A participação da presidente da FIEMG Regional Zona da Mata e do Sindivest JF-GV, Mariângela Marcon, na Missão Empresarial à Espanha, organizada pelo Sebrae Minas, abriu novas perspectivas de cooperação internacional para a região. Durante visita técnica à cidade de Paiporta, na região de Valência, uma comitiva de lideranças mineiras conheceu experiências de reconstrução urbana e prevenção de desastres climáticos, além de discutir possibilidades de intercâmbio de conhecimentos e soluções para municípios da Zona da Mata.
Durante o encontro, o prefeito de Paiporta manifestou o interesse em estabelecer uma relação de cooperação com os municípios mineiros, oferecendo a possibilidade de reconhecimento como “cidades irmãs”. A proposta foi acolhida pelo prefeito de Matias Barbosa, Dimitrius Vargas, que integrava a comitiva. Para ampliar a iniciativa a Juiz de Fora e Ubá, Mariângela sugeriu a elaboração de um protocolo de intenções, que permitirá avançar nas tratativas e buscar a concordância dos respectivos chefes do Executivo municipal.
A proposta prevê o compartilhamento de informações sobre projetos de reconstrução e planejamento urbano desenvolvidos em Paiporta, a manutenção de contatos institucionais e a indicação de empresas especializadas em diferentes áreas, com o objetivo de contribuir para soluções relacionadas à infraestrutura, à prevenção de enchentes e à resiliência climática.
Em 29 de outubro de 2024, Paiporta foi atingida por uma das maiores tragédias provocadas por enchentes da história recente da Espanha. O desastre foi consequência de um fenômeno meteorológico conhecido como DANA (Depressão Isolada em Altos Níveis), que provocou chuvas torrenciais na região de Valência. A cidade recebeu um enorme volume de água proveniente das áreas mais elevadas, acompanhado de lama, pedras, árvores e veículos, causando danos à infraestrutura urbana, às residências e aos serviços públicos.
Durante a agenda, Mariângela entrevistou a vice-prefeita de Paiporta, María Ángeles Val Canós, e o secretário responsável pelas obras e pela reconstrução do município, função localmente identificada como engenheiro de obras. As conversas abordaram as estratégias adotadas para recuperar a cidade, os desafios enfrentados pela administração pública e a importância do planejamento urbano para reduzir os impactos de novos eventos climáticos extremos.
Planejamento urbano e participação da população
Um dos principais temas discutidos foi a elaboração de um Plano Diretor para orientar a reconstrução de Paiporta. Segundo a vice-prefeita, a tragédia evidenciou a necessidade de repensar a estrutura urbana, considerando não apenas a recuperação das áreas atingidas, mas também a construção de uma cidade mais segura, sustentável e preparada para o futuro. “Não poderíamos simplesmente reconstruir a cidade exatamente como ela era antes, porque identificamos diversos problemas, como poluição, trânsito, falta de espaços para a população e poucas áreas verdes. Queríamos aproveitar essa oportunidade para transformar a cidade, tornando-a mais acolhedora e também mais segura diante das mudanças climáticas”, explicou.
A vice-prefeita também destacou os desafios de conciliar a urgência da reconstrução com o tempo necessário para um planejamento adequado. Para isso, a administração municipal realizou reuniões informativas e encontros de participação popular, buscando envolver os moradores nas decisões e demonstrar os benefícios das intervenções de médio e longo prazo. “Precisávamos fazer com que a população compreendesse que talvez levássemos alguns meses a mais para começar as obras, mas que isso seria para o bem do município e se traduziria em bem-estar e segurança para todos. É difícil, mas é possível”, afirmou.
Recuperação dos serviços e atenção às famílias
Na conversa com o secretário de obras, Mariângela buscou compreender como Paiporta conciliou o planejamento de longo prazo com as necessidades imediatas da população atingida. O representante explicou que, após a retirada da água e da lama, uma das primeiras medidas foi recuperar os parques infantis, oferecendo às crianças espaços de convivência e lazer em um momento em que escolas, praças e outros equipamentos públicos estavam comprometidos.
A reconstrução também envolveu o restabelecimento de serviços essenciais, como água, energia elétrica e gás, além da limpeza das vias, recuperação de edifícios e reativação gradual de espaços esportivos e de convivência. Entre as soluções emergenciais adotadas estiveram a instalação de quadras esportivas provisórias, a disponibilização de ônibus para transportar moradores até a praia e a implantação de piscinas desmontáveis durante o verão, enquanto equipamentos públicos permaneciam indisponíveis.
Cooperação internacional e novas oportunidades
Para Mariângela Marcon, a experiência de Paiporta oferece referências importantes para municípios da Zona da Mata que enfrentam riscos de enchentes, enxurradas e deslizamentos. Entre os aprendizados estão a necessidade de compreender o comportamento das bacias hidrográficas, monitorar as áreas de cabeceira dos rios, identificar pontos críticos de inundação e desenvolver sistemas de alerta e planos de prevenção.
A proposta de cooperação apresentada pelo prefeito de Paiporta representa uma oportunidade de estabelecer relações mais próximas e permanentes entre os municípios, permitindo que experiências bem-sucedidas sejam compartilhadas e adaptadas às necessidades da região. Nesse contexto, a sugestão de Mariângela de formalizar um protocolo de intenções busca dar continuidade ao diálogo iniciado durante a missão, viabilizando a participação de Juiz de Fora e Ubá, mediante a concordância das administrações municipais, além de consolidar as possibilidades de intercâmbio com Matias Barbosa.
O compromisso de Paiporta inclui a disponibilização de informações sobre os projetos de reconstrução e planejamento urbano em desenvolvimento, além da possibilidade de indicar empresas que atuam em diferentes segmentos relacionados à infraestrutura e à transformação das cidades. “Nós saímos daqui com uma promessa de um protocolo de intenções para ajudar as cidades a se reerguerem, como está sendo feito aqui em Paiporta. Entendo que essa nossa missão é vitoriosa, não só pelo conhecimento que adquirimos, mas também pelas oportunidades que surgirão daqui para a frente”, afirmou Mariângela.
Missão Empresarial à Espanha
Organizada pelo Sebrae Minas, a Missão Empresarial à Espanha reúne lideranças empresariais e institucionais da Zona da Mata em uma agenda de visitas técnicas a Barcelona e Valência. A programação contempla experiências internacionais em cidades inteligentes, inovação, logística, sustentabilidade, planejamento urbano e resiliência climática, incluindo participação no Smart City Expo World Congress e encontros com autoridades e instituições espanholas.
A participação da presidente Mariângela Marcon reforça a atuação da FIEMG Regional Zona da Mata na busca por conexões internacionais e referências que possam contribuir para o desenvolvimento sustentável, a competitividade e a segurança dos municípios da região.
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Graciele Vianna
Imprensa FIEMG