Na última quinta-feira, as embaixadas dos Estados Unidos e da França visitaram o Centro de Inovação e Tecnologia para Ímãs de Terras Raras (CIT SENAI ITR), localizado em Lagoa Santa, Região Metropolitana de Belo Horizonte. Governos norte-americanos e europeus estão em busca de parcerias no Brasil para diminuir a liderança da China no setor.
Alexandre Mello, Presidente do Conselho de Relações Internacionais da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), José Luciano, Gerente de Pesquisa e Desenvolvimento do ITR, e André Pimenta, Coordenador do CIT Senai ITR, receberam as delegações norte-americana e francesa, que vieram com o objetivo de conhecer as operações do ITR, entender um pouco mais sobre a potencialidade das instalações e capacidade do laboratório, para possíveis futuras negociações.
De acordo com Alexandre Mello, as duas delegações vieram com grande interesse, primeiramente, de conhecer o espaço do laboratório de terras raras e também com foco em algum tipo de parceria futura entre os países. “Em especial, os Estados Unidos, que têm uma grande procura com o atual governo em relação aos minerais críticos e estratégicos e, obviamente contemplando terras raras. É uma grande oportunidade de transferência de tecnologia. Eles entendem nosso laboratório como um estratégico parceiro na América Latina”, salienta Mello.
Em um primeiro momento, as embaixadas participaram de uma apresentação sobre os processos produtivos e desenvolvimento tecnológico do primeiro laboratório industrial de terras raras do Hemisfério Sul, instalado em Minas desde 2024, que tem capacidade para produzir 100 toneladas de minerais críticos por ano.
Durante a apresentação, Eduardo Felipe Neves, pesquisador do CIT SENAI ITR, reforçou que o laboratório em Lagoa Santa é a ponte para que tenhamos a produção de terras raras aqui no Brasil, “Estamos saindo da indústria mineral, da exploração na mina, para chegar até a produção dos ímãs. São processos muito consolidados, desde os anos 80, mas que ainda não tínhamos em solo nacional. Lembrando que hoje, 90% do beneficiamento das terras áreas é feito na China. Aqui funciona como um centro de P&D: trabalhamos focados em projetos específicos para cada parceiro da indústria. A transição energética é um tema central e alcançarmos uma matriz verde só será possível usando esse tipo de material que são os imãs permanentes a base neodímio”, explica Neves.

Na sequência, as embaixadas fizeram uma visita às instalações do ITR. A delegação dos Estados Unidos foi composta por Gabriel Escobar, Encarregado de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Matthew Lowe, Conselheiro Econômico do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Chenoa Lee, Diplomata Econômica do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Matthew Bernabeo, Servidor Público do Departamento de Energia dos Estados Unidos, Mike Bopp, Assessor Sênior para Minerais Críticos do Departamento de Energia dos Estados Unidos, Elena Berger, Diretora Adjunta para Américas do Departamento de Energia dos Estados Unidos, Craig Hart, Diretor do Programa de Desenvolvimento do Direito Comercial, Bárbara Uehara, Diretora da Câmara de Comércio dos Estados Unidos e Túlio Teixeira, Assessor para Comércio Exterior do Departamento de Comércio/Serviço.
Na mesma semana, o encarregado de negócios dos EUA, Gabriel Escobar, assinou um acordo de minerais críticos com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. O estado abriga a única mineradora – Serra Verde – em operação de terras raras no Brasil, além de outros projetos do mineral, e é visto como essencial na política minerária do país. Em fevereiro deste ano, os Estados Unidos concederam um empréstimo de US$ 565 milhões à mineradora brasileira de terras raras.

Segundo André Pimenta, Coordenador do CIT Senai ITR, as tecnologias usadas para produção de ímãs de terras raras só existe na China e por lá são mais restritos em mostrar. “Não é muito comum abrir para visitar tecnologias como essa e aqui não temos nenhuma limitação em mostrar, pelo contrário, somos bastante abertos a receber para que delegações internacionais visitem o laboratório. O Brasil ele tá se tornando referencial em terras raras, principalmente em alternativa ao domínio chinês deste mercado. Então, principalmente países europeus e os Estados Unidos veem o Brasil como player alternativo. A FIEMG está aberta para fazer a conexão do desenvolvimento tecnológico e da transferência de tecnologias, bem como a construção de parcerias com as indústrias. As delegações vieram com muito interesse em ver a cadeia do início do final e conseguimos atuar aqui em Minas, desde a mineração até a produção do ímã, ou seja, a gente caminha na cadeia de valor do ímã permanente como um todo”, ressalta Pimenta.
A delegação da França foi composta por Emmanuel Lenain, Embaixador da Embaixada da França no Brasil, Eric Tallon, Cônsul-Geral da França no Rio de Janeiro, Philippe Gassmann, Conselheiro Econômico da Embaixada da França no Brasil, Alexandre Laurent, Adido Econômico da Embaixada da França no Brasil e Patrick Lanusse, Agregado Científico do Consulado da França em Belo Horizonte.
LabFabITR: infraestrutura de ponta a serviço da indústria
O CIT SENAI ITR, originado do LabFabITR, consolida-se como uma infraestrutura de ponta dedicada ao desenvolvimento da cadeia de ímãs de terras raras no hemisfério sul, integrando competências em química, metalurgia, processamento mineral e ligas especiais para atender demandas industriais e de inovação. Nesse contexto, o ITR também se posiciona como o locus do projeto MAGBRAS, já formalmente estabelecido, que reúne empresas e instituições de ciência e tecnologia em uma iniciativa estruturante voltada à verticalização da cadeia produtiva no Brasil. Complementarmente, a atuação do ITR é fortalecida por alianças estratégicas com parceiros nacionais e internacionais, viabilizando o desenvolvimento conjunto de tecnologias, testes industriais e soluções voltadas à soberania tecnológica e ao aumento do valor agregado dos recursos minerais brasileiros.
Alianças estratégicas e projeção internacional
Nos últimos 18 meses, o CIT SENAI ITR firmou Memorandos de Entendimento (MoUs) com importantes empresas nacionais e internacionais, como Meteroric, Viridis, Viridion, Aclara, BBX, ST George e AXEL REE. Os acordos visam o desenvolvimento conjunto de tecnologias, testes industriais e práticas sustentáveis de exploração.
A instituição também está próxima de formalizar o projeto estruturante MagBras, que reunirá 28 empresas e seis Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs), além do próprio CIT SENAI ITR. A iniciativa cria uma rede robusta de pesquisa e desenvolvimento com foco em soberania tecnológica, inovação industrial e sustentabilidade.
Com a inauguração do CIT SENAI ITR, Minas Gerais reafirma seu protagonismo no avanço científico e industrial do país e dá um passo decisivo para transformar seu potencial mineral em tecnologia, inovação e desenvolvimento de alto valor agregado.
Confira as fotos da visita das embaixadas ao CIT SENAI ITR
Marina Rigueira
Imprensa FIEMG