O Produto Interno Bruto brasileiro encerrou 2025 com crescimento de 2,3%, totalizando R$ 12,7 trilhões, conforme divulgado pelo IBGE nesta terça-feira (3). Para a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, o resultado confirma expansão moderada, mas com sinais claros de perda de fôlego ao longo do segundo semestre.
“O crescimento de 2,3% mostra que a economia brasileira seguiu avançando em 2025, mas os dados deixam claro que houve perda de dinamismo no segundo semestre, especialmente na indústria e no investimento. Para que o país retome um ritmo mais consistente de expansão, será fundamental criar um ambiente de maior previsibilidade, com redução estrutural do custo do capital e estímulos ao investimento produtivo”, afirma o presidente da FIEMG, Flávio Roscoe.
No quarto trimestre de 2025, o PIB registrou alta de 1,8% frente ao mesmo período de 2024, marcando o 20º resultado positivo consecutivo nessa base de comparação. Na série com ajuste sazonal, a economia avançou apenas 0,1% na margem, praticamente repetindo o desempenho do trimestre anterior, sinalizando desaceleração.
A agropecuária foi o principal destaque do ano, com crescimento de 11,7%. A indústria avançou 1,4%, mas perdeu força no fim do período. No quarto trimestre, o setor industrial registrou queda de 0,7% na comparação com o trimestre anterior. A indústria de transformação acumulou retração de 0,2% no ano e recuo de 0,6% na margem no quarto trimestre. A construção civil caiu 2,3% na comparação trimestral, enquanto a indústria extrativa cresceu 8,6% em 2025.
Pelo lado da demanda, a formação bruta de capital fixo caiu 3,5% no quarto trimestre frente ao anterior, embora tenha registrado alta de 2,9% no acumulado do ano. O consumo das famílias cresceu 1,3% em 2025 e o consumo do governo avançou 2,1%.
Para 2026, a FIEMG projeta cenário de maior desaceleração, especialmente na agropecuária, diante de uma safra mais fraca de milho e da inversão do ciclo da pecuária. O mercado de trabalho aquecido e medidas de estímulo fiscal podem sustentar parcialmente o consumo, mas o ambiente ainda será desafiador para a indústria. ”Mesmo com o início do ciclo de queda da Selic, os juros seguirão restritivos por algum tempo, limitando o investimento produtivo e o ritmo de crescimento da economia”, afirma o economista-chefe da Federação, João Gabriel Pio.
Imprensa FIEMG