em três painéis temáticos voltados ao futuro das ferrovias no Brasil, à operação logística e à indústria ferroviária, abordando temas como regulação, segurança jurídica, eficiência operacional, inovação e competitividade. Participaram representantes da VLI Logística, INP Trilhos, MRS Logística, Vale, Grupo Avante, Metrô BH, Wabtec, Latam, Randon e Associação Brasileira da Indústria Ferroviária e CODEMGE.
Confira as fotos do 1º Fórum Ferroviário de Minas Gerais no Flickr do Sistema FIEMG. Os vídeos da Coletiva de Impresa estão neste link.
Denise Lucas
Imprensa FIEMG