A eletrônica embarcada nos automóveis requer capacitação constante, seja dos proprietários de concessionárias e oficinas de reparação de veículos, dos funcionários desses estabelecimentos e dos próprios motoristas. As novas tecnologias nos veículos obrigam todos a estarem atentos às novidades tecnológicas, bem como manter a revisão veicular em dia.
O ideal é que nada seja feito às pressas, mas sempre há quem deixe para a última hora. No feriado de Carnaval, é comum que muitos coloquem o pé na estrada, mas nem todos estão preparados para os riscos que essa viagem pode envolver.
De acordo com Alexandre Mol, presidente do Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos do Estado de Minas Gerais (SINDIREPA-MG), é preciso mudar a cultura do motorista brasileiro. “Já que vai colocar o carro na estrada, é importante manter a revisão preventiva. Ela sai mais barata do que a corretiva, que tende a identificar vários problemas e ficar bem mais cara. Manter o carro sempre revisado não é despesa, é investimento em segurança e patrimônio”, ressalta Mol.
Lifelong learning: aprendizado constante, ao longo da vida
Para garantir a qualidade na manutenção e revisão dos veículos, concessionárias e oficinas de bairro precisam se especializar e atualizar cada vez mais. “Empresas de reparação devem revisar os veículos de acordo com o manual do fabricante, atendendo a especificação técnica e aos parâmetros para garantir o uso com segurança e o nível permitido de emissões de poluentes. Portanto, profissionais que atuam nesse setor precisam estar sempre atualizados, participando de cursos, palestras técnicas e treinamentos para se manter no mercado. Os SENAIS de todo o Brasil oferecem essas capacitações”, destaca Mol.
De acordo com Marcus Vinicius da Silva Gomes, instrutor de formação do SENAI Automotivo, são três modalidades de cursos oferecidos no SENAI Minas: curso de aprendizagem de manutenção automotiva, curso técnico e curso de qualificação e aperfeiçoamento.
“O curso de aprendizagem de manutenção automotiva tem duração de 12 meses e é destinado para o jovem de até 24 anos que quer ingressar na área de manutenção veicular. Nesse curso ele vai conhecer as profissões de atuação na área. Já no curso técnico o estudante vai aprender sobre o carro como um todo, desde as correções na pintura até a parte elétrica, mecânica e tapeçaria. A duração é de 18 meses. E os cursos de qualificação e aperfeiçoamento, no nível especialização, a exemplo de um curso de diagnóstico e injeção eletrônica, têm uma carga horária menor”, explica Marcus.
Principais riscos veiculares: atenção à manutenção
Segundo Mol, os itens mais críticos – como freios, suspensão, pneus, correia de distribuição e sistema de refrigeração – podem causar acidentes mais graves se não estiverem em boas condições.
“Vemos muitos acidentes em função de pneu desgastado, suspensão com folgas, problemas de freio. E é importante destacar que a revisão de última hora não substitui a manutenção constante. O ideal é passar na oficina pelo menos uma vez por ano ou a cada 10 mil quilômetros rodados, sempre acompanhando o manual do veículo”, orienta o presidente do SINDIREPA.
Marcus Vinicius da Silva Gomes, instrutor de formação do SENAI Automotivo, lembra ainda da importância de o proprietário conhecer bem o próprio veículo. “Não adianta ter um carro em câmbio mecânico e comprar um novo automático, sem nem entender bem como funciona ou ter experiência e se aventurar em uma viagem na estrada. Conhecer o carro e o que ele entrega em itens de conforto e segurança é primordial”, destaca.
Marcus destaca ainda que, antes de viajar, o motorista deve fazer uma revisão minuciosa no automóvel. “Conferir o nível de óleo fluido do veículo é o mínimo antes de sair para a viagem. Avaliar se a manutenção vai durar a quilometragem de ida e vinda do trajeto, conferir farol e lanterna, pneu, suspensão, sistema de freio, motor e transmissão. Não se esquecendo de conferir se a documentação do carro e do motorista está em dia, e estar com o manual do veículo sempre no porta luvas, caso haja uma situação de emergência e seja preciso parar na estrada”, salienta.

