Os desafios e as oportunidades relacionados aos minerais críticos, à transição energética e ao desenvolvimento de cadeias produtivas de maior valor agregado estiveram no centro dos debates realizados nesta terça-feira, 18 de agosto, na sede da FIEMG, em Belo Horizonte. A discussão ocorreu durante reunião conjunta do Conselho de Relações Internacionais, do Conselho de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e da Câmara de Metalurgia, Siderurgia e Mineração.
O encontro reuniu representantes da indústria, especialistas e representantes internacionais para discutir temas como terras raras, lítio, cobre, inovação tecnológica, processamento mineral, investimentos e cooperação internacional.
Na abertura, o presidente do Conselho de Relações Internacionais da FIEMG, Alexandre Mello, ressaltou o caráter transversal da agenda de minerais críticos e sua relação com questões econômicas, ambientais, políticas e geopolíticas. Segundo ele, o Brasil reúne oportunidades importantes, mas precisa ampliar a pesquisa mineral e avançar na transformação de seus recursos em desenvolvimento econômico e tecnológico.
“Temos uma agenda ampla pela frente, com desafios e oportunidades que exigem diálogo entre indústria, governo, academia e parceiros internacionais”, afirmou. Mello também destacou o crescimento das discussões sobre lítio e terras raras e mencionou os avanços institucionais relacionados à Política Nacional de Minerais Críticos.
O presidente da Câmara de Metalurgia, Siderurgia e Mineração, Bruno Melo, chamou a atenção para a necessidade de identificar os obstáculos que podem retardar o desenvolvimento do setor mineral. Para ele, a mineração desempenha papel essencial no desenvolvimento do país e deve receber atenção estratégica. “Mais do que nunca, a atividade mineral é essencial para o progresso e o desenvolvimento do Brasil. Tudo o que pudermos fazer para contribuir com o fortalecimento e o avanço desse setor deve ser tratado como uma prioridade”, destacou.

Já o presidente do Conselho de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Mário Campos, relacionou o desenvolvimento mineral à transição energética, à descarbonização e às novas demandas da economia mundial. Ele também destacou os desafios ligados ao licenciamento ambiental e a necessidade de transformar o potencial mineral brasileiro em desenvolvimento com sustentabilidade e competitividade.“Nosso desafio é transformar todo esse potencial em desenvolvimento efetivo para Minas Gerais e para o Brasil, com segurança, sustentabilidade, competitividade e geração de oportunidades”, afirmou.
Terras raras e autonomia tecnológica – Na palestra “Terras Raras, Inovação e Autonomia Tecnológica: o papel de Minas Gerais na indústria do futuro”, o coordenador do CIT SENAI ITR, André Luís Pimenta, apresentou as oportunidades brasileiras na cadeia de terras raras e destacou o potencial de Minas Gerais para avançar além da extração mineral.
Pimenta explicou que a agregação de valor aumenta à medida que a cadeia avança da mineração e do beneficiamento para etapas como separação, refino, produção de óxidos, metais, ligas e ímãs permanentes. Para ele, justamente nessas fases intermediárias está um dos principais desafios brasileiros. “Ter acesso ao recurso mineral é o ponto de partida. Mas o verdadeiro valor estratégico surge quando conseguimos agregar conhecimento e tecnologia à transformação desse recurso”, afirmou.
Cooperação com a China – A apresentação “Cooperação para Cadeias de Valor de Minerais Críticos: Processamento, Inovação e Transição Energética” foi conduzida pelo cônsul comercial da China no Rio de Janeiro, Jing Yanhui.
O representante destacou a crescente importância dos minerais críticos para novas fontes de energia, materiais avançados e indústrias de alta tecnologia. Também ressaltou o potencial brasileiro e a posição de Minas Gerais nos setores de mineração e metalurgia.

Segundo Yanhui, China e Brasil possuem complementaridades em suas estruturas industriais, mercados e perspectivas de desenvolvimento, com possibilidades de ampliação da cooperação nas áreas de minerais críticos e indústria verde. “Estamos dispostos a aprofundar o diálogo e a cooperação industrial com os diferentes setores de Minas Gerais, apoiando uma aproximação ainda maior entre entidades empresariais, empresas e instituições de pesquisa dos dois lados”, afirmou.
Brasil e Canadá – A cônsul comercial do Canadá, Helen Belgrave, apresentou “Mercado de Capitais e Mineração Sustentável: Caminhos para Novos Projetos Industriais” e ressaltou as possibilidades de ampliação das relações entre os dois países.
Segundo Belgrave, Brasil e Canadá possuem uma trajetória de investimentos no setor mineral e características complementares que podem favorecer novas parcerias em exploração, processamento, engenharia, tecnologia e inovação. “Brasil e Canadá têm uma relação muito complementar na área de minerais críticos e uma longa trajetória de investimentos no setor mineral. Há espaço para ampliar essa cooperação, não apenas na exploração, mas também no processamento, na tecnologia, na engenharia e no desenvolvimento de novas soluções”, afirmou.
