Em vigor desde o último sábado (1°/08), o Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e Singapura abre novas perspectivas para as empresas brasileiras, especialmente pela simplificação de procedimentos, pelo alinhamento de regras e pela maior segurança jurídica nas operações internacionais.
Primeiro tratado comercial firmado pelo bloco sul-americano com um país do Sudeste Asiático, o acordo abrange não apenas o comércio de mercadorias, mas também áreas como serviços, investimentos, compras governamentais, propriedade intelectual, comércio eletrônico e participação de micro, pequenas e médias empresas.
Considerado um dos principais centros financeiros, comerciais e logísticos da Ásia, Singapura ocupa posição estratégica para empresas que pretendem ampliar sua presença internacional. Além do próprio mercado, o país funciona como uma plataforma para o acesso a outras economias do continente asiático.
“Singapura é um mercado estratégico não apenas pelo volume de negócios, mas principalmente por sua posição como centro logístico e comercial do Sudeste Asiático. O acordo oferece mais previsibilidade, transparência e segurança para as operações. Para as empresas mineiras, pode representar uma porta de entrada para mercados asiáticos e uma oportunidade de ampliar a presença internacional, especialmente em segmentos industriais de maior valor agregado”, explica a coordenadora de Negócios Internacionais da Fedração das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Verônica Winter.
Embora as mercadorias brasileiras já entrassem em Singapura com isenção tarifária, a expectativa é que o acordo impulsione as exportações por meio da redução da burocracia logística e aduaneira, da harmonização de procedimentos e da definição de regras mais claras para os operadores.
“O ganho não está restrito à questão tarifária. A redução de barreiras administrativas, a definição de procedimentos e a previsibilidade regulatória tornam o ambiente mais favorável para a realização de negócios. No entanto, para aproveitar essas condições, é fundamental que as empresas conheçam as regras do acordo e preparem seus processos internos”, ressalta Verônica Winter.
Comércio bilateral cresceu 60% em cinco anos
Levantamento do Centro Internacional de Negócios da FIEMG mostra que o comércio corrente entre Brasil e Singapura cresceu aproximadamente 60% entre 2021 e 2025, passando de US$ 6,7 bilhões para US$ 10,7 bilhões.
Somente em 2025, as exportações brasileiras para o país asiático alcançaram cerca de US$ 7,4 bilhões, enquanto as importações ficaram em US$ 3,3 bilhões. O resultado foi um superávit comercial de aproximadamente US$ 4 bilhões para o Brasil.
No acumulado entre 2021 e 2025, a pauta brasileira de exportações para Singapura foi liderada por petróleo e derivados, que movimentaram US$ 21,6 bilhões e representaram cerca de 58% dos embarques. Também se destacaram petróleo em bruto, com US$ 6,5 bilhões; carnes de aves, com US$ 1,4 bilhão; ferroligas, com aproximadamente US$ 955 milhões; e embarcações especializadas, com cerca de US$ 915 milhões.
Minas Gerais também mantém uma relação comercial positiva com Singapura. Em 2025, o intercâmbio entre o Estado e o país totalizou aproximadamente US$ 264 milhões. As exportações mineiras chegaram a US$ 237 milhões, enquanto as importações somaram quase US$ 27 milhões, gerando superávit de cerca de US$ 211 milhões.
As ferroligas lideram a pauta de exportações mineiras para Singapura e representam mais de 60% dos embarques do Estado. Também se destacam carnes de aves, carne bovina, medicamentos, tubos e perfis de aço. Nos últimos anos, houve ainda crescimento de produtos de maior valor agregado, como máquinas, equipamentos mecânicos, bombas, compressores, válvulas industriais e outras obras de ferro e aço.
Thaís Mota
Imprensa FIEMG