O projeto Conectando Histórias promove encontros entre idosos e jovens para fortalecer vínculos, valorizar histórias de vida e estimular autonomia por meio da inclusão digital, tendo a literatura como disparadora de memórias e afetos. Gratuito e com ações planejadas para acessibilidade, a iniciativa propõe um percurso formativo que culmina na produção de textos autobiográficos e em uma exposição fotográfica que dá protagonismo aos participantes, unindo imagem e relato em espaço de grande circulação.
O Conectando Histórias foi desenvolvido para alcançar 60 idosos em oficinas e encontros geracionais, integrando alfabetização digital e inspiração em clássicos literários. Os participantes vivenciam leitura compartilhada, conversas mediadas e atividades de escrita. Um caminho que, além de ampliar repertórios, favorece pertencimento e conexão social.
Mediação literária: leitura como ponte entre tempos de vida
Entre as etapas do Conectando Histórias, a mediação literária tem papel central ao criar um ambiente seguro de escuta, troca e reconhecimento. São dois encontros literários por turma, conduzidos pelo mediador literário e contador de histórias Maurício Trindade. A mediação é planejada para incentivar o prazer da leitura e, ao mesmo tempo, ativar lembranças e experiências pessoais a partir de textos selecionados, abrindo caminhos para que cada participante encontre palavras para narrar a própria trajetória.
Para Maurício, a força do projeto está justamente na possibilidade de encontro entre gerações, em que experiência e expectativa se complementam em um diálogo respeitoso e acolhedor. “Participar do projeto Conectando Histórias foi uma grata surpresa para mim, enquanto mediador cultural e contador de histórias, pois ampliou a minha percepção de como a experiência de vida e a expectativa futura, a sabedoria dos anos e o desejo por um futuro a ser construído dialogam na busca de sentido e significado”, afirma.
Dinâmicas lúdicas e participação inclusiva
A abordagem da mediação literária no Conectando Histórias parte de um princípio de que narrativa é ação, encadeamento, emoção, e não apenas análise. Isso se traduz em dinâmicas lúdicas que tornam o encontro mais acessível e convidativo, respeitando diferentes ritmos e formas de participação.

“As histórias podem nos levar a muita reflexão, mas a reflexão não é o ponto central de uma narrativa. A narrativa é antes de tudo movimento, encadear de ações e sentidos, é a possibilidade e convite para alcançar junto com aquele que conta uma história o centro da ação de onde são despertadas as emoções que produzem sentidos e posteriormente também as reflexões”, explica Maurício.
Ele destaca que o processo foi desenhado para estimular adesão, acolhimento e legitimidade da fala de cada participante. “Todo o processo foi criado a partir da ideia de movimento e por isso conduzido através de dinâmicas lúdicas, onde a brincadeira se torna interessante e convidativa a participação”.
Do encontro à autoria: textos entregues e novos passos em curso
Um marco importante do Conectando Histórias é que os idosos da primeira turma já concluíram e entregaram seus textos, resultado concreto do percurso que integra leitura, escuta e escrita. Com atividades em andamento, o projeto segue mobilizando participantes para novas vivências de mediação e produção, reforçando o caráter formativo e a valorização das memórias como patrimônio vivo.
Para o mediador “um dos efeitos mais relevantes é a criação de um clima afetivo e solidário, em que contar e ouvir se tornam experiências prazerosas e igualmente importantes”
“As atividades permitiram aos participantes descobrirem o quão prazeroso pode ser contar uma história, contar a própria história, contar e ouvir. O dinamismo do encontro encontrou plena adesão dos participantes, garantindo a todos a legitimidade de sua manifestação e o reconhecimento de sua contribuição, gerando um clima descontraído, afetivo, construtivo e solidário”, acrescenta.
E conclui, ressaltando o potencial das histórias para romper barreiras geracionais. “As histórias rompem com os limites das idades, colocando os mais jovens e os mais velhos no mesmo nível da experiência humana sem o antes e o depois, mas no contínuo da própria vida que compartilhamos”. O projeto é gratuito e realizado pelo SESI, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio do Instituto Marina e Flávio Guimarães.
Imprensa FIEMG