Cadeia industrial mineral – O conselheiro econômico da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Matthew Lowe, abordou o tema “Cadeias Resilientes de Minerais Críticos: Oportunidades de Cooperação, Investimento e Inovação Industrial”.
Lowe destacou a possibilidade de o Brasil avançar na cadeia industrial mineral e ampliar sua atuação no processamento, no refino e na fabricação de produtos de maior valor agregado. “Os Estados Unidos não veem o Brasil apenas como uma fonte de matérias-primas, mas como um país com capacidade para desenvolver uma cadeia industrial completa, da mineração ao processamento, refino e fabricação de produtos acabados”, afirmou.
Competitividade e integração das cadeias – O cônsul honorário do Japão em Belo Horizonte, Wilson Nélio Brumer, apresentou “Nióbio, Terras Raras e Inovação: Oportunidades para Indústrias de Alta Tecnologia”.
Em sua participação, Brumer destacou que aproveitar as oportunidades abertas pelos minerais críticos depende também do aumento da competitividade brasileira. Ele defendeu o desenvolvimento tecnológico, maior conhecimento sobre o potencial mineral do país e uma integração mais eficiente entre os diferentes elos das cadeias produtivas. “Se não transformarmos o Brasil em um país competitivo, os nossos esforços serão em vão. Existem muitas oportunidades em relação aos minerais críticos, mas precisamos, como sociedade, transformar o país em mais competitivo”, afirmou.
Agenda sul-americana para cobre e lítio – O líder de Estudos de Mineração da Diretoria de Estudos da Comissão Chilena do Cobre, Cochilco, Ronald Monsalve Helfant, apresentou “Cobre, Lítio e Transição Energética: Oportunidade para uma Agenda Industrial Sul-Americana”.
Monsalve defendeu que a América do Sul pode desempenhar papel relevante na construção de uma oferta mundial de cobre e lítio mais diversificada, sustentável e resiliente, combinando seus recursos minerais com experiência produtiva, universidades, empresas fornecedoras e centros de pesquisa. “A América do Sul pode contribuir para tornar a oferta mundial de cobre e lítio mais diversificada, sustentável e resiliente”, afirmou.
Experiência finlandesa para a cadeia do lítio – A cônsul honorária da Finlândia em Minas Gerais, Patrícia Coutinho, apresentou “Minerais Críticos e Inovação Industrial: Experiência para uma Cadeia Produtiva Mais Eficiente”. Também participou da agenda Felipe Roberto da Silva, da empresa Metsu.
A apresentação destacou a experiência finlandesa no desenvolvimento de uma cadeia integrada do lítio e as possibilidades de aplicação desse conhecimento em Minas Gerais, especialmente no Vale do Lítio, no Vale do Jequitinhonha. “Podemos contribuir para a construção de uma cadeia produtiva mais eficiente, especialmente ao demonstrar a viabilidade de Minas Gerais avançar no domínio do ciclo completo de produção do lítio”, afirmou Patrícia.
Entre os exemplos apresentados esteve um projeto finlandês que integra mineração e refino químico de alta pureza para baterias. A experiência utiliza uma rota alcalina que, de acordo com a apresentação, permite reduzir em até 60% o consumo de água em comparação aos processos tradicionais, além de operar com reaproveitamento hídrico.
Tarifaço dos EUA – Seção 301 e impactos para a indústria mineira – Encerrando os trabalhos, presidente do Conselho de Relações Internacionais da FIEMG, Alexandre Mello, trouxe informações sobre o Tarifaço dos Estados Unidos.
A ampliação das tarifas dos Estados Unidos afeta diferentes setores da economia brasileira, incluindo segmentos importantes para Minas Gerais, como máquinas e equipamentos, materiais elétricos, rochas ornamentais, refratários, químicos, cosméticos, joias e manufaturados diversos.
Parte dos produtos foi preservada das novas tarifas, entre eles café, carne bovina, suco de laranja, petróleo, celulose, medicamentos, aeronaves, vergalhões, ferroligas, ouro, minérios e alguns insumos críticos.
“Agora, o governo brasileiro avalia a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, mas esse é um processo mais longo. Paralelamente, as negociações diplomáticas com os Estados Unidos continuam. A expectativa é que seja possível avançar no diálogo e minimizar os impactos para os dois países sem a necessidade de adoção de contramedidas”, destacou.
Confira as fotos da reunião conjunta do Conselho de Relações Internacionais, do Conselho de Meio Ambiente e da Câmara de Metalurgia, Siderurgia e Mineração no Flickr do Sistema FIEMG.
Denise Lucas
Imprensa FIEMG