O Instituto Euvaldo Lodi (IEL/MG) e o Sindicato das Empresas de Coleta, Limpeza e Industrialização de Resíduos de Minas Gerais (SINDILURB), por meio do programa FIEMG Competitiva, realizaram no último dia 19 de maio um fórum empresarial dedicado aos principais desafios do setor de limpeza urbana. O evento aconteceu na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), em Belo Horizonte, e reuniu 33 empresários representando 17 empresas do segmento.
Marcos Vinícius Rocha Savoi, presidente do SINDILURB, abriu o encontro reafirmando o compromisso da entidade em disseminar conhecimento sobre temáticas estratégicas para os empresários do setor. Na sequência, o fórum abordou três eixos principais: conjuntura econômica, reforma tributária e impactos da redução da jornada de trabalho.
João Gabriel Pio, economista-chefe da FIEMG, apresentou um panorama das pressões econômicas globais e seus reflexos no setor de resíduos. Destacou que o conflito entre EUA e Irã, iniciado em fevereiro de 2026, elevou significativamente o preço do petróleo, impactando diretamente os custos operacionais das empresas. Além disso, a economia global apresenta sinais de contração, com inflação pressionando insumos e combustíveis, criando um ambiente desafiador para operações contínuas.
Em relação a redução da jornada de trabalho, segundo estudos apresentados pelo economista, uma redução sem ganhos de produtividade poderia impactar até 16% do PIB, com perdas de 18 milhões de empregos e custos adicionais de R$ 865 bilhões apenas para o segmento de resíduos. A análise comparativa da produtividade revelou que o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais. Fatores como infraestrutura logística deficitária, complexidade regulatória, alta carga tributária, menor nível de educação e qualificação profissional, e baixo nível de intensidade tecnológica explicam esse desempenho. Portanto, a redução de jornada sem ganhos de produtividade representa risco significativo para a economia.
A advogada Carolina Souza Monteiro Rico, da gerência de assuntos trabalhistas da FIEMG, apresentou as propostas legislativas em tramitação para redução da jornada de trabalho e seus riscos econômicos, como pressão inflacionária, aceleração da automação, risco de demissões em massa e crescimento da informalidade, especialmente em empresas de menor porte. A FIEMG enfatiza a necessidade de negociação coletiva setorial, reconhecendo que o setor, intensivo em mão de obra e de operação contínua, merece tratamento diferenciado nas políticas trabalhistas.
Thiago Álvares Feital, consultor tributário da FIEMG, finalizou o fórum apresentando a reforma tributária em detalhes. O novo sistema busca simplificar a estrutura tributária através da criação de um IVA dual composto pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de âmbito federal, e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), de âmbito estadual e municipal, com alíquota combinada de 28%. O modelo eliminará gradualmente o ICMS, ISS, PIS e COFINS até 2033.
Operando sob os pilares de simplicidade, neutralidade, não-cumulatividade e transparência, a reforma inclui regimes diferenciados para setores essenciais como saúde, educação, alimentos e higiene pessoal, além de um imposto seletivo sobre bens nocivos. A transição será gradual entre 2026 e 2033, com adequações nas obrigações acessórias e documentos fiscais eletrônicos, visando reduzir a complexidade regulatória, a guerra fiscal entre estados e a cumulatividade tributária que atualmente penaliza a população de baixa renda.
O fórum reafirmou a importância estratégica da parceria entre o SINDILURB, IEL/MG e FIEMG na discussão de temas relevantes para a economia do setor. Iniciativas como essa fortalecem o diálogo entre entidades representativas, empresários e especialistas, criando um ambiente propício para a construção de soluções compartilhadas.
Imprensa FIEMG