O Brasil chega ao Oscar 2026 com cinco indicações, em um momento de visibilidade para o cinema nacional e para trajetórias que nascem fora dos grandes centros tradicionais, como o filme O Agente Secreto, do pernambucano Kleber Mendonça Filho, que concorre em quatro categorias ao prêmio: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator, com Wagner Moura, e Melhor Elenco. As indicações colocam a produção no centro da disputa e ampliam a presença do Brasil nas categorias mais disputadas da premiação.
Na área técnica, o brasileiro Adolpho Veloso concorre ao Oscar de Melhor Fotografia pelo filme Sonhos de Trem. O reconhecimento chama atenção para o trabalho visual no cinema e abre diálogo direto com áreas como a Direção de Arte, responsáveis por construir a identidade estética das obras — campo que também ganha destaque em produções nacionais recentes.
Nesse cenário de produções independentes, Minas Gerais aparece também como território fértil para criação, formação e circulação de talentos, a exemplo do longa Marte Um, produzido em Contagem — que ganhou vários festivais de cinema — e do curta Cabeça de Boi, feito em Uberaba e selecionado para o Festival de Cinema de Gramado, em 2025.
É nesse contexto que se insere a trajetória de Maycol Silveira, produtor cultural do Centro Cultural SESIMINAS Uberaba e indicado ao Prêmio Kikito de Direção de Arte pelo curta Cabeça de Boi. Ao lembrar o início da carreira, ele destaca a importância do acesso à formação cultural. “Uma curiosidade que eu sempre falo é que o meu primeiro curso de audiovisual foi aqui no SESIMINAS, onde eu trabalho hoje. Foi em 2009, num curso livre de três meses. Eu estava saindo do colegial, meio em dúvida do que queria fazer… e me encantei pelo audiovisual. Foi a partir daí que tudo começou”, afirmou.
A circulação de profissionais brasileiros em festivais nacionais e internacionais dialoga com o trabalho da Escola SENAI do Audiovisual, que prepara sua programação para 2026 com cursos conduzidos por nomes conhecidos do cinema brasileiro, como Bárbara Colen e Ricardo Mehedff, aproximando formação, prática artística e mercado. O próximo curso está previsto para março e o calendário completo será divulgado em breve.
De acordo com a coordenadora do Centro Cultural, Bárbara Laredo, a programação na Escola SENAI do Audiovisual está conectada com a prática contemporânea da indústria cinematográfica, que traz conteúdos diversificados, como montagem, som, figurino, câmera, direção e desenvolvimento de projetos. “Nossos cursos oferecem uma experiência formativa sólida, atualizada e diretamente alinhada às demandas do mercado. Mais do que capacitar tecnicamente, buscamos formar criadores capazes de pensar o audiovisual de forma crítica, sensível e inovadora”, afirma.
A indicação de Wagner Moura a Melhor Ator também ajuda a ampliar o olhar sobre o início das trajetórias artísticas. Na Escola de Teatro do Centro Cultural SESIMINAS, os cursos de infantil e adulto funcionam como portas de entrada para a vivência cênica, permitindo que crianças, jovens e adultos tenham contato com a arte dramática — muitas vezes o primeiro passo de uma carreira no audiovisual — a exemplo do Maycol Silveira.
O conjunto dessas histórias traz a reflexão de como o audiovisual brasileiro se constrói a partir da base, com formação acessível, experiências locais e conexões que hoje alcançam as principais premiações do cinema mundial.
Ana Paula Motta
Imprensa FIEMG