Representantes da indústria, da mineração, do poder público e de entidades ambientais participaram, no dia 6 de agosto, do Workshop sobre Resíduos na Indústria e na Mineração, realizado na sede da FIEMG, em Belo Horizonte. Promovido pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e pelo Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (Sindiextra), em parceria com a Federação, o encontro discutiu boas práticas de destinação, circularidade e criação de novas cadeias produtivas a partir dos resíduos gerados pelos setores.
Na abertura, o presidente do Conselho Deliberativo do Sindiextra, Gustavo Lanna, ressaltou que a gestão de resíduos deixou de representar apenas uma obrigação legal e passou a ocupar uma posição estratégica nas empresas. Segundo ele, “os avanços tecnológicos e o desenvolvimento de novas práticas têm permitido ao setor apresentar soluções inovadoras, criar mercados e fortalecer a atuação conjunta com a área ambiental”. O presidente do Sindiextra também destacou a qualidade dos especialistas e participantes reunidos no workshop e a importância de dar continuidade aos avanços relacionados ao tema.
O gerente de Meio Ambiente e de Relações Institucionais da FIEMG, Thiago Rodrigues Cavalcanti, destacou a relevância crescente da gestão e do reaproveitamento de resíduos para Minas Gerais. “A forma como tratamos esses materiais e buscamos reaproveitá-los como subprodutos das empresas é uma questão fundamental, especialmente para o estado”, declarou.
O diretor de Assuntos Minerários do Ibram, Júlio Cesar Nery Ferreira, relacionou o debate à crescente demanda por minerais críticos e estratégicos. Ele explicou que a abertura de novas minas de lítio, cobre, níquel e cobalto exige projetos complexos e de longo prazo, enquanto a transição energética amplia a procura por esses recursos.
Para Ferreira, uma das alternativas é fortalecer a mineração urbana, recuperando os minerais presentes em celulares, equipamentos eletrônicos e outros materiais descartados. “O reaproveitamento de resíduos não resolverá sozinho todos os desafios da transição energética, mas poderá contribuir de forma significativa para reduzir a pressão sobre a abertura de novas minas e utilizar melhor os recursos que já foram extraídos”, avaliou.
O presidente da Fundação Estadual do Meio Ambiente, Renato Teixeira Brandão, reforçou que Minas Gerais pode aproveitar suas características geológicas não apenas para ampliar a produção mineral, mas também para desenvolver processos de reciclagem e reutilização. Ele colocou a FEAM, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e o Governo de Minas à disposição para a construção conjunta de soluções.
Já o secretário municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte, João Paulo Menna Barreto, defendeu uma relação mais próxima entre os órgãos ambientais e o setor produtivo. Segundo ele, o diálogo deve considerar os desafios enfrentados pelas empresas que geram empregos, distribuem riquezas e pagam impostos. Barreto também destacou o trabalho da FIEMG na aproximação entre a indústria e a Prefeitura de Belo Horizonte e afirmou que a cidade busca conciliar o cumprimento da legislação ambiental com os desenvolvimentos econômico, social e sustentável.
A coordenadora do Grupo de Trabalho de Resíduos do Ibram e representante da Vale, Christiane Malheiros, foi responsável pela moderação da abertura e do primeiro painel.
Painéis – A palestra “Normas técnicas sobre classificação de resíduos (ABNT NBR 10004:2024 e ABNT NBR 10007) e seus impactos na indústria e na mineração” reuniu Luis Busato, coordenador técnico da ABNT/CEE 246; Luciano Santos, diretor técnico e geoquímico ambiental da GeoEnviron Consultoria; Verônica Dias Dominato, engenheira de Meio Ambiente da Companhia Brasileira de Alumínio; e Renato Teixeira Brandão.
Busato apresentou o histórico da revisão da ABNT NBR 10004 e explicou que a atualização acompanha a transição de um modelo linear de produção e descarte para uma lógica circular, voltada à prevenção e ao reaproveitamento de materiais. O novo texto foi publicado em novembro de 2024, após quatro anos de discussões técnicas.
Luciano Santos apresentou “A Nova Norma de Resíduos para o Setor de Mineração: necessidades imediatas, oportunidades e desafios”. Ele detalhou as diferenças entre as versões de 2004 e 2024 da ABNT NBR 10004 e os procedimentos para caracterização química, geoquímica e mineralógica dos rejeitos, incluindo a avaliação do potencial de geração de drenagem ácida, salina ou química.
Verônica Dias Dominato mostrou a experiência da CBA, empresa com cadeia integrada da mineração à transformação do alumínio. Segundo ela, a companhia prioriza o reaproveitamento e a transformação de materiais em coprodutos, adotando uma gestão conservadora sempre que não existe uma conclusão imediata sobre a classificação do resíduo.Já Renato Brandão explicou que a transição para a nova norma será gradual e que os órgãos estaduais manterão o diálogo com os empreendimentos para avaliar as particularidades de cada processo.
A programação também contou com a palestra “Desafios da Gestão de Resíduos na Construção Civil”, apresentada por Roberta Matosinhos, do Siduscon-MG; João Paulo Menna Barreto; e Pedro Gasparini Barbosa Heller, diretor de Planejamento da Superintendência de Limpeza Urbana de Belo Horizonte. A moderação foi conduzida por Nathália Martins, analista de Meio Ambiente da FIEMG.
Na sequência, o painel “Ferramentas e Modelos para Impulsionar a Economia Circular no Setor Produtivo” reuniu Ivana Serpa Braga, presidente do Simplast-MG e vice-presidente da FIEMG; Alice Libânia, superintendente de Resíduos Sólidos da Semad; Karine Marques, da Diretoria de Resíduos Especiais e Industriais da Semad; Mariana Miranda Maia Lopes, diretora da Suma Brasil e presidente da Verde Minas; e Arildo Oliveira, gerente técnico de Mineração Circular da Vale. A moderadora foi Cláudia Salles, gerente de Sustentabilidade do Ibram.
Encerrando os debates, a palestra “Mineração Urbana: oportunidades e desafios” contou com Willer Pós, diretor-executivo da WHPOS Eletronic; Leonardo Alves Correa, advogado e professor adjunto da UFMG; Pedro Franzoni, subsecretário de Licenciamento e Controle Ambiental de Belo Horizonte; e Sandra Lucia de Moraes, pesquisadora e superintendente técnica da Unidade de Materiais Avançados do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. A moderação foi realizada por Monicke Sant’Anna Pinto de Arruda, coordenadora jurídica de Meio Ambiente da FIEMG.
Confira as fotos do Workshop sobre Resíduos na Indústria e na Mineração no Flickr do Sistema FIEMG.
Denise Lucas
Imprensa FIEMG