Em meio aos desafios impostos pelo tarifaço dos Estados Unidos às exportações brasileiras, a entrada em vigor do Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e Noruega, em 1º de novembro de 2026, representa uma oportunidade de diversificação de mercados para a indústria nacional. Levantamento da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) aponta condições mais favoráveis de acesso ao mercado norueguês, com eliminação imediata de tarifas para produtos industriais não agrícolas abrangidos pelo acordo. O movimento ocorre em um cenário de expansão das exportações brasileiras para a Noruega, que cresceram 7,4% em 2025, alcançando US$ 1,54 bilhão.
De acordo com a análise da Entidade, o comércio entre Brasil e Noruega (soma das exportações e importações) totalizou US$ 2,34 bilhões em 2025, com superávit brasileiro de US$ 729,27 milhões. A pauta exportadora foi liderada por óxidos e hidróxidos de alumínio, responsáveis por 65,5% das vendas, seguidos por torneiras, válvulas e dispositivos semelhantes (10,2%), café (6,8%), derivados de petróleo (5,9%) e soja (2,9%). O acordo cria condições para ampliar a competitividade de produtos brasileiros e explorar oportunidades em segmentos como máquinas, equipamentos elétricos, instrumentos e produtos minerais.
Para Verônica Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do Centro Internacional de Negócios da FIEMG, o novo cenário comercial reforça a importância da diversificação dos destinos das exportações brasileiras. “Em um momento de maior incerteza no comércio internacional, ampliar o acesso a novos mercados é fundamental para reduzir riscos e fortalecer a competitividade da indústria brasileira. O acordo com a Noruega abre oportunidades para diferentes setores, mas cada caso precisa ser avaliado e nós preparamos as empresas para que aproveitem essas condições, por exemplo, pelo Certificado de Origem, que garante o benefício tarifário para os nossos produtos”, afirma.
Oportunidades exigem atenção às regras comerciais – Apesar das perspectivas favoráveis, a FIEMG ressalta que a redução de tarifas não garante, por si só, o crescimento das exportações. O aproveitamento dos benefícios depende da classificação tarifária dos produtos, do cumprimento das regras de origem e do atendimento às exigências técnicas, sanitárias e de sustentabilidade do mercado norueguês. Custos logísticos, preços e condições comerciais também permanecem como fatores determinantes para a competitividade.
“A abertura comercial é um avanço importante, mas os benefícios não são automáticos. As empresas precisam estruturar suas operações para transformar o acesso preferencial em oportunidades concretas de negócios”, destaca Verônica.
Minas Gerais amplia presença no mercado norueguês – O levantamento da FIEMG também destaca o avanço de Minas Gerais nas relações comerciais com a Noruega. Em 2025, as exportações mineiras cresceram 87,2%, alcançando US$ 111,36 milhões, o que colocou o estado na terceira posição entre os maiores exportadores brasileiros para aquele mercado. O café liderou as vendas, com participação de 81,6%, seguido por carbonetos (10,7%) e tubos sem costura de ferro ou aço (7,2%). Os três grupos concentraram 99,5% das exportações estaduais, reforçando a importância de diversificar a pauta comercial.
As importações mineiras provenientes da Noruega somaram US$ 105,54 milhões, alta de 49,1% em relação a 2024, com destaque para fertilizantes e insumos industriais. Minas Gerais também ocupou a terceira posição nacional entre os estados importadores, registrando superávit comercial de US$ 5,82 milhões.
Imprensa FIEMG