Como transformar propósito em decisões capazes de gerar resultados para as empresas e, ao mesmo tempo, impacto positivo para a sociedade? A questão conduziu o painel “Propósito que vira impacto: ESG, ODS e desenvolvimento humano”, realizado nesta sexta-feira (21/8), durante o Congresso Uniapac ADCE Brasil, na sede da FIEMG, em Belo Horizonte.
Mediado pelo presidente da Uniapac ADCE-SP, Guilherme Cavalieri, o debate reuniu Ivana Serpa, presidente em exercício da FIEMG, onde ela preside também o Conselho de Gestão e Competitividade, e Luiz Alexandre Garcia, presidente do Conselho de Administração do Grupo Algar.
A discussão partiu da necessidade de aproximar valores empresariais das decisões cotidianas, especialmente em um cenário marcado por desafios econômicos, sociais e ambientais. O painel refletiu justamente sobre como propósito, ESG e desenvolvimento humano podem deixar de ser conceitos abstratos para orientar investimentos, prioridades e resultados concretos.
Com mais de 30 anos de experiência, Garcia avaliou que o Brasil vive uma crise ética e de valores e defendeu maior coerência entre o discurso das organizações e suas práticas. Para ele, sobretudo nas empresas familiares, cabe às lideranças preservar princípios ao longo das gerações. “Nós temos a responsabilidade de ser os guardiões, de praticar e de ter coerência em tudo aquilo que fazemos”, afirmou.
Ivana destacou que a agenda ESG pode contribuir para tornar as empresas mais humanas e transformar questões sensíveis em oportunidades de melhoria. Segundo ela, muitas organizações já desenvolvem iniciativas relacionadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), ainda que nem sempre reconheçam ou sistematizem essas práticas.
A executiva também chamou atenção para o potencial de integração entre empresas. Um resíduo gerado por determinada indústria, por exemplo, pode se transformar em matéria-prima para outra, criando novas relações comerciais, reduzindo impactos ambientais e contribuindo para a geração de emprego. “A sustentabilidade hoje passa muito por pessoas”, afirmou.
Para Garcia, responsabilidade social e desenvolvimento humano precisam ser tratados como investimentos de longo prazo, inclusive em períodos de maior pressão econômica. Ele defendeu a continuidade de iniciativas voltadas à formação, à saúde e à inclusão social. “Consideramos um erro estratégico reduzir aportes em responsabilidade social ou treinamento em períodos de ajuste financeiro”, disse.
A qualificação profissional também entrou no debate, ressaltando a importância das atividades do Sistema S como um todo. Cavalieri, que é da área de Recursos Humanos, questionou a exigência de ensino superior para funções que poderiam ser ocupadas por trabalhadores com formação técnica. Para ele, a revisão desses critérios pode ampliar as oportunidades de ingresso de jovens no mercado de trabalho. “Muitas vezes você poderia ter alguém com uma boa formação técnica e dar essa oportunidade para quem está saindo da escola”, afirmou.
Ao longo do painel, os participantes convergiram em um ponto: propósito ganha relevância quando deixa o discurso institucional e passa a influenciar escolhas concretas. Isso inclui decisões sobre pessoas, investimentos, meio ambiente e até a renúncia a oportunidades que contrariem os princípios da organização.
Leia também: Congresso Uniapac ADCE Brasil debate ética e propósito nos negócios
Para visualizar as fotos desse evento, acesse aqui.
Ana Paula Motta
Imprensa FIEMG