O Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer-MG), filiado à FIEMG, avalia de forma positiva a participação nas audiências públicas realizadas nesta terça-feira (7), nos Estados Unidos, para discutir a possibilidade de aplicação de novas tarifas de importação sobre o ferro-gusa brasileiro. A medida, proposta pelo governo norte-americano, prevê uma tarifa de 25%, acrescida de uma segunda alíquota de 12,5%, podendo chegar a 37,5%.
Segundo o presidente do Sindifer-MG, Fausto Varela, a entidade saiu das audiências mais esperançosa quanto à possibilidade de reversão do quadro. O sindicato defende que o ferro-gusa brasileiro seja incluído na lista de exceções, considerando a relevância do produto para a cadeia siderúrgica dos Estados Unidos e os impactos econômicos que a taxação pode gerar tanto para o Brasil quanto para o mercado norte-americano.
Ainda conforme Varela, os EUA são fortemente dependentes do ferro gusa importado, uma vez que a capacidade interna de produção da matéria-prima é de 6% da demanda total do país. “Ficamos muito satisfeitos com o desenrolar das duas audiências. Foram muito boas, tivemos perguntas relevantes e respondemos a todas com dados reais. Saímos esperançosos de que possa haver uma reversão no quadro e de que o ferro-gusa brasileiro entre na lista de exceções”, afirmou.
Durante as audiências, o Sindifer-MG reforçou que o Brasil é um fornecedor tradicional de ferro-gusa para os Estados Unidos. De acordo com a entidade, cerca de 60% do ferro-gusa importado pelos norte-americanos no ano passado teve origem brasileira. O sindicato também destacou que a aplicação das tarifas pode onerar a produção de aço nos EUA, uma vez que o ferro-gusa é matéria-prima essencial para o setor siderúrgico.
Um dos pontos considerados mais relevantes pela entidade foi a manifestação de compradores e importadores americanos contrários à entrada em vigor das novas tarifas. Para Varela, esse posicionamento fortalece a defesa brasileira, ao demonstrar que a medida também pode comprometer custos e a competitividade da indústria dos Estados Unidos. “A participação dos compradores americanos nos ajudou muito. Eles foram favoráveis à não entrada em vigor da tarifa para o ferro-gusa, justamente porque isso pode comprometer o custo do aço produzido nos Estados Unidos. Esse foi um ponto determinante”, ressaltou.
O Sindifer-MG também respondeu a questionamentos relacionados às investigações em curso nos Estados Unidos, incluindo temas da Seção 301 e trabalho forçado. A entidade destacou que o setor brasileiro de ferro-gusa não tem relação com as práticas investigadas e não adquire produtos de países ou fornecedores associados a esse tipo de irregularidade.
Caso as novas tarifas sejam implementadas, o impacto para a indústria brasileira pode ser severo. Segundo estimativa do Sindifer-MG, cerca de 55% das usinas de ferro-gusa do país podem paralisar suas atividades, com reflexos diretos sobre empregos, arrecadação, investimentos e competitividade. Em Minas Gerais, maior produtor nacional, o setor gera mais de 60 mil empregos diretos e indiretos.
Minas Gerais concentra aproximadamente 70% da produção nacional de ferro-gusa, com 48 usinas e 63 fornos em operação, além de capacidade instalada de cerca de 420 mil toneladas por mês. Sete Lagoas, na região Central do estado, é considerada o principal polo guseiro, com 21 unidades produtivas.
“O impacto seria direto e muito alto. Muitas empresas não teriam como produzir, porque o mercado ficaria limitado ao mercado nacional e a outros destinos que não têm a mesma dimensão. O caminho natural seria a paralisação, seja temporária ou definitiva, com geração de desemprego e redução de impostos”, alertou Varela.
As decisões sobre a aplicação das novas tarifas devem ser anunciadas no dia 15 de julho. Até lá, o Sindifer-MG seguirá atuando em diálogo com autoridades, compradores e representantes do setor nos Estados Unidos para tentar reverter a medida e garantir a competitividade do ferro-gusa brasileiro no mercado internacional.
Imprensa FIEMG