Inspeção veicular obrigatória
O projeto que prevê a inspeção veicular obrigatória para carros com mais de cinco anos tem sido muito criticado, mas, segundo Mol, as críticas vêm daqueles que minimizam os riscos de acidentes e estão preocupados apenas com o gasto.
“Todo transporte tem que estar em dia com a inspeção técnica e isso não é só para carro. Então, a inspeção veicular é benéfica de forma total, garantindo mais segurança para todos os ocupantes’’, afirma.
Manutenção em carros elétricos
Para Mol, é preciso avaliar alguns pontos antes de decidir pela compra de um carro elétrico: “são muitos os poluentes envolvidos na fabricação de um carro elétrico, o custo de manutenção é altíssimo e há grande dificuldade de revenda, consequentemente a desvalorização do automóvel”.
“Não discuto a eficiência do carro elétrico. Certamente ele emite menos poluente ou quase nada. Contudo, a fabricação de um carro elétrico é mais poluente do que a do carro a combustão. Sua construção parte a parte emite mais gás de carbono por causa das baterias. Então sua eficiência ambiental é depois de pronto”, acrescenta Mol.
Para quem deseja investir em um carro elétrico, Mol também atenta para alguns pontos e dá algumas dicas: a manutenção do carro elétrico é mais cara e complexa. “O elétrico que depende do plugin para carregar, com o tempo a bateria vai deteriorando, assim como um celular que precisa ser carregado mais vezes ao dia. Com o tempo, tem que ir carregando o veículo por mais e mais tempo e pode precisar inclusive trocar, se o carro passa a não ter a mesma eficiência que antes. A bateria dos carros elétricos costuma ter uma garantia de 10 anos, mas depois disso há uma regressão na capacidade de acumular carga”, explica.
Para quem tem criança em casa, ter um carro elétrico costuma precisar de ter um segundo carro como opção. “Se você tem um carro elétrico carregando e precisa de uma emergência com uma criança, precisa ter um segundo veículo ou depender do táxi ou Uber para sair às pressas. Tem que avaliar tudo antes de decidir por um carro elétrico”.
A manutenção é mais cara e complexa principalmente no híbrido. “A hora da mão de obra é quatro vezes mais cara do que a do carro a combustão. Sem contar que é muito mais complexa: os sensores são caros e os equipamentos usados para fazer a união do motor a combustão com o motor elétrico são muitos específicos, não sendo encontrados no mercado alternativo e mais caros do que o normal. O mercado de seminovos elétricos e híbridos está com dificuldade de revenda, inclusive os mais antigos ”.
Na opinião de Mol, o Brasil não precisaria dessa matriz energética. “Somos ricos em etanol e deveríamos focar nele”, complementa.
Adulteração de combustíveis
A adulteração de combustíveis é uma questão complexa, pois muitas vezes nem mesmo o dono do posto sabe que o combustível foi adulterado. “Uma dica que sempre dou é abastecer em postos de combustíveis com bandeira ou que esteja há muito tempo no mercado, já é conhecido em determinadas regiões ou bairros e não troca sempre de dono ou de bandeira”, alerta Alexandre Mol.
Ele ressalta ainda que é importante desconfiar quando o preço da gasolina anunciado estiver muito abaixo da média nacional. “Há ainda o caso do posto que acrescenta mais água ao etanol ou mais etanol do que o permitido por lei (30%) à gasolina. Como a maioria da frota brasileira é flex, muitos postos aumentam a mistura do etanol na gasolina e assim o consumidor só percebe quando o carro passa a gastar mais combustível fazendo o mesmo trajeto. Caso isso aconteça, o motorista pode desconfiar do posto onde abasteceu”.
Marina Rigueira
Imprensa FIEMG