O Conselho de Educação e Treinamento da FIEMG realizou, nesta semana, mais uma reunião estratégica voltada à discussão de temas que impactam diretamente a formação de profissionais e a competitividade da indústria mineira. O encontro foi presidido por José Batista de Oliveira, que conduziu os debates e destacou a relevância de pautas atuais para o setor.
Na abertura, o presidente do Conselho trouxe à pauta a proposta de redução da jornada de trabalho, ressaltando a necessidade de aprofundamento do tema. Segundo ele, trata-se de uma discussão complexa e sensível, que exige cautela.
“É um tema espinhoso, que merece ser debatido com responsabilidade. Não pode ser tratado de forma apressada ou com viés eleitoreiro. Precisamos de um debate técnico, amplo e feito em momento adequado, fora de pressões de calendário eleitoral”, afirmou.
Inteligência artificial e os desafios para educação e indústria
A reunião teve como destaque central o impacto da inteligência artificial na educação e no mundo do trabalho, além do papel estratégico da formação profissional nesse novo contexto.
A especialista técnica da Microsoft, Daiane Galvão, trouxe uma visão da indústria sobre o letramento em inteligência artificial durante o processo de adoção da tecnologia. Ela destacou a importância de desmistificar a IA e compreender seus limites. “A inteligência artificial identifica padrões estatísticos a partir de dados. Ela não compreende contexto ou intenção como os humanos. Por isso, o questionamento é parte essencial do uso responsável”, explicou.
Daiane também chamou atenção para um desalinhamento crescente entre educação e indústria, que avançam em ritmos diferentes diante das transformações tecnológicas. Segundo ela, esse cenário gera desafios importantes, como ritmos distintos de adaptação institucional, expectativas divergentes sobre competências profissionais e risco de desalinhamento na transição dos jovens para o mercado de trabalho.
Futuro do trabalho exige novas competências
Durante a apresentação, foi reforçado que a inteligência artificial não substitui o ser humano, mas amplia sua capacidade. Nesse contexto, ganham protagonismo habilidades como: pensamento crítico, avaliação e validação de informações, comunicação e julgamento e alfabetização em inteligência artificial.
Outro ponto de destaque foi o cenário real de uso da IA entre jovens. Embora o acesso à tecnologia seja cada vez mais amplo, isso não significa, necessariamente, maturidade no uso. Foi apontada uma diferença significativa entre o uso superficial e o uso estratégico da ferramenta, o que impacta diretamente na produtividade. Além disso, o chamado “gap de acesso” vai além da tecnologia, envolvendo também preparo e capacidade de uso qualificado.

Governança e uso responsável da IA
A discussão também abordou o conceito de “IA responsável”, reforçando que o impacto da tecnologia depende diretamente de como ela é implementada e governada. Nesse sentido, foi destacado que a IA amplia a capacidade humana, mas exige preparo, além disso, a educação precisa acompanhar a velocidade das transformações e a governança é determinante para garantir impactos positivos.
Mulheres na tecnologia e impacto social
A participação feminina no setor de tecnologia também esteve em pauta. Camila de Macena Ribeiro, Cloud Solution Architect – Data & AI na Microsoft, abordou a importância da inclusão de mulheres na área e os impactos sociais dessa ampliação de diversidade. Ela também apresentou perspectivas sobre o uso da inteligência artificial aplicada à educação, destacando seu potencial para transformar o acesso ao conhecimento e personalizar processos de aprendizagem.
Aplicações práticas e inovação
Encerrando as apresentações, Andrea Longarini, doutoranda em Sistemas de Informação com foco em inteligência artificial pela USP e arquiteta de soluções em Cloud & AI na Microsoft, apresentou aplicações práticas da tecnologia, incluindo o desenvolvimento de soluções com backend em webapp.
Marina Rigueira
Imprensa FIEMG