A FIEMG Regional Zona da Mata realizou, no dia 30 de setembro, em Barbacena, mais uma edição do Seminário Empresarial “NR-1: Empresas Responsáveis, Ambientes Seguros”. O encontro integrou o projeto FIEMG Itinerante e reuniu empresários, gestores e profissionais interessados em compreender as mudanças relacionadas à Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), especialmente no que diz respeito à gestão dos riscos psicossociais e à saúde mental no ambiente de trabalho.
Realizado no auditório do SENAI Barbacena, o seminário foi promovido pela FIEMG Regional Zona da Mata em parceria com o Sindicato Intermunicipal das Indústrias da Construção Civil e do Mobiliário de Barbacena e Região (Sinduscom-Barbacena). A iniciativa faz parte da estratégia da Regional de levar informação, conhecimento técnico e orientação às empresas do interior, aproximando a Federação das diferentes realidades do setor produtivo.
Na abertura, a presidente da FIEMG Regional ZM e do Sindivest JF-GV, Mariangela Marcon, destacou o propósito do FIEMG Itinerante e a importância de levar o debate aos municípios da região. “A NR-1 amplia a visão das empresas sobre prevenção e reforça a importância de olhar para os fatores psicossociais e para a saúde mental como parte da estratégia das organizações. Nossa ideia é trazer informação qualificada para que empresários e gestores estejam preparados, entendam as mudanças e possam construir ambientes de trabalho cada vez mais seguros, saudáveis e produtivos”, declarou.
A presidente do Sinduscom-Barbacena, Carine Moreira, ressaltou a satisfação em receber o evento e a necessidade de ampliar o conhecimento das empresas sobre o tema. “Estou muito feliz em realizar este encontro em Barbacena. Agradeço a disponibilidade da FIEMG Regional em partilhar conosco essas informações, pois este é um assunto que, de fato, precisamos debater”, disse ela, que participou do evento ao lado de sua vice-presidente Ana Maria Canton, e da diretoria de seu sindicato.
Saúde mental ganha espaço na gestão das empresas
O médico Gustavo Saggioro, pós-graduado em Psiquiatria, Dependência Química e Dependência Digital e diretor da Oliver Stone Saúde Mental, conduziu a palestra “A promoção real da saúde mental”. A proposta foi apresentar uma abordagem aplicada do tema, indo além dos conceitos teóricos e aproximando a discussão da realidade vivenciada pelas organizações.
Durante a apresentação, Gustavo destacou que, embora a NR-1 seja uma norma antiga, a atualização do item 1.5 ampliou a atenção sobre os riscos psicossociais. O especialista chamou atenção ainda para o crescimento dos casos de adoecimento mental e dos afastamentos relacionados a transtornos mentais e comportamentais nos últimos anos. A discussão reforçou que a saúde mental precisa ser incorporada à estratégia de prevenção das empresas, com atenção às condições de trabalho e aos fatores que podem contribuir para o adoecimento dos profissionais.
Identificação dos riscos exige planejamento
O engenheiro de Segurança do Trabalho do SESI SST JF, Marcelo Domith, abordou os fatores de riscos psicossociais e os desafios para as empresas. A palestra trouxe orientações relacionadas à identificação, avaliação e prevenção desses fatores, considerando as transformações pelas quais passam as relações de trabalho.
A abordagem reforçou a importância de que as organizações não tratem a atualização da NR-1 apenas como uma exigência burocrática, mas incorporem a prevenção à rotina de gestão e às ações já desenvolvidas na área de Saúde e Segurança do Trabalho.
Adequação pode contribuir para segurança jurídica
Encerrando a programação, o gerente regional do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, Sérgio Nagasawa, apresentou os aspectos práticos da NR-1 no Ministério do Trabalho. O representante do MTE destacou que ainda existe resistência de parte dos empresários diante da norma, mas defendeu que sua implementação seja compreendida como uma oportunidade de prevenção e de maior segurança jurídica para as organizações.
Segundo Nagasawa, o acompanhamento adequado das questões relacionadas à saúde mental pode contribuir para que as empresas construam um histórico das condições de trabalho e estejam mais preparadas diante de eventuais demandas trabalhistas. Ele também ressaltou que a fiscalização foi adiada, mas vai acontecer, e orientou os empresários a começarem desde já a se preparar para as exigências.
O gerente regional destacou ainda que o Ministério do Trabalho possui também uma função de orientação e que a aproximação com o setor produtivo é importante para a construção de soluções. “O Ministério é do trabalho e não somente do trabalhador”, afirmou, reforçando a necessidade de diálogo entre empresas, trabalhadores e instituições.
A presidente Mariangela Marcon reforçou que a atuação conjunta entre FIEMG, empresas e órgãos públicos é fundamental para enfrentar os novos desafios das relações de trabalho. Para ela, a prorrogação do prazo para aplicação de penalidades demonstra que existe uma preocupação também com as causas dos problemas relacionados à saúde mental e às condições de trabalho. “Temos que caminhar juntos, continuar agindo com resiliência, otimismo e esperança. É importante abrir as portas das instituições para orientar, evitar sanções e penalidades, aproximar os órgãos e trabalhar em sintonia”, destacou.
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Graciele Vianna
Imprensa FIEMG











