O Conselho de Relações Internacionais da FIEMG realizou, nesta quinta-feira (9/7), uma reunião ordinária para debater os impactos das possíveis tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e os desdobramentos para a competitividade da indústria nacional. O encontro reuniu lideranças industriais e representantes da FIEMG, entre eles o presidente do Conselho de Relações Internacionais da FIEMG, Alexandre Mello; a analista de Políticas e Indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Gabriella Pereira Cardoso dos Santos; a presidente da Invest Minas, Milena Pedrosa; o presidente do CIEMG, Fausto Varela; e o presidente da SIAMIG, Mário Campos.
Na abertura, Alexandre Mello destacou que o cenário exige atenção permanente das entidades industriais, especialmente diante das novas medidas comerciais norte-americanas e de seus possíveis impactos sobre setores produtivos estratégicos. O presidente do Conselho reforçou que a atuação conjunta entre CNI, federações, governo brasileiro e setor produtivo será essencial para apresentar os efeitos concretos das tarifas e defender a competitividade da indústria. “A indústria tem o papel de mostrar, com clareza, quais são os impactos dessas medidas e quais caminhos podem fortalecer a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. É um momento que exige mobilização, diálogo e posicionamento técnico do setor produtivo”, afirmou Mello.
Durante a reunião, Gabriella Santos apresentou um panorama sobre a retomada da política America First pelos Estados Unidos e explicou os diferentes instrumentos utilizados pelo governo norte-americano na aplicação de tarifas e sobretaxas. Segundo a analista da CNI, a diferenciação entre mecanismos como as seções 122 e 301 é fundamental para compreender os riscos impostos às exportações brasileiras. “A Seção 122 tem caráter global e incide sobre produtos que concorrem com a produção norte-americana, enquanto a Seção 301 trata de práticas comerciais atribuídas a países específicos. Essa diferença é relevante porque pode colocar o Brasil em desvantagem direta em relação a outros concorrentes internacionais”, explicou Santos.
Na sequência, Fausto Varela contribuiu com uma análise sobre os efeitos práticos das medidas para setores industriais com forte presença no mercado externo. O empresário chamou atenção para a diferença entre tarifas aplicadas de forma ampla e medidas direcionadas especificamente ao Brasil, cenário que pode comprometer a competitividade dos produtos nacionais. “Quando todos os fornecedores são tarifados da mesma forma, a concorrência se mantém em bases semelhantes. Mas, quando a medida recai especificamente sobre o Brasil, o produto brasileiro perde competitividade de maneira direta em relação a outros players internacionais”, destacou Varela.
Ao longo do encontro, os participantes também trataram de temas relacionados à agenda internacional da indústria, como as negociações para um possível acordo entre Mercosul e Japão e as oportunidades de atração de investimentos para Minas Gerais. A discussão reforçou a importância de acompanhar os movimentos do comércio global e de ampliar a presença da indústria mineira em mercados estratégicos.
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Fernanda Borges
Imprensa FIEMG