A FIEMG recebeu, nesta quarta-feira (24/6), no Teatro SESIMINAS, em Belo Horizonte, a Reunião do Fórum de Inclusão e Acessibilidade das Pessoas com Deficiência e Reabilitadas pelo INSS da Região Metropolitana de BH. O encontro reuniu representantes do poder público, da indústria, de empresas e especialistas para discutir avanços, desafios e caminhos práticos para ampliar a inclusão no mercado de trabalho.
A programação foi conduzida pela auditora fiscal do Trabalho, Patrícia Siqueira, que também é coordenadora estadual do Projeto de Inclusão de Pessoas com Deficiência e Reabilitadas no Mercado de Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Minas Gerais.
Representando o setor produtivo, o gerente-geral de Pessoas da FIEMG, Vinicius Morreli, destacou que é de extrema importância debater este tema, especialmente, na indústria. “A gente entende que um ambiente inclusivo, um ambiente com cada vez mais representatividade, diversidade, enriquece não só a indústria, mas todos os segmentos produtivos do nosso país”, afirmou.
Convidada ao palco, a procuradora regional do Trabalho, Lutiana Nacur Lorentz, reforçou que a inclusão deve ser tratada como compromisso coletivo e permanente. “É uma aspiração muito alta ter uma sociedade sem discriminação, igualitária, perto dos nossos melhores ideais, inclusiva, onde as pessoas com deficiência possam estar em todos os lugares e conquistar também, por óbvio, além do trabalho decente descrito na OIT, também a educação decente e todos os direitos que lhe pertencem. É uma luta, é uma conquista, mas o Ministério Público, o Ministério do Trabalho e Emprego estão aqui, junto com todos os nossos parceiros, para tentarmos avançar mais dentro dos nossos melhores ideais”, disse.
Durante a apresentação, Patrícia Siqueira trouxe dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), de 2026, que mostram o desafio ainda existente para o cumprimento da cota legal de contratação de pessoas com deficiência e reabilitadas. No Brasil, cerca de 46 mil empresas somam aproximadamente 1 milhão de vagas previstas pela lei. No entanto, pouco mais de 609 mil estão ocupadas, o que representa um déficit de cerca de 447 mil postos e um cumprimento de 57%.
Já em Minas Gerais, são cerca de 4,3 mil empresas, com aproximadamente 87 mil vagas previstas. Dessas, cerca de 52 mil estão preenchidas, gerando um déficit de quase 36 mil vagas e um índice de cumprimento de 59%. Na capital o cenário é semelhante. São pouco mais de mil empresas, com cerca de 33 mil vagas previstas. Aproximadamente 19 mil estão ocupadas, o que resulta em um déficit de cerca de 14 mil vagas e um cumprimento de 57%.
A partir dos números, Patrícia abriu o debate com uma provocação sobre o entendimento real da acessibilidade nas empresas. Segundo ela, ainda é comum que organizações associem adaptações apenas à presença imediata de determinado trabalhador.
No painel “Acessibilidade, tecnologias assistivas e adaptações razoáveis no trabalho: experiência, recursos e possibilidades práticas”, participaram Marcos Fontoura de Oliveira, coordenador de CPA BHTrans; Patrícia Cardoso, diretora da Akyou Soluções; Mariana Novo, analista de Diversidade e Inclusão da FIEMG; e Lucas Henrique Vicente, analista de Mídias Sociais e Canais Digitais da FIEMG.
No debate, Lucas compartilhou sua trajetória de 18 anos na FIEMG e apresentou novidades relacionadas à tecnologia assistiva. Mariana Novo também falou sobre sua experiência de quase duas décadas na Federação e destacou a importância de transformar inclusão em prática cotidiana nas instituições. Marcos abordou o tema das cidades acessíveis, enquanto Patrícia Cardoso refletiu sobre como seria um mundo ideal do ponto de vista da acessibilidade, reconhecendo, ao mesmo tempo, os avanços já conquistados.
Na sequência, o painel “Gestão da diversidade nas empresas: avanços, desafios e próximos passos para a inclusão de pessoas com deficiência e reabilitadas” reuniu lideranças de empresas para discutir a questão norteadora “onde estamos e para onde vamos”. A mediação foi feita por Mariana Novo. Participaram Mariana Simões, gerente de DE&I da Vale; Tatiana Villefort, diretora de Recursos Humanos da MRV&CO; Warney de Araújo, superintendente de Gente e Gestão do Grupo Tora; Celira Fonseca, coordenadora de Diversidade e Inclusão, Marca Empregadora e Comunicação Interna da MRV&CO; Izabela Dacal, gerente de Saúde e Segurança do Trabalho da Unimed-BH; Rafael Lara Rabelo, head do Departamento Jurídico do Grupo Mart Minas; e Simone Lima, gerente de Desenvolvimento Organizacional e docente da Ânima Educação.
Ao longo do encontro, os participantes compartilharam experiências, boas práticas e desafios enfrentados pelas empresas na construção de ambientes mais diversos, acessíveis e preparados para receber profissionais com deficiência e reabilitados. A reunião reforçou que a inclusão exige planejamento, escuta, adaptação de processos, investimento em acessibilidade e mudança cultural dentro das organizações.
Veja aqui as fotos do evento.
Ana Paula Motta
Imprensa FIEMG