A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) manifesta preocupação com a decisão do Governo Federal de reajustar o Bolsa Família às vésperas das eleições, medida que amplia despesas públicas e ocorre em pleno período eleitoral.
Segundo informações divulgadas pelo Ministério do Planejamento e Orçamento, o reajuste terá impacto adicional estimado em R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22,7 bilhões em 2027, totalizando R$ 28,5 bilhões em dois anos.
Para o economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio, políticas de transferência de renda cumprem papel relevante na proteção das famílias mais vulneráveis, mas precisam estar associadas à responsabilidade na condução das contas públicas.
“Política social e responsabilidade fiscal precisam caminhar juntas. Quando o governo amplia despesas permanentes sem demonstrar com clareza como elas serão sustentadas ao longo do tempo, o risco é que a conta apareça depois na forma de maior endividamento, juros elevados, crédito mais caro e menor capacidade de investimento. No fim, esses efeitos atingem justamente as famílias e as empresas”, afirma Pio.
A FIEMG reconhece a importância das políticas de transferência de renda como instrumento de proteção às famílias em situação de vulnerabilidade. O que causa preocupação, entretanto, é a ampliação de despesas públicas neste momento, às vésperas do pleito eleitoral.
Na avaliação da Federação, decisões dessa magnitude precisam estar acompanhadas de absoluta transparência sobre suas fontes de financiamento, seus impactos fiscais e sua sustentabilidade nos próximos anos. O momento escolhido para o anúncio também levanta questionamentos sobre a relação entre a medida e o calendário eleitoral.
“Decisões fiscais tomadas com foco no curto prazo podem produzir consequências que permanecem muito além das eleições. Menos espaço fiscal significa maior pressão sobre a dívida e os juros e, consequentemente, menos investimento produtivo e menor geração de empregos. É preciso avaliar não apenas o efeito imediato de uma medida, mas também como ela será financiada no futuro”, acrescenta João Gabriel Pio.
Em períodos eleitorais, a responsabilidade com os recursos públicos deve ser ainda maior. É justamente nesses momentos que se deve afastar qualquer lógica segundo a qual “podemos fazer o diabo quando é hora de eleição”. Decisões que envolvem recursos públicos, ainda mais dessa monta, precisam obedecer aos mesmos princípios de responsabilidade, planejamento, transparência e sustentabilidade exigidos em qualquer outro período.
Na prática, essa medida pode representar crédito mais caro para famílias e empresas, menos investimento produtivo, menor geração de empregos e menor crescimento da economia. Decisões fiscais de curto prazo podem, portanto, produzir consequências que permanecem muito além do calendário eleitoral e acabam recaindo sobre toda a sociedade, especialmente sobre a população de menor renda.
A FIEMG defende políticas sociais responsáveis, capazes de proteger quem mais precisa sem comprometer o equilíbrio das contas públicas e as condições necessárias para o crescimento econômico. “Política social não pode se transformar em instrumento eleitoral. Sem responsabilidade fiscal, a conta reaparece na dívida, nos juros, no crédito, no investimento e no emprego — e acaba sendo paga pela própria sociedade brasileira”, completou o economista.
Imprensa FIEMG