Minas Gerais chegará às eleições de 2026 com 16,4 milhões de eleitores aptos a votar, o equivalente a 10,3% do eleitorado brasileiro. O Estado permanece como o segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo, e mantém participação relevante no cenário nacional. Os dados fazem parte de estudo elaborado pela Gerência de Economia da FIEMG, com base em informações oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O levantamento analisa a evolução do perfil dos eleitores mineiros e compara os dados de 2026 com os das últimas eleições presidenciais, realizadas em 2022, além de observar características do eleitorado brasileiro. Entre os aspectos avaliados estão gênero, faixa etária, escolaridade, raça/cor, estado civil e pessoas com deficiência.
Apesar de manter posição de destaque no país, Minas Gerais registrou uma leve redução em sua participação relativa no eleitorado nacional ao longo dos últimos anos. Em 2010, o Estado concentrava 10,7% dos eleitores brasileiros. O percentual passou para 10,4% em 2022 e chegou a 10,3% em 2026. Em números absolutos, no entanto, o eleitorado mineiro cresceu aproximadamente 1,9 milhão de pessoas desde 2010, avanço de 12,8%. Na comparação com 2022, foram 86,8 mil novos eleitores, aumento de 0,5%.
Mulheres são maioria entre os eleitores
As mulheres continuam representando a maior parcela do eleitorado de Minas Gerais. São 8,6 milhões de eleitoras, o que corresponde a 52,5% das pessoas aptas a votar no Estado, percentual próximo ao registrado no país, de 52,8%. Em relação a 2022, o número de eleitoras mineiras aumentou em 89,3 mil, enquanto o eleitorado masculino permaneceu praticamente estável.
Outra transformação identificada pelo estudo é o envelhecimento gradual do eleitorado mineiro. A faixa de 40 a 49 anos concentra a maior parcela dos eleitores, com 19,2% do total. Ao mesmo tempo, vem diminuindo a participação dos eleitores entre 18 e 29 anos.
O grupo para o qual o voto é facultativo — jovens de 16 e 17 anos e pessoas com 70 anos ou mais — reúne cerca de 2,2 milhões de eleitores em Minas Gerais, ou 13,5% do total. Esse contingente cresceu 12,4% em relação a 2022. Em sentido contrário, o número de eleitores de 18 a 29 anos caiu 10% no mesmo período.
Escolaridade avança entre os eleitores mineiros
Os dados também revelam uma mudança significativa no nível de escolaridade. Atualmente, os eleitores com ensino médio completo formam o maior grupo, somando 4,1 milhões de pessoas, o equivalente a 25,3% do eleitorado mineiro. O contingente cresceu 11,4% desde as eleições de 2022.
A evolução é ainda mais evidente quando observado um período mais longo. Entre 2010 e 2026, o número de eleitores com ensino superior completo passou de 492,3 mil para 1,67 milhão, mais que triplicando. Paralelamente, houve redução entre aqueles com níveis mais baixos de escolaridade.
As mulheres também apresentam maior escolaridade no recorte por gênero. Elas representam 56,8% dos eleitores com ensino médio completo e 63,1% daqueles com ensino superior completo em Minas Gerais.
Registros de eleitores com deficiência quase dobram
Outro destaque é o crescimento do número de pessoas que declararam possuir algum tipo de deficiência. Minas Gerais registra 210,9 mil eleitores nessa condição em 2026, correspondentes a 1,3% do eleitorado estadual e a 10,7% de todos os eleitores com deficiência registrados no Brasil.
Na comparação com 2022, quando eram 108,4 mil, o aumento chegou a 94,5%. O estudo ressalta que a informação é autodeclarada e depende da atualização do cadastro do próprio eleitor junto à Justiça Eleitoral.
Belo Horizonte concentra 12% do eleitorado
A distribuição geográfica também mostra diferenças relevantes entre os municípios mineiros. Belo Horizonte possui o maior eleitorado do Estado, com aproximadamente 2 milhões de pessoas, equivalente a 12% do total. Na sequência aparecem Uberlândia, com 538,2 mil; Contagem, com 463,2 mil; Juiz de Fora, com 394,9 mil; e Betim, com 301,2 mil eleitores.
Entre 2022 e 2026, Uberlândia registrou o maior ganho absoluto, com quase 24 mil novos eleitores. Contagem, Betim, Nova Serrana e Extrema também apresentaram crescimento. Já Belo Horizonte teve redução de aproximadamente 45,6 mil eleitores, enquanto Juiz de Fora perdeu 23,3 mil e Governador Valadares, 22,3 mil, conforme mostra a distribuição municipal apresentada no estudo.
Para o economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio, a proximidade entre os perfis de Minas Gerais e do país reforça a representatividade do Estado no contexto nacional. Segundo ele, as mudanças identificadas, especialmente o avanço da escolaridade, o envelhecimento do eleitorado e a ampliação dos registros de pessoas com deficiência, são importantes para compreender as transformações demográficas e sociais e contribuir para políticas públicas de inclusão, acessibilidade e fortalecimento da participação democrática.
O estudo completo é parte das análises produzidas pelo observatório da Indústria de Minas Gerais, por meio da Gerência de Economia da FIEMG, a partir de dados do Tribunal Superior Eleitoral. A íntegra do material pode ser acessada, clicando aqui.
Thaís Mota
Imprensa FIEMG