A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) avalia de forma positiva a assinatura do Acordo de Parceria entre a União Europeia e o Mercosul, formalizada neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai, após mais de duas décadas de negociações. A entidade reconhece o avanço representado pela conclusão do acordo, ao mesmo tempo em que ressalta a importância de uma avaliação cuidadosa de seus impactos sobre a indústria brasileira e mineira.
O Brasil mantém uma relação comercial relevante com a União Europeia. Entre 2021 e 2025, as exportações brasileiras para o bloco somaram aproximadamente US$ 231,81 bilhões, enquanto as importações alcançaram cerca de US$ 225,50 bilhões, resultando em saldo positivo de US$ 6,31 bilhões. A pauta exportadora é composta principalmente por combustíveis e óleos minerais (22%), café (10%), minérios (10%), farelo de soja (9%) e soja (7%). Já as importações concentram-se em combustíveis e óleos minerais refinados (31%), máquinas e equipamentos (22%), além de produtos plásticos, farmacêuticos e químicos orgânicos.
Em Minas Gerais, a relação comercial com a União Europeia também é superavitária. No mesmo período, as exportações do estado totalizaram cerca de US$ 31,0 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 13,38 bilhões, resultando em saldo positivo de US$ 17,62 bilhões. A pauta exportadora mineira é concentrada em café (58%), minério de ferro (9%) e ferroligas (8%), além de outros produtos industriais. As importações provenientes do bloco europeu envolvem, majoritariamente, máquinas e equipamentos (27%), produtos farmacêuticos (11%) e itens do setor automotivo, especialmente partes e peças.
Para o presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, a assinatura do acordo representa um avanço nas relações comerciais, mas exige cautela na análise de seus efeitos. “A assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul amplia o acesso a um mercado relevante para o Brasil e para Minas Gerais. No entanto, é fundamental avaliar com atenção os impactos sobre a competitividade da indústria, especialmente nos setores mais sensíveis, considerando exigências regulatórias, sanitárias e ambientais, bem como os prazos de adaptação”, afirma.
A FIEMG destaca que os resultados do acordo dependerão de sua implementação e da adoção de medidas que assegurem condições adequadas de concorrência. A entidade reforça a importância de instrumentos de apoio à competitividade e de mecanismos de transição, para que a abertura comercial contribua para o fortalecimento da indústria, a manutenção de empregos e a ampliação da capacidade produtiva e exportadora do país e de Minas Gerais.
Imprensa FIEMG