Belo Horizonte recebe, nesta semana, o Minas Trend, evento que antecipa os caminhos da moda e reúne marcas, especialistas e profissionais do setor para discutir tendências, comportamento e inovação. Entre os destaques desta edição está o fortalecimento de uma estética atemporal, que valoriza peças duradouras, versáteis e alinhadas à identidade individual do consumidor.
Em um cenário marcado pela aceleração das tendências e pelo consumo rápido, o mercado da moda tem se reposicionado. O chamado “mais do mesmo” deixa de representar repetição e passa a indicar permanência — peças que atravessam décadas, reinterpretadas sob novas lentes, mas mantendo sua essência.
A alfaiataria é um dos principais exemplos desse movimento. Clássica e constantemente ressignificada, ela se mantém relevante ao incorporar novas modelagens, tecidos e usos, dialogando tanto com ambientes formais quanto com propostas mais contemporâneas e casuais.
Segundo Cristiana Lima, analista e especialista de criação do SENAI, essa retomada está diretamente ligada a mudanças no comportamento de consumo. “A moda atemporal ganha força porque responde a um consumidor mais consciente, que busca qualidade, durabilidade e propósito nas escolhas. Não se trata mais de acompanhar ciclos rápidos de tendência, mas de construir um guarda-roupa inteligente, com peças que façam sentido ao longo do tempo e em diferentes contextos.”
“A moda mineira é muito conhecida por ser autoral, por ter muito feito à mão e por priorizar uma modelagem bem feita, e isso é o nosso diferencial. Então acredito que as tendências podem até vir para uma parte dos produtos, mas o principal aqui é realmente o conhecimento sobre o público, sobre a identidade”, complementa Cristiana Lima.
Décadas que permanecem vivas no presente
Outro ponto discutido durante o evento é a permanência de elementos marcantes de diferentes décadas no vestuário atual. Dos cortes estruturados dos anos 1980 à fluidez e liberdade dos anos 1970, passando pelo minimalismo dos anos 1990, o que se observa é uma constante releitura desses códigos.
Para Patrícia Vankoke, proprietária da marca Vankoke, com 17 anos de atuação no mercado e presença em Natal (RN), a moda sempre esteve ligada a movimentos de ruptura e expressão:
“Cada década teve seu momento de ruptura, impulsionado por pessoas que olharam diferente para o mundo e para o vestir. Hoje, vivemos novamente um momento de forte expressão individual. A moda deixa de ser apenas tendência e passa a ser linguagem — uma forma de cada pessoa mostrar quem é de verdade.”
A empresária destaca que esse movimento também impacta diretamente a forma de criação e consumo das peças. Na Vankoke, o foco está em desenvolver roupas que acompanhem a mulher ao longo do tempo, em diferentes ocasiões:
“O nosso tom de voz é sempre o de uma mulher elegante, atemporal e versátil. A roupa não é descartável. Quando você escolhe uma peça com propósito, ela precisa transitar no seu guarda-roupa por muitos anos. A mesma peça pode ir da praia ao trabalho, a um evento, dependendo de como você se expressa com ela.”
Cristiana Lima, analista e especialista de criação do SENAI, ressaltou ainda sobre a tendência de resgate da moda. “Nesta edição estamos usando o termo neostalgia, que seria o trabalho da novidade do que é atual, mas com o olhar para as décadas passadas. Então, é o famoso vintage, a peça que tem referência a algumas décadas passadas, assim como os anos 70 e os 90. Um exemplo é a volta da cintura baixa e o uso de corset.
Moda como expressão e consciência
O debate sobre atemporalidade também está diretamente conectado ao consumo consciente. Em vez de seguir tendências de forma massificada, o consumidor passa a valorizar escolhas que refletem sua identidade e que tenham maior durabilidade.
Para Patrícia, seguir tendências de forma indiscriminada pode significar abrir mão da individualidade:
“Seguir tendência é, muitas vezes, seguir um comportamento de grupo. Mas cada pessoa é única. A moda precisa representar esse indivíduo — e isso se constrói com escolhas mais conscientes e autênticas.”
O Minas Trend reforça, assim, um movimento já em curso no setor: a moda como ferramenta de expressão pessoal, aliada à responsabilidade no consumo. Mais do que antecipar tendências, o evento aponta para um futuro em que estilo, propósito e identidade caminham juntos.
O Minas Trend é uma realização do Sistema FIEMG, por iniciativa da Câmara da Indústria de Insumos e Transformação do Vestuário, Calçados e Acessórios. Apoio máster do Sebrae Minas. Parceria Básico Aroma e apoio da Gellak, Centro Universitário Una, Rede Minas e 98 News.
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Confira as fotos da 35ª edição do Minas Trend no Flickr do Sistema FIEMG.
SERVIÇO
35ª edição do Minas Trend
Data: 14 a 16 de abril de 2026
Horário: 10h às 17h
Local: BH Shopping – Piso Ouro Preto (BR-356, 3049, Belvedere – Belo Horizonte – MG)
Imprensa FIEMG