Na manhã desta sexta-feira, 24 de abril, a 8ª edição do Imersão Indústria promoveu o painel “Como reduzir o custo-circuito: propostas para energia mais competitiva e segura”. O encontro reuniu, nesse segundo dia de evento, especialistas do setor elétrico para analisar os fatores que encarecem a energia no Brasil e apontar caminhos para aumentar a eficiência e a competitividade do sistema.
Participaram do debate José Ciro Motta, presidente do Conselho de Consumidores da CEMIG; Stéfano Angioletti, presidente da GRID Energia; Marcus Vinicius, superintendente de Planejamento da Comercialização de Energia da CEMIG; e Maura Galuppo, diretora de Regulação na Power Trade.
Energia limpa, mas cara para o consumidor
Ao abrir o painel, José Ciro Motta, presidente do Conselho de Consumidores da CEMIG, propôs uma reflexão sobre o cenário brasileiro. Segundo ele, o país possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, além de abundância de recursos naturais e um sistema elétrico robusto. No entanto, convive com uma contradição: a energia é relativamente barata na fonte, mas chega cada vez mais cara ao consumidor final.
Motta destacou o chamado “custo-circuito”, impulsionado principalmente pelo crescimento contínuo de encargos e subsídios embutidos na tarifa. “A conta de luz deixou de refletir apenas o custo da energia e passou a incorporar uma série de políticas públicas”, afirmou. Para ele, embora essas políticas tenham relevância, é necessário discutir sua forma de financiamento. “Esses custos devem mesmo estar na conta de energia ou estamos penalizando quem consome?”, questionou.
O especialista também chamou atenção para a complexidade do setor elétrico brasileiro e para distorções regulatórias que impactam diretamente o preço final, reduzindo a competitividade da indústria e a renda do consumidor, além de tornar o país menos atrativo para investimentos.
Agenda propositiva e diálogo com o governo
Na mesma linha, Maura Galuppo, diretora de Regulação na Power Trade, ressaltou o desafio de discutir um tema tão técnico e estratégico para o país. Ela destacou o crescimento médio anual de cerca de 4% no valor do megawatt e reforçou a importância da articulação entre agentes do setor, como CEMIG, FIEMG e empresas privadas. “O objetivo é construir propostas consistentes para levar ao governo e avançar na redução do custo da energia elétrica”, afirmou Maura.
Mercado livre cresce e expõe distorções
Marcus Vinicius, Superintendente de Planejamento da Comercialização de Energia da CEMIG, apresentou dados que evidenciam a transformação do mercado de energia no Brasil. Atualmente, 42,3% da energia consumida no país já vem do mercado livre — em Minas Gerais, esse índice chega a 56,6%. No caso da indústria, cerca de 94% do consumo já está nesse ambiente.
Apesar disso, ele destacou que, embora o custo da energia brasileira em dólar por megawatt-hora não seja alto em comparação internacional, ele se torna elevado quando analisado sob a ótica do poder de compra do brasileiro.
“O problema está na estrutura de custos, especialmente nos encargos e na tributação”, explicou Marcus. Segundo ele, o Brasil possui vantagens competitivas na geração de energia, com usinas eficientes e de grande capacidade, mas perde competitividade devido à carga de custos adicionais.
Entre os principais pontos de atenção estão os componentes da tarifa: geração, custo de rede e encargos. Para o especialista, o avanço passa por ações coletivas e pelo diálogo com reguladores e formuladores de políticas públicas.
Impactos diretos na indústria
Stéfano Angioletti, Angioletti, presidente da GRID Energia, trouxe a perspectiva do mercado e reforçou os impactos diretos do custo da energia sobre a indústria brasileira. Ele destacou que produzir no país é um desafio crescente e que o peso dos encargos pode representar até 13% da conta de energia para o setor industrial. “Essa estrutura torna a atividade industrial cada vez mais inviável”, afirmou.
Angioletti também chamou atenção para o risco de perda de relevância da indústria no Brasil. Atualmente, o setor representa cerca de 11% do PIB, uma queda significativa em relação aos 15% registrados há duas décadas — e distante dos 20% a 25% observados em países desenvolvidos.
Para ele, o país precisa avançar em soluções estruturais e evitar medidas paliativas. “Não adianta fazer ‘puxadinhos’. É preciso encontrar uma equação que resolva o problema de forma definitiva”, defendeu Angioletti.
O executivo também alertou para o impacto do custo energético sobre cadeias produtivas estratégicas, como mineração e agronegócio, além da influência sobre a percepção de risco por parte de investidores internacionais.
Caminhos para um sistema mais eficiente
Ao longo do painel, os especialistas convergiram na necessidade de enfrentar questões estruturais do setor elétrico, especialmente no campo regulatório e na forma de financiamento das políticas públicas.
O debate reforçou a importância de construir um ambiente mais competitivo, previsível e justo, capaz de equilibrar sustentabilidade, segurança energética e desenvolvimento econômico.A discussão integrou a programação do Imersão Indústria, iniciativa que promove o diálogo entre especialistas, empresas e instituições para impulsionar a inovação e a competitividade da indústria mineira e brasileira.
O Imersão Indústria é uma realização do Sistema FIEMG e correalização da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O patrocínio master é da Vale, com apoio master do Sebrae Minas. Usiminas e Sicoob são os patrocinadores ouro. AngloGold Ashanti, ArcelorMittal, Herculano Mineração, Bemisa e CBMM são os patrocinadores prata. A parceria é da J. Mendes e da Construtora Barbosa Mello, e a parceria institucional conta com Allya, AmpliFicar 1a1 + Cluube. O apoio é da 98 News, Três Corações, F5 Office e Centro Universitário UNA.
Marina Rigueira
Imprensa FIEMG