A Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) acompanha com preocupação a convergência de fatores que pode pressionar significativamente a conta de energia dos consumidores brasileiros em 2027. A decisão desta quarta-feira (10/6) do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) de manter a metodologia CVaR 15/40 tende a elevar o acionamento de usinas termelétricas, fontes mais caras e mais emissoras de gases de efeito estufa, com reflexos diretos sobre os custos do sistema.
O CVaR, sigla em inglês para Conditional Value at Risk, é o parâmetro para indicar o grau de aversão ao risco considerado nos modelos computacionais que definem a operação do sistema elétrico. A CVaR 15/40 é mais conservadora e avessa a fatores hidrológicos.
Além da decisão do CMSE, o coordenador de Mercado de Energia da FIEMG, Sérgio Pataca, cita outro fator que pode encarecer a conta de energia: a possibilidade de ocorrência do “El Niño” de forte intensidade entre o final deste e o início de 2027. Com isso, pontua Pataca, o Brasil pode ter reduzida a disponibilidade hídrica, ampliando ainda mais a necessidade de geração térmica.
“Os consumidores passarão a arcar também com os custos dos novos contratos decorrentes do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), realizado em março desse 2026, que adicionarão quase cinco Gigawatts de potência ao sistema. Isoladamente, cada um desses fatores já representa um desafio relevante. Em conjunto, eles acendem um sinal de alerta para um aumento expressivo dos custos de energia elétrica no próximo ano, podendo chegar a 20%”, afirma
Para Sérgio Pataca, o cenário exige atenção dos gestores públicos para mitigar impactos sobre a competitividade da indústria e o orçamento das famílias brasileiras.
Imprensa FIEMG