Os possíveis impactos da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1 estiveram no centro dos debates da reunião da Câmara da Indústria de Alimentos e Bebidas da FIEMG, realizada em conjunto com a AMIPÃO, nesta quinta-feira (13/8). O encontro reuniu empresários, representantes de entidades e especialistas para discutir temas trabalhistas e tributários que afetam diretamente o setor produtivo, além de apresentar importantes eventos e oportunidades de negócios para a indústria.
A reunião foi aberta pelo presidente da Câmara, Winícius Dantas, e contou com a presença da presidente da AMIPÃO, Rita Miranda.
Na ocasião, Dantas destacou a agenda de eventos industriais que se aproxima. “Temos importantes feiras que estão por vir, como a 14ª SorveMinas e a Panifair 2027, que são oportunidades para fortalecer o setor, aproximar empresas e ampliar conexões”, destacou Winícius Dantas.
Jornada de trabalho mobiliza debate
A advogada da Gerência de Assuntos Trabalhistas da FIEMG, Carolina Souza Monteiro, apresentou um panorama das discussões envolvendo a redução da jornada de trabalho e a PEC 221/2019. A proposta prevê dois dias de repouso semanal remunerado, preservação dos salários e redução gradual da jornada das atuais 44 horas semanais para 42 horas e, posteriormente, 40 horas.
Na atualização apresentada aos empresários, Carolina destacou que os diálogos entre o governo e o Congresso Nacional haviam sido retomados no dia anterior à reunião. A matéria estava na Mesa Diretora do Senado, aguardando a definição de relatoria e de calendário para análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, posteriormente, em Plenário.
A apresentação também chamou a atenção para os possíveis reflexos econômicos da mudança. Entre as estimativas apresentadas estão aumento de 22% no custo da hora trabalhada e impacto inflacionário de 6,2%, além da possibilidade de necessidade de novas contratações para manutenção do atual volume de produção. Empresas com maior capacidade de automação, segundo o levantamento, tendem a absorver melhor as alterações, enquanto pequenos e médios negócios podem enfrentar impactos proporcionalmente maiores.
O tema provocou uma rica discussão entre os integrantes do colegiado, especialmente sobre os efeitos da alteração da jornada na organização das escalas, nos custos das empresas e na competitividade da indústria de alimentos e bebidas.
Carolina também apresentou a atuação da FIEMG na defesa dos interesses da indústria, que inclui participação em audiências públicas e votações, interlocução com o Congresso Nacional e apresentação de contribuições e emendas aos textos em tramitação.
Além da jornada, a especialista atualizou os empresários sobre a NR-1 e os riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Ela disse que embora uma decisão liminar tenha suspendido temporariamente a aplicação de sanções relacionadas aos itens questionados da norma, a orientação é de que as empresas mantenham a gestão preventiva e continuem identificando e documentando os riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais e no Programa de Gerenciamento de Riscos.
Outro ponto abordado foi a Lei 15.377/2026, que amplia as responsabilidades dos empregadores na promoção da saúde preventiva, incluindo a divulgação de campanhas de vacinação, ações de conscientização e informações sobre o direito dos trabalhadores à ausência remunerada para realização de exames preventivos, por 3 dias ao ano, mediante comprovação médica.
Agenda tributária
As questões tributárias também ocuparam espaço relevante na reunião, incluindo as discussões em torno da reforma tributária e seus reflexos para as empresas.
Na sequência, Cecília Noronha, advogada da Gerência de Meio Ambiente, e Flávia Sales, da Gerência de Assuntos Tributários da FIEMG, apresentaram informações sobre a Taxa de Coleta de Resíduos Sólidos Urbanos (TCR) no município de Belo Horizonte. A exposição esclareceu aspectos relacionados à incidência, base de cálculo e valores aplicáveis em 2026.
A TCR é cobrada de imóveis urbanos edificados atendidos pelo serviço público de coleta e tem como base o custo previsto do serviço, considerando a frequência da coleta e o número de economias existentes no imóvel. Em 2026, o valor anual é de R$ 453,40 por economia para coleta em dias alternados e R$ 906,80 para coleta diária. Os valores foram atualizados em 4,41%, conforme a variação do IPCA-E considerada para o exercício.
A apresentação técnica também abriu espaço para esclarecimento de dúvidas dos empresários sobre a cobrança e seus impactos para os estabelecimentos.
Conexões internacionais e novos negócios
A programação trouxe ainda oportunidades de internacionalização para as empresas mineiras. Ana Correia, representante da Câmara Italiana, apresentou a atuação da instituição e destacou que a Itália ocupa a quarta posição entre os maiores países exportadores do mundo, atrás de China, Estados Unidos e Alemanha.
A Câmara integra uma rede de serviços presente em 58 países, com 84 câmaras no mundo, 96 câmaras na Itália e cerca de 18 mil associados.
Ana também convidou os empresários para a SIGEP World, que será realizada em janeiro de 2027, em Rimini, na Itália. O evento é referência internacional nos segmentos de panificação, gelato, confeitaria, chocolate, café e pizza, reunindo empresas, compradores e tomadores de decisão.
Os números apresentados demonstram a dimensão da feira: uma das edições reuniu 198 mil participantes, compradores internacionais, representantes de 160 países e quase 6 mil reuniões de negócios.
Panifair projeta nova edição
Júnior Maffile, idealizador e realizador da Panifair, apresentou os resultados da edição de 2026 e convidou o setor para a próxima edição do evento.
Realizada entre 15 e 17 de maio, no CenterMinas Expo, em Belo Horizonte, a Panifair 2026 reuniu mais de 22 mil visitantes qualificados, mais de 100 expositores nacionais e internacionais e representantes de mais de 30 países.
A feira ocupou aproximadamente 14 mil metros quadrados de área expositiva e registrou mais de 890 negócios iniciados durante os três dias de programação. Segundo os números apresentados, o índice de satisfação dos expositores chegou a 94%.
Audiovisual aproxima-se da indústria de alimentos
O encerramento das apresentações trouxe uma conexão entre a indústria de alimentos e bebidas e o setor audiovisual. A convite de Trajano Raposo, secretário da Câmara da Indústria da Comunicação, participaram do encontro a presidente do Sindicato da Indústria Audiovisual de Minas Gerais (Sindav), Daniela Fernandes, e a coordenadora da MAX Sebrae, Nayara Bernardes.
As convidadas apresentaram os resultados da MAX 2025 e possibilidades de parceria entre o Sindav e as indústrias de alimentos para fomentar projetos e iniciativas ligadas à cultura e ao audiovisual.
A edição de 2025 da MAX reuniu 694 participantes e 128 palestrantes, com 56 atividades. Foram apresentados 588 projetos, realizados 541 agendamentos e mobilizadas 302 empresas em rodadas de negócios. A expectativa de geração de negócios apresentada durante a reunião chegou a R$ 852 milhões.
A programação teve ainda 70 encontros de transformação, 12 projetos em pitching e 11 projetos fechados, além de ações de divulgação e parcerias com iniciativas e veículos do setor.
As apresentações e os debates abriram espeço para atualização técnica sobre temas de impacto imediato para as empresas com oportunidades de relacionamento, internacionalização, geração de negócios e aproximação entre diferentes segmentos da indústria.
Acesse aqui as imagens da reunião.
Ana Paula Motta
Imprensa FIEMG