O resultado do CAGED confirma que o mercado de trabalho formal passou a apresentar menor dinamismo na virada para 2026, em sintonia com a desaceleração da atividade econômica observada no segundo semestre de 2025. A geração de empregos iniciou o ano positiva, porém em ritmo mais moderado.
Para a Gerência de Economia da FIEMG, o cenário sinaliza um ambiente de maior cautela ao longo do ano, com tendência de desaceleração gradual da criação de vagas formais, refletindo a perda de fôlego da economia e seus efeitos sobre as decisões de contratação.
Em janeiro de 2026, o mercado de trabalho formal iniciou o ano com geração líquida de vagas tanto no Brasil quanto em Minas Gerais, ainda que em ritmo inferior ao observado no mesmo mês de 2025 no caso nacional. No Brasil, o saldo foi de 112,3 mil postos, superando as expectativas do mercado, que projetavam a abertura de cerca de 93,5 mil vagas. Em Minas Gerais, foram registradas 7,4 mil novas vagas formais, resultado significativamente superior ao verificado em janeiro de 2025, quando o estado havia gerado 4,7 mil postos de trabalho.
A Indústria foi o principal destaque tanto no Brasil quanto no estado, respondendo por 105,5 mil e 13,4 mil vagas, respectivamente, evidenciando a relevância do setor para o desempenho do mercado de trabalho no início do ano. Em Minas Gerais, o desempenho foi superior ao registrado em janeiro de 2025 e suficiente para mais do que compensar o resultado negativo de outros grandes setores, como Comércio e Serviços.
De acordo com o economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio, os dados reforçam o papel estratégico da indústria como principal vetor da geração de empregos formais no início do ano, tanto no Brasil quanto em Minas Gerais. “Em um contexto de maior moderação econômica, o desempenho industrial torna-se ainda mais relevante para sustentar o nível de ocupação, a renda e a dinâmica da atividade produtiva no estado”, ressalta.
Perspectivas para 2026
Embora tenha apresentado desempenho favorável em 2025, o mercado de trabalho inicia 2026 em um ambiente de incertezas. A desaceleração da atividade, a manutenção de juros elevados, as pressões fiscais e o calendário eleitoral tendem a reduzir o ritmo de geração de vagas ao longo do ano.
As projeções indicam crescimento do PIB de 1,82% em 2026, abaixo do resultado de 2025, sinalizando menor dinamismo da economia. Com a atividade mais moderada, a demanda por mão de obra deve perder força, ainda que com alguma defasagem em relação ao ciclo econômico.
Além disso, as incertezas relacionadas ao quadro fiscal e à condução da política econômica, somadas ao calendário eleitoral, reforçam a postura cautelosa do setor produtivo em relação a investimentos e contratações. A expectativa, portanto, é de moderação nas admissões em 2026, sem indícios, até o momento, de deterioração relevante do mercado de trabalho formal.
Imprensa FIEMG