O primeiro Café Empresarial de 2026 colocou em pauta um dos assuntos mais estratégicos para o setor produtivo: o novo sistema tributário brasileiro. Realizado em 26 de fevereiro, no CIEMG, em Contagem, o encontro reuniu empresários, lideranças e especialistas da FIEMG para uma manhã de diálogo sobre as mudanças trazidas pela Reforma da Tributação do Consumo.
Com o tema “Novo Sistema Tributário Brasileiro”, o evento abordou os principais pontos do modelo que substitui tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS pelo Imposto sobre Bens e Serviços, de competência compartilhada entre estados e municípios, e pela Contribuição sobre Bens e Serviços, de competência federal. Também foi apresentado o Imposto Seletivo, voltado a bens prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.

Na abertura, o presidente do CIEMG, Fausto Varela, destacou a relevância do debate. “O tema que vamos tratar hoje é fundamental para o nosso dia a dia. Estamos atravessando um momento decisivo e sabemos da importância dessa discussão na busca por um sistema mais eficiente e equilibrado”, afirmou. Ele ressaltou ainda que compreender como as mudanças serão aplicadas na prática é essencial para que as empresas se organizem diante do novo cenário.
A superintendente do CIEMG, Maria Helena Martins de Sá, reforçou que a mudança exige postura estratégica. “Estamos falando de uma das maiores transformações estruturais no Brasil nas últimas décadas. Não se trata apenas de alíquota ou incidência de imposto, mas de repensar modelo de negócio, estrutura de custos, precificação e competitividade”, disse. Segundo ela, antecipação e planejamento são fundamentais para que empresas de todos os portes se adaptem.
A gerente da Gerência Tributária da FIEMG, Rita Elisa Reis da Costa Bacchieri, explicou que o novo sistema já está em fase de implementação. “A reforma passou. O que temos agora é um novo sistema tributário, que exige atenção e preparo. Ainda há muitas informações em construção, por isso o momento é de troca e esclarecimento”, afirmou. Rita destacou que a gerência tributária permanece à disposição dos associados para atendimento técnico sobre o tema.
Durante a apresentação, foram detalhados os pilares da reforma, como simplificação, base ampla, não cumulatividade plena e tributação no destino. O modelo prevê alíquota de referência estimada em 28 por cento, com reduções para setores como saúde, educação e alimentos, além de alíquota zero para itens da cesta básica. Também foram explicadas regras sobre direito a crédito, base de cálculo e a possibilidade de adoção do split payment, mecanismo que permite o recolhimento automático do tributo no momento do pagamento da operação.

O coordenador do curso Reforma Tributária Descomplicada da FIEMG, Thiago Álvares Feital, compartilhou sua experiência no acompanhamento do processo legislativo desde 2019. “Participei de perto das discussões e, muitas vezes, do esforço para mitigar pontos que entendíamos como prejudiciais. Nem tudo foi alterado, então agora é fundamental compreender como ficou o texto aprovado e como lidar com ele na prática”, destacou. Para ele, a combinação entre visão técnica e experiência institucional é essencial para orientar o setor produtivo neste período de transição.
O cronograma apresentado prevê fase de regulamentação até 2025, ano de teste em 2026 com alíquotas simbólicas, sistema híbrido a partir de 2027 e transição gradual até 2033, quando o novo modelo entrará plenamente em vigor. Também foram explicadas as adaptações nas obrigações acessórias e a manutenção temporária da convivência entre regras antigas e novas.
O Café Empresarial marcou a abertura da agenda anual de encontros voltados ao fortalecimento do diálogo entre a indústria e especialistas em temas estratégicos para o ambiente de negócios.
Confira as fotos do evento no Flick do Sistema FIEMG.
Denise Lucas
Imprensa FIEMG