A FIEMG Regional Zona da Mata participou, nos dias 17 e 18 de setembro, em Juiz de Fora, do II Seminário do IMEPP de Inclusão e Acessibilidade da Pessoa com Deficiência no Mercado de Trabalho. Promovido pelo IMEPP Atendimento Socioassistencial, com o apoio da FIEMG ZM, o encontro teve como tema “Da Lei à Inclusão Real: por que ainda não conseguimos incluir?” e reuniu no Victory Hotel representantes do poder público, empresas, entidades e sociedade civil para discutir os desafios da inclusão profissional.
O IMEPP é uma associação civil sem fins lucrativos de caráter filantrópico e assistencial, não governamental e sem fins lucrativos, que desenvolve, há mais de 50 anos, programas sociais em articulação com as políticas públicas de educação e assistência social direcionadas às famílias e indivíduos em situação de risco e vulnerabilidade social. Através do Projeto União Solidária, o IMEPP tem atuado diretamente para garantir a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
A solenidade de abertura do Seminário foi realizada no dia 17/09 e contou com a presença diversas autoridades, como a presidente da FIEMG Regional ZM e do Sindivest JF-GV, Mariangela Marcon, e o gerente regional do Ministério do Trabalho e Emprego, Sérgio Nagasawa. Em sua fala, o presidente do IMEPP, Luiz Fernando Freesz, ressaltou que a segunda edição do seminário abre um novo capítulo de um sonho. “Nosso objetivo é desenvolver estratégias e propor soluções para o fortalecimento da inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho formal, com foco na autonomia, dignidade e desenvolvimento humano”, disse.
Durante a cerimônia, Mariangela Marcon destacou a importância de transformar a legislação em práticas efetivas. “Não é favor nenhum garantir à pessoa com deficiência o espaço que ela tem direito na sociedade. O que mais dignifica o ser humano é o trabalho, e precisamos criar condições reais para que essas pessoas possam exercer suas funções plenamente, com pertencimento e autonomia”, afirmou. Já Sérgio Nagasawa ressaltou a necessidade de preparar e educar os diferentes atores sociais envolvidos na inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho. “Temos que dar as mãos e caminhar juntos”, afirmou.
A programação da primeira noite contou ainda com a palestra inaugural de Samuel Vitor, uma criança de 12 anos, escritor, músico e palestrante com TDH, altas habilidades e autismo, que emocionou o público ao compartilhar sua trajetória, que mostrou como é ver o mundo de um ângulo diferente. O autismo é uma forma diferente de ver o mundo, pensar, sentir e de se expressar. “É preciso oportunidade, inclusão e respeito. Se todo mundo respeitar as diferenças de todo mundo, todo mundo cabe no mundo”, resumiu.
Debates sobre os caminhos para a inclusão
No segundo dia, a programação foi organizada em quatro mesas de debate, abordando diferentes dimensões da inclusão no mercado de trabalho: “Por que as pessoas com deficiência continuam fora do mercado de trabalho?”; “Por que as empresas dizem que não conseguem contratar?”; “Quem é responsável pela inclusão?”; e “Existe um caminho? Da obrigação legal para a inclusão sustentável”.
A presidente Mariangela Marcon participou da primeira mesa, mediada por Edicleia Mascarenhas, presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONPED). Também contribuíram com o debate Sérgio Nagasawa, gerente regional do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego; Roseane Estrela, relações institucionais da Federação Nacional de Entidades que atuam na inclusão da Pessoa com Deficiência no Mundo do Trabalho (FENID PCD) e do Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos; e Mário Luiz Silveira de Oliveira, consultor financeiro e administrativo.
Durante a discussão, Sérgio Nagasawa pontuou que em sua avaliação a Lei de Cotas não fracassou, destacando seu propósito e apontando desafios relacionados à aplicação da legislação e à distância entre o que está previsto formalmente e a realidade. Para ele, é necessário aproximar os diferentes atores envolvidos na questão.
Roseane Estrela ressaltou a importância da empatia, do conhecimento sobre as diferentes deficiências e da preparação das equipes para receber profissionais com deficiência nas empresas. Segundo ela, também é necessário investir nas condições oferecidas para garantir um ambiente de trabalho inclusivo.
Mário Luiz Silveira de Oliveira destacou a necessidade de ampliar a capacitação tanto das empresas quanto das pessoas com deficiência, além de trabalhar a empatia e superar barreiras que ainda dificultam a inclusão.
Mariangela Marcon relacionou o debate à necessidade de uma mudança cultural e de maior articulação entre instituições. Para ela, a construção de soluções passa pelo diálogo, pela união de forças e pelo trabalho em rede. A presidente também apresentou a Agenda Propositiva da Zona da Mata, destacando que o documento, construído a partir de um diagnóstico das necessidades regionais, contempla não apenas temas como inovação e tecnologia, mas também questões relacionadas às pessoas e ao desenvolvimento social. “A inclusão de pessoas com deficiência foi incorporada às discussões da nossa agenda”, disse.
Da contratação à permanência
Outro ponto levantado durante o debate foi a necessidade de ampliar o olhar sobre a inclusão para além do momento da contratação. Mariangela Marcon destacou que o modelo de contratação também precisa ser considerado e que as empresas devem se preocupar não apenas com o ingresso dos profissionais com deficiência, mas com sua permanência, desenvolvimento e construção de carreira.
Roseane Estrela reforçou a importância da aproximação com as áreas de Recursos Humanos, enquanto os participantes discutiram a necessidade de preparar tanto as organizações quanto os profissionais para uma relação de trabalho de longo prazo. Como encaminhamento, Luiz Fernando Freesz propôs a construção de um pacto regional envolvendo o Ministério do Trabalho, conselhos e a FIEMG, com a perspectiva de estabelecer um fórum permanente na Zona da Mata sobre inclusão e acessibilidade.
A proposta é fortalecer a articulação entre instituições e transformar o diálogo em ações contínuas, contribuindo para que inclusão e desenvolvimento caminhem juntos na região. Para a FIEMG Regional Zona da Mata, a participação no seminário reforça a importância do diálogo entre setor produtivo, poder público, entidades e sociedade na construção de ambientes de trabalho mais inclusivos e na busca por oportunidades de desenvolvimento profissional para pessoas com deficiência.
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Graciele Vianna
Imprensa FIEMG












