A Câmara Automotiva e de Mobilidade da FIEMG realizou mais uma Reunião Ordinária sob a liderança do presidente da Câmara, Márcio de Lima Leite, nesta quarta-feira, 22 de abril, reunindo representantes do setor para discutir os principais movimentos da indústria automotiva global e seus impactos no Brasil.
Entre os temas centrais, destacam-se o avanço acelerado das montadoras chinesas no mercado internacional, mudanças nos acordos comerciais e o crescimento da eletrificação da frota.
Avanço chinês e pressão competitiva global
Um dos pontos de maior atenção foi a rápida expansão dos veículos chineses no mercado argentino. Em abril, 11,9% dos emplacamentos no país já correspondem a veículos de origem chinesa — um salto expressivo frente a menos de 1% registrado no ano anterior, representando crescimento superior a 1.000% no período.
O movimento reforça a estratégia global das montadoras chinesas, que têm ampliado sua presença não apenas na América Latina, mas também em mercados mais consolidados, como a União Europeia, onde empresas já iniciam operações de produção local.
O tema ganha ainda mais relevância diante da realização do Salão do Automóvel na China nesta semana, que evidencia o ritmo acelerado de inovação e expansão do país.
Segundo os participantes, esse cenário tem levado montadoras tradicionais como Stellantis, Volkswagen e General Motors a buscarem alternativas estratégicas na China, seja por meio de parcerias, produção local ou importação de veículos — movimento que pode gerar impactos significativos para a indústria nacional e o setor de autopeças.
Nesse contexto, foi levantada a discussão sobre a eficácia da tarifa de importação de 35% como instrumento de proteção da indústria brasileira.
Cadeias produtivas, Mercosul e acordos comerciais
Outro eixo relevante do debate foi a integração das cadeias produtivas no âmbito do Mercosul e os desafios regulatórios do bloco.
Márcio de Lima Leite destacou a importância de considerar a indústria automotiva de forma integrada entre os países, especialmente diante de medidas como:
- Redução progressiva de tarifas para insumos automotivos
- Mecanismos de recuperação de tributos
- Período de transição de até dois anos para adaptação
- Possibilidade de utilização do certificado de origem por até cinco anos dentro do bloco
Também foi ressaltada a necessidade de modernização do sistema, incluindo a implementação de certificação de origem virtual, alinhada a um Mercosul mais digital e eficiente.
Além disso, foram discutidos os impactos de acordos comerciais regionais, com destaque para as negociações envolvendo México e países do Mercosul. No caso da Argentina, foi lembrado o protocolo específico vigente até 18 de março de 2026, que prevê condições próprias para o comércio automotivo.
Apesar da previsão de redução tarifária até zero para importação de veículos que atendam às regras de origem, o acordo entre Argentina e México foi avaliado como de difícil operacionalização na prática.
Cenário do mercado e eletrificação
Durante a reunião, foram apresentados também dados recentes divulgados pela Anfavea, que apontam sinais mistos no mercado.
De acordo com a entidade, há indicadores positivos de recuperação, especialmente em segmentos que estavam com demanda reprimida, mas também fatores de preocupação no cenário econômico.
Entre os destaques, está o crescimento da participação de veículos eletrificados, que passaram de 10% no ano passado para 15,5% do mercado atual, consolidando uma tendência de transformação estrutural no setor.
Por outro lado, a Argentina — importante parceiro comercial — enfrenta um cenário de retração econômica, o que tem impactado sua participação nas exportações brasileiras.
Outro ponto de atenção levantado pela Anfavea é a volatilidade do preço do petróleo, que pode influenciar diretamente custos, demanda e decisões estratégicas da indústria.
Impactos para a indústria brasileira
O conjunto dos temas discutidos reforça um momento de transição profunda na indústria automotiva global, marcado por:
- Aumento da concorrência internacional, especialmente da China
- Reconfiguração das cadeias produtivas
- Avanço tecnológico e eletrificação
- Revisão de políticas comerciais e industriais
Para a FIEMG e os representantes do setor, o cenário exige atenção estratégica, articulação institucional e políticas que garantam competitividade para a indústria brasileira diante das transformações em curso.
Marina Rigueira
Imprensa FIEMG