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Início » Desenvolvimento Industrial » Medicamentos ficarão mais caros a partir de abril, mas abaixo da inflação, avalia FIEMG

Notícias
Desenvolvimento Industrial

Medicamentos ficarão mais caros a partir de abril, mas abaixo da inflação, avalia FIEMG

Reajuste fica abaixo dos níveis oficiais, porque há desconto da produtividade das empresas e o peso dos custos que foi fator zero, avalia economista

Por marinarigueira
  • 30/03/2026
  • | 2:00 PM
Agência Brasil

Os medicamentos ficarão mais caros a partir da próxima quarta-feira, 1º de abril, mas de acordo com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, a alta será abaixo da inflação. O reajuste médio oficial do preço dos medicamentos em termos reais fica abaixo dos níveis oficiais do IPCA, devido ao desconto da produtividade das empresas e o peso dos custos, que foi fator zero.

A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) definiu os parâmetros do reajuste anual dos preços de medicamentos. Pela lei, esse reajuste ocorre uma vez por ano e leva em conta a inflação oficial (IPCA), ajustada por fatores técnicos. 

Para este ano, o IPCA acumulado em 12 meses foi de 3,81%, segundo o IBGE. Sobre esse índice, a CMED aplicou um fator de produtividade (Fator X) de 2,683%, enquanto o fator- Y ficou em 0%, o que reduz o reajuste final autorizado. O fator Z — que faz a diferença dos níveis 1, 2 e 3 — variou.

De acordo com Ítalo Spinelli, analista de estudos econômicos da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), o reajuste segue a regra da CMED baseada no IPCA, porém com ajuste por fatores técnicos. “Os fatores técnicos são produtividade, custos e concorrência no segmento da indústria farmacêutica. Então, o IPCA acumulado de 2025 foi de 4,26%, mas com o reajuste da CMED, ele fica abaixo disso, porque a fórmula desconta o fator produtividade”, explica Spinelli.

“O fator produtividade foi da ordem de 2,68%. E o fator custo não exerceu nenhum efeito, ele teve uma mensuração técnica de valor zero. Mesmo com o fator que avalia o nível de concorrência do produto, que é o terceiro, o nível concorrencial, que é medido, esse reajuste médio real foi negativo, ou seja, os os medicamentos sobem menos do que a inflação”, complementa o economista da FIEMG.

Reajuste médio de 2,2%: impactos no bolso do consumidor

Os aumentos máximos variam conforme o nível de concorrência dos produtos. A CMED divide os medicamentos em três níveis de concorrência para equilibrar o mercado. Produtos com muitos genéricos têm mais espaço para reajuste, enquanto medicamentos sem concorrência direta sofrem aumentos menores:

  • Medicamentos com alta concorrência (nível 1) podem ter reajuste de até 4,6%;
  • Concorrência intermediária (nível 2), cerca de 3,25%;
  • Baixa concorrência ou produtos exclusivos (nível 3), até 1,9%.

Esses percentuais são tetos, não aumentos obrigatórios. Cada laboratório decide se aplica ou não o reajuste e em qual percentual, respeitando o preço máximo permitido. Em 2025, por exemplo, embora o teto fosse de 5,06%, poucos medicamentos chegaram a esse limite. Para o setor, a projeção é de um reajuste médio de aproximadamente 2,2%. Às vezes, o índice de aumento não é aplicado na sua integralidade. Este ajuste depende da avaliação de mercado de cada empresa, tendo como base o posicionamento de seus produtos.

O reajuste passa a valer a partir de primeiro de abril, mas não é automático nem uniforme. “Os tetos de aumento refletem o fator que avalia o nível de concorrência intersetorial. Quanto maior a concorrência do segmento do produto da indústria farmacêutica, maior é o teto de ajuste permitido. Então, nos mercados regulados, há uma restrição aos segmentos, emque existe uma forte concentração de mercado em poucas empresas”, salienta o economista da FIEMG.

Impacto no bolso do consumidor 

O economista da FIEMG explica ainda que como o reajuste médio de preço dos medicamentos fica abaixo da inflação, há uma pressão sobre as margens operacionais do setor produtivo. “Sobretudo em relação à imprevisibilidade nos aumentos de custos de produção ao longo do ano. Por outro lado, a previsibilidade do modelo regulatório permite planejamento de preços e de portfólio de produtos. E a resposta da indústria tende a ser a busca pelo ganho de eficiência e foco na expansão da escala do volume de produção”.

“Vale destacar que a incerteza sobre custos ao longo de 2026, especialmente ligados ao câmbio e a insumos importados, aumenta o risco de novas pressões sobre as margens operacionais. Sobre os custos de produção, mesmo após a definição do reajuste anual de preços que vai dar a margem para a formação de receita”.

Indústria se prepara para o aumento 

De acordo com Jomar Costa Rodrigues, Coordenador Técnico do Sindicato das Indústrias de Produtos Farmacêuticos e Químicos para fins industriais no Estado de Minas Gerais (Sindusfarq), a indústria prepara-se com certa antecedência, aguardando a publicação oficial para a adequação de preços de venda para o mercado, que nesse caso, são as distribuidoras, que repassam para drogarias e farmácias, até chegar ao consumidor final.

“O ajuste de preço equilibra os custos das empresas, pois somos dependentes da importação de matérias primas do mercado internacional, principalmente China e Índia, com valores cotados em dólar. Atualmente, pode-se afirmar que nossa dependência da importação dos Insumos Farmacêuticos Ativos – IFA, está na ordem de 85% do mercado internacional”, ressalta Jomar Rodrigues.

Marina Rigueira
Imprensa FIEMG

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