O Centro de Inovação e Tecnologia para Ímãs de Terras Raras (CIT Senai ITR), em Lagoa Santa (MG), na Grande BH, recebeu, na última sexta-feira (27/2), um lote de 20 quilos de carbonato de terras raras entregue pela mineradora Meteoric. Essa entrega marca o desenvolvimento das pesquisas com material nacional. É o primeiro lote de carbonato obtido a partir de extração em terras brasileiras que o projeto recebe. O laboratório costuma usar material importado da China.
O Brasil dá um passo inédito na disputa global por terras raras, minerais estratégicos usados na fabricação de carros elétricos, turbinas eólicas e eletrônicos. Pela primeira vez, um laboratório brasileiro começou a testar a produção de ímãs de alta potência com matéria-prima extraída no próprio país, na busca de criar uma cadeia produtiva nacional desses materiais, hoje dominada por outros países.
O carbonato de terras raras é o resultado da lixiviação (processo de lavagem) da argila iônica e é um composto intermediário, obtido antes da separação dos elementos de terras raras. O material destinado ao CIT Senai ITR é resultado dos testes de processos de extração realizados na planta piloto da mineradora, inaugurada em dezembro, em Poços de Caldas (MG).
O carbonato foi obtido a partir de amostras de argila iônica coletadas durante pesquisa sobre terras raras na região do Planalto Vulcânico de Poços de Caldas. A empresa está em fase de licenciamento para a construção da mina.
De acordo com o coordenador do CIT Senai ITR, André Luis Pimenta de Faria, a entrega do material representa um avanço concreto para o desenvolvimento tecnológico nacional. “Essa entrega representa um passo concreto dentro do projeto MagBras, que é a iniciativa estruturante para desenvolver no Brasil a cadeia completa de ímãs permanentes de NdFeB, da matéria-prima mineral até o ímã final”.
O MagBras é fomentado pelo Programa MOVER, com recursos operados pelo SENAI Departamento Nacional e pela FUNDEP, envolvendo diferentes instituições de ciência e tecnologia. “No caso específico do Instituto SENAI de Inovação (ISI) em Processamento e do CIT SENAI ITR, nosso papel é atuar nas etapas de beneficiamento inicial dos minérios e na produção de ligas, chegando à fabricação dos ímãs”, complementa André Pimenta.
Com essa remessa, as Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs) do projeto passam a ter a oportunidade de trabalhar com matéria-prima de origem nacional nas etapas de obtenção de óxidos puros de terras raras, redução para metal, produção de liga e fabricação de ímãs de NdFeB. Isso é extremamente relevante porque nos permite validar, em escala piloto, a rota tecnológica utilizando terras raras brasileiras.
“Nossa expectativa é que a parceria seja de longo prazo. O desenvolvimento de uma cadeia nacional de ímãs exige previsibilidade de fornecimento e cooperação técnica contínua entre mineração e indústria de transformação. Ao mesmo tempo, neste momento de transição, o CIT SENAI ITR continuará trabalhando também com materiais importados. Isso é importante para garantir continuidade dos projetos, comparabilidade técnica e segurança de fornecimento, até que o Brasil consolide sua própria produção em escala industrial”, ressalta.
“O que estamos construindo agora é a base tecnológica e industrial para que, no futuro próximo, o país possa transformar seus próprios minerais estratégicos em produtos de alto valor agregado, como os ímãs permanentes utilizados em motores elétricos, geração de energia e mobilidade elétrica”, conclui Pimenta.
Desenvolvimento para o futuro
O CIT Senai ITR é a primeira fábrica de ímãs permanentes da América Latina e faz parte do projeto MagBras, uma aliança formada por empresas, startups, centros de inovação, instituições de pesquisa, universidades e fundações de apoio que tem como objetivo estabelecer uma cadeia produtiva completa e permanente de terras raras no país, da matéria-prima mineral até o ímã final, que são essenciais para a montagem de motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, smartphones, computadores, equipamentos de ressonância magnética e componentes industriais de automação.
A entrega do material faz parte de um acordo de parceria de cinco anos, assinado pelo CIT SENAI ITR e pela Meteoric, em 2024. Desde a sua inauguração em 2025, o ITR também recebeu amostras de óxidos puros fornecidos pela Viridion, empresa do grupo da mineradora Veridis, instalada em Poços de Caldas, retirados a partir de ímãs recolhidos no Brasil e reciclados na Irlanda, e uma amostra de oxalato da St George, também a partir de minério nacional.
Marina Rigueira
Imprensa FIEMG