A criatividade não é uma habilidade exclusiva de artistas, designers ou profissionais da comunicação. Ela faz parte da natureza humana e pode ser desenvolvida em qualquer área, inclusive na indústria. Essa foi uma das principais reflexões apresentadas por Murilo Gun durante o Encontro Nacional de Automação (ENA 2026), na palestra “Eu não sou criativo porque sou de Exatas! – Como pensar fora da caixa na indústria”.
Com uma abordagem descontraída e exemplos do cotidiano, Gun desconstruiu a ideia de que profissionais das áreas técnicas são menos criativos. Segundo ele, a criatividade está na capacidade de imaginar soluções para os desafios, independentemente de sua complexidade. “Criatividade é a imaginação aplicada para resolver uma treta, um problema, uma bronca. Não tem que ser coisa complexa, nem tecnológica”, explicou.
O palestrante destacou que todos os seres humanos nascem com a capacidade de imaginar e criar novas possibilidades, mas que essa habilidade pode ser enfraquecida ao longo da vida. Para ele, os modelos tradicionais de educação valorizam excessivamente a memorização e a busca por respostas certas, deixando pouco espaço para a experimentação. “A gente nasceu criativo. Não é uma coisa exclusiva de algumas pessoas. Faz parte da nossa espécie a capacidade de imaginar”, afirmou.
Para resgatar essa criatividade natural, Gun defendeu a importância de estimular a curiosidade, ampliar o repertório e buscar referências fora do próprio ambiente profissional. Segundo ele, soluções inovadoras podem surgir da combinação de conhecimentos de diferentes áreas, permitindo que profissionais da indústria encontrem novas formas de enfrentar desafios.
Outro ponto central da palestra foi a relação entre criatividade, autoconhecimento e presença. Gun destacou que o estado emocional influencia diretamente a qualidade das decisões, das relações e das entregas profissionais. “Tudo o que tu faz contém tu. Então, a pergunta mais importante da existência é: como tu tá?”, provocou.
Segundo o palestrante, muitas vezes, os obstáculos à inovação não estão na tecnologia, nos recursos financeiros ou nos processos, mas em questões emocionais e comportamentais que interferem na colaboração e na disposição para experimentar o novo.
Nesse contexto, ele apresentou a presença como uma ferramenta para lidar melhor com os desafios e as transformações. Gun explicou que práticas simples, como a respiração consciente, ajudam a direcionar a atenção ao momento presente, reduzindo a influência de preocupações com o futuro e de situações do passado. “Através da respiração, a gente visita um lugar invisível e interno, pouco visitado, que podemos chamar de presença”, afirmou.
Para Gun, desenvolver essa consciência é essencial para enfrentar mudanças com mais equilíbrio e coragem. Ele também ressaltou que inovar exige disposição para lidar com o desconhecido e que a criatividade depende de um ambiente interno favorável à experimentação.
Ao encerrar, o palestrante convidou o público a refletir sobre o equilíbrio entre organização e abertura ao novo. “O caos é a fonte do novo. A ordem só organiza o novo que veio do caos”, destacou.
A mensagem final reforçou que pensar fora da caixa não depende apenas de ferramentas ou conhecimentos técnicos, mas também da capacidade de cultivar a curiosidade, reconhecer as próprias emoções e estar presente.
O ENA é realizado pela FIEMG e correalizado pela CNI e Gerdau, com patrocínio máster de Schneider, Sitech, Siemens, AVEVA Select Brasil, Stefanini Manufacturing e Rockwell. O patrocínio ouro é de Honeywell, Wago, Mais Industrial, TSA Engenharia, Cast Group, Russula, Energytech e Westcon. Já o patrocínio prata é de Aquarius, Lapp, Emeta, Yaskawa, Apta, SM&A, Newon, Simatec, TCS, Inatel, Innomotics, SMS Group, Vetta e ABB. O evento ainda tem o apoio da Fire Fly.
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Thaís Mota
Imprensa FIEMG