Minas Gerais criou 20,8 mil postos de trabalho com carteira assinada em junho de 2026, segundo dados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego. Apesar de positivo, o resultado ficou abaixo das quase 24 mil vagas abertas no mesmo mês de 2025, indicando uma redução no ritmo das contratações no estado.
Com o desempenho de junho, Minas encerrou o primeiro semestre com saldo positivo de aproximadamente 109 mil empregos formais. O número, porém, foi 27% inferior ao registrado entre janeiro e junho do ano passado, quando foram criados 149,2 mil postos de trabalho.
A agropecuária liderou a geração de empregos no estado em junho, com saldo de quase 11 mil vagas. Na sequência, apareceram a indústria, com 4,3 mil novos postos, setor de serviços, com 4,2 mil, e o comércio, com 1,3 mil.
Entre as atividades industriais, a construção apresentou o maior saldo no mês, abrindo cerca de 2,5 mil vagas, seguida pela indústria de transformação, com aproximadamente 2 mil empregos. Já no acumulado do primeiro semestre, o setor produtivo acumulou 35 mil novas vagas.
Para o economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio, os números mostram que o mercado de trabalho formal continua resistente, entretanto já mostra sinais de desaceleração da atividade econômica. Segundo ele, os juros elevados, a maior restrição ao crédito e o menor dinamismo da economia têm levado as empresas a agir com mais cautela nas contratações.
“O saldo de junho veio acima das expectativas do mercado, mas ainda foi o menor para o mês desde 2020. Os dados representam uma acomodação do ritmo de crescimento do emprego, e não uma reversão da trajetória positiva. A economia continua abrindo vagas, porém em intensidade menor do que a observada nos últimos anos”, avalia Pio.
Brasil supera expectativas, mas também perde ritmo
No Brasil, foram criados 145,2 mil empregos formais em junho, resultado superior à expectativa do mercado, que apontava para a abertura de aproximadamente 115 mil vagas. Ainda assim, o saldo ficou abaixo dos cerca de 162 mil postos gerados em junho de 2025.
No primeiro semestre, o país acumulou a criação de 921,6 mil vínculos formais, uma retração de 25% diante dos 1,2 milhão de empregos abertos no mesmo intervalo de 2025.
Os serviços lideraram a geração de vagas no país em junho, com saldo de 74,5 mil postos. A indústria criou 28,6 mil empregos, seguida pela agropecuária, com 22,9 mil, e pelo comércio, com 19,2 mil.
A expectativa da FIEMG é que o mercado de trabalho continue apresentando resultados positivos nos próximos meses, mas em ritmo mais moderado. Além dos juros elevados e das restrições ao crédito, incertezas fiscais, instabilidade relacionada ao período eleitoral, tensões geopolíticas e novas tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros podem limitar investimentos, atividade econômica e contratações.
Nesse cenário, setores mais ligados ao consumo e aos serviços devem sustentar parte da geração de empregos, enquanto segmentos dependentes de crédito, grandes investimentos e comércio internacional podem apresentar desempenho mais contido.
Clique aqui e confira o estudo na íntegra
Rafael Passos
Imprensa FIEMG