A FIEMG Regional Zona da Mata promoveu, no dia 9 de abril, em Ubá, o Seminário Empresarial “NR-1: Empresas Responsáveis, Ambientes Seguros”, dando continuidade a uma agenda estratégica iniciada em Juiz de Fora e ampliando o alcance da iniciativa por meio do projeto FIEMG Itinerante. O evento foi realizado em parceria com o Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Ubá (Intersind), contando também com o apoio do SESI Saúde e Segurança do Trabalho (SST) Juiz de Fora.
Empresários, gestores, profissionais de Recursos Humanos e especialistas em SST participaram do encontro, que teve como foco central orientar o setor produtivo sobre os cuidados essenciais na implementação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), especialmente diante da ampliação de seu escopo, que passa a exigir das empresas a gestão estruturada dos riscos psicossociais e da saúde mental no ambiente de trabalho. A fiscalização terá início em 26 de maio, sem previsão de prorrogação.
A iniciativa marcou o início de um novo movimento da FIEMG Regional Zona da Mata de interiorizar suas ações, aproximando a entidade das indústrias e fortalecendo o suporte às demandas locais, especialmente em regiões estratégicas como o polo moveleiro de Ubá. Na abertura, a presidente da FIEMG Regional Zona da Mata e do Sindivest JF-GV, Mariângela Marcon, destacou o papel do projeto FIEMG Itinerante como uma ferramenta de conexão direta com o setor produtivo.
Segundo ela, a proposta é levar conhecimento, orientação e qualificação para as empresas, fortalecendo a atuação da entidade junto às indústrias da região. “Estamos iniciando aqui, em Ubá, um movimento importante de aproximação. Queremos estar cada vez mais presentes, ouvindo as demandas e oferecendo soluções. Somos parceiros para todas as horas, e este é o primeiro de muitos encontros”, afirmou.
Representando o Intersind e seu presidente Gilberto Coelho, o assessor jurídico do Sindicato, Klaus Nonato da Silva, reforçou a relevância da parceria com a FIEMG e a importância da capacitação contínua das empresas diante das mudanças regulatórias. “A atualização da NR-1 traz desafios concretos para as empresas. É fundamental compreender o que precisa ser feito e como aplicar essas exigências na prática, considerando a realidade do setor produtivo”, pontuou.
A advogada trabalhista Polliana Martins destacou que o tema tem ganhado cada vez mais espaço nos debates jurídicos e empresariais, refletindo uma transformação profunda nas relações de trabalho. “Hoje, não falamos apenas de riscos físicos, mas também de fatores como pressão excessiva, jornadas desorganizadas, conflitos interpessoais e metas incompatíveis com a realidade. Esses elementos impactam diretamente a saúde mental dos trabalhadores e a sustentabilidade das empresas”, explicou. Segundo ela, a adequação à norma deve ser compreendida como uma estratégia de gestão e não apenas como uma obrigação legal. “A prevenção passa a ser a lógica. Prevenir adoecimentos, conflitos e passivos trabalhistas é também uma forma de fortalecer o negócio”, afirmou.
Conteúdo técnico e aplicabilidade prática
A programação contou com palestras do analista de ergonomia do SESI SST, Marcos Arruda Caetano, que abordou os desafios na identificação e gestão dos riscos psicossociais; e do médico psiquiatra Gustavo Saggioro, pós-graduado em Psiquiatria, Dependência Química e Dependência Digital, que destacou a relação entre saúde mental, produtividade e desempenho organizacional.
Marcos Arruda destacou que um dos principais desafios para as empresas está na correta identificação e avaliação dos riscos psicossociais. Segundo ele, a desinformação ainda é um fator crítico e pode levar à adoção de medidas inadequadas ou insuficientes. “Não basta reconhecer os riscos: é necessário estabelecer critérios objetivos, metodologias consistentes e acompanhamento contínuo. A ausência de um diagnóstico bem estruturado pode comprometer toda a gestão de riscos e expor a empresa a questionamentos futuros. É importante integrar essas ações aos programas já existentes, evitando sobreposição de processos ou inconsistências internas”, disse.
Gustavo Saggioro ressaltou que a saúde mental, além de impacto humano, representa um fator direto de risco econômico e organizacional, destacando que o aumento dos afastamentos por transtornos mentais exige das empresas uma postura preventiva e baseada em dados. Entre os pontos de atenção, enfatizou a necessidade de evitar abordagens superficiais ou meramente formais. “Tratar a saúde mental apenas como cumprimento de exigência normativa pode gerar efeito contrário, aumentando riscos e fragilizando o ambiente interno. É preciso coerência entre discurso, prática e cultura organizacional”, explicou.
Fiscalização e diálogo: o papel do Ministério do Trabalho
Representando o Ministério do Trabalho, o gerente regional Sérgio Nagasawa trouxe a visão do órgão sobre a aplicação da norma, reforçando a importância da interpretação correta das exigências e do alinhamento das práticas empresariais à legislação vigente. Ele enfatizou que o órgão tem papel orientador, mas que a fiscalização será efetiva. Por isso, recomendou que as empresas busquem informação qualificada e mantenham diálogo constante com suas assessorias técnicas. “A construção de soluções passa pelo entendimento correto da norma e pela adoção de práticas compatíveis com a realidade de cada empresa”, pontuou.
Assim como na edição realizada em Juiz de Fora, o evento em Ubá também se destacou pela participação ativa do público, com momentos dedicados a perguntas e debates, permitindo a discussão de situações práticas enfrentadas pelas empresas.
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Graciele Vianna
Imprensa FIEMG








