
As exportações de Minas Gerais para os Estados Unidos registraram queda em 2025, ano marcado pela adoção de tarifas norte-americanas sobre produtos de diversos países, incluindo o Brasil. Na comparação com 2024, as vendas externas do estado para o país recuaram 7,7% em valor e 1,3% em volume, totalizando US$ 4,3 bilhões, de acordo com levantamento do Centro Internacional de Negócios (CIN) da FIEMG, com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Nesse mesmo período, as exportações brasileiras para o país norte-americano recuaram 6,6%.
Mesmo com a retração, os Estados Unidos permaneceram como o segundo principal destino das exportações mineiras, atrás apenas da China, reforçando a relevância do mercado norte-americano para a indústria e o agronegócio de Minas Gerais. O desempenho, no entanto, foi diretamente influenciado pelo impacto do chamado “tarifaço”, que atingiu sobretudo produtos industrializados.
Segundo análise do Centro Internacional de Negócios da FIEMG, a queda foi puxada por perdas expressivas em segmentos estratégicos da pauta exportadora. Segundo o analista de negócios internacionais da FIEMG, Felipe Ramon, três setores afetados concentraram os maiores impactos em 2025. “As retrações mais significativas ocorreram no setor aeronáutico, nos produtos de aço e na celulose, segmentos que sentiram de forma mais intensa os efeitos das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos e a redução da competitividade no mercado, ainda que o aeronáutico e a celulose tenham enfrentado tarifas menores”, explica.
O setor aeronáutico liderou as perdas no período (-USD 143 milhões), seguido pelos produtos de aço (-USD 96 milhões) e celulose (-USD 66 milhões), tradicionalmente relevantes na pauta mineira. Além desses segmentos, outros produtos também registraram retração ao longo do ano, refletindo um cenário externo mais restritivo para as exportações brasileiras.
O café foi o produto mais exportado por Minas Gerais para os Estados Unidos em 2025, com receita de US$ 1,6 bilhão. Ferro gusa (US$ 992 milhões), ferroligas (US$ 236,8 Mi), transformadores e conversores elétricos (US$ 177,5 Mi), silício (US$ 109,9 Mi) e carne bovina (US$ 102,8 Mi) completam a lista, segundo levantamento da FIEMG.
Imprensa FIEMG