O Centro de Inovação e Tecnologia SENAI (CIT SENAI FIEMG) concluiu o desenvolvimento de uma planta piloto para captura de dióxido de carbono (CO₂), resultado de um projeto realizado no âmbito do programa ROTA 2030, com investimento total de R$6,48 milhões. A iniciativa foi desenvolvida em parceria com Stellantis, FPT, Mahle, Instituto SENAI de Inovação em Engenharia Elétrica (ISI EE), Instituto SENAI de Inovação em Química Verde (ISI QV) e ESCALAB.
A iniciativa teve como objetivo criar uma solução capaz de capturar o CO₂ gerado durante testes realizados em salas de prova de motores e avaliar formas de reaproveitamento desse gás em aplicações industriais. O trabalho busca contribuir para o desenvolvimento de alternativas mais sustentáveis para a indústria automotiva, alinhadas à transição para uma economia de baixo carbono.
Como entrega do projeto, o CIT SENAI instalou uma planta piloto na área externa do Instituto SENAI de Tecnologia Automotiva (ISTAUTO), em Belo Horizonte, que permite realizar testes e avaliações da tecnologia desenvolvida. A estrutura foi construída em uma unidade modular e reúne os equipamentos necessários para o funcionamento do sistema.
Entre os resultados alcançados pelo projeto está o desenvolvimento de um sistema capaz de tratar os gases gerados durante os testes de motores e realizar a captura do CO₂ com alta eficiência. A tecnologia permitiu obter o gás capturado com pureza de até 90%, reduzir a presença de poluentes e controlar o fluxo dos gases sem interferir nos testes realizados nas salas de prova de motores.
Para o analista de tecnologia do CIT SENAI FIEMG, Rafael Silva, a iniciativa fortalece a atuação do Centro no desenvolvimento de soluções voltadas à descarbonização industrial. O projeto foi um dos primeiros aprovados pelo Centro de Descarbonização do CIT SENAI FIEMG, inaugurado em 2024.“A iniciativa coloca a instituição em destaque no desenvolvimento de soluções de captura e descarbonização para o sistema industrial, além de fortalecer a parceria entre empresas e instituições para avançarmos em novas etapas tecnológicas”, afirmou Silva.
A especialista em tecnologia e estratégia do laboratório da Stellantis, Mariana Gomes, destacou a importância da iniciativa para apoiar os processos de transformação da indústria automotiva.“A captura de CO₂ é extremamente importante dentro do processo de transformação das empresas. Projetos como esse podem, futuramente, levar essa tecnologia para dentro das indústrias, contribuindo para os desafios ambientais que temos pela frente”, destacou Gomes.
O gerente de Engenharia do Produto da FPT Industrial, Marcello Calente, ressaltou a importância do desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas à redução de emissões e ao avanço da indústria automotiva em direção a novos modelos de produção.
“Projetos como esse são fundamentais para que a indústria desenvolva alternativas capazes de reduzir impactos ambientais e acompanhar as transformações que estão acontecendo no setor automotivo. A parceria entre empresas e instituições de pesquisa permite criar soluções que podem contribuir para os desafios futuros da mobilidade”, enfatizou Calente.
O coordenador do Laboratório de Motores da Mahle, Davi Silva, ressaltou o potencial da tecnologia para gerar novas oportunidades para a indústria, especialmente na gestão das emissões.“Um dos pontos de avanço desse projeto é a possibilidade de as empresas desenvolverem soluções próprias para compensação das emissões, reduzindo a dependência de alternativas disponíveis no mercado e criando novas oportunidades a partir da gestão do carbono”, afirmou Silva.
A apresentação dos resultados ocorreu durante a reunião presencial de encerramento do projeto, realizada em 11 de setembro, na sede do CIT SENAI, em Belo Horizonte. A agenda reuniu representantes da indústria e das instituições parceiras para conhecer a solução desenvolvida e acompanhar a planta piloto de captura de CO₂ instalada na unidade.
O projeto foi desenvolvido ao longo de dois anos e meio e representa um avanço na busca por soluções tecnológicas voltadas à redução de impactos ambientais no setor automotivo, fortalecendo a integração entre indústria, pesquisa e inovação.
Imprensa FIEMG