A escolha das roupas infantis passa por mudanças à medida que as crianças conquistam mais autonomia e participam das decisões de consumo da família. Se antes os pais concentravam as escolhas, hoje os pequenos também expressam suas preferências, influenciados pelas redes sociais, pelo convívio com outras crianças e pelo acesso a diferentes referências de moda. Esse comportamento desafia a indústria a conciliar estilo, conforto e praticidade e ganha espaço na 36ª edição do Minas Trend, realizada de 20 a 22 de outubro, no BH Shopping, em Belo Horizonte.
Para o presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Minas Gerais (Sindivest-MG), Rogério Vasconcelos, as crianças formam suas próprias referências desde cedo. “Quando olho para as crianças de cinco ou seis anos, vejo que elas já acompanham influenciadores e começam a formar a própria opinião sobre o que querem usar”, observa. Segundo ele, essa influência pode chegar à escolha das lojas e dos produtos procurados pelos pais.

Rivânia Lúcia Ferreira, fundadora da marca Gabriela Aquarela, também percebe mudanças na relação entre pais e filhos. Para ela, as famílias mais jovens tendem a abrir mais espaço para o diálogo, permitindo que as crianças expressem suas preferências. “Hoje, a criança fala: ‘Mãe, isso está me incomodando, eu não gosto, não quero usar’. Ela tem opinião e quer ser ouvida”, afirma.
Redes sociais ampliam a influência das crianças nas compras
O acesso às redes sociais aproximou as crianças de tendências, estilos e influenciadores que ajudam a formar suas preferências. Na avaliação de Vasconcelos, esse contato pode despertar o interesse por determinadas peças e levar os pequenos a pedir produtos específicos aos pais. A convivência na escola e o diálogo familiar também contribuem para esse processo.
As escolhas infantis, porém, não se limitam à aparência. A diretora de criação e marketing da Bibe e Tribo da Preservação, Ana Maria Nolasco, observa que “o contato com temas como preservação ambiental e consumo consciente, especialmente no ambiente escolar, também influencia a maneira como algumas crianças enxergam os produtos. Essa mudança amplia as expectativas em relação à moda e estimula a atenção à origem dos materiais e à durabilidade das peças”.
Conforto e versatilidade orientam as novas escolhas
A aparência continua relevante, mas precisa estar associada ao bem-estar. Tecidos macios, acabamentos que não incomodam e modelagens que permitem liberdade de movimento estão entre as características valorizadas pelas crianças. Segundo o gerente comercial do Grupo Catarina, que controla as marcas “Menina anjo”, “Kiki” e “Valent”, Daniel Trindade, o conforto está entre os principais atributos considerados na escolha das roupas.

A versatilidade também ganha espaço entre as prioridades das famílias. De acordo com Rivânia, os consumidores procuram peças que possam ser usadas em diferentes ocasiões, evitando compras destinadas a um único uso. “As saias infantis com shorts embutidos são um exemplo dessa adaptação: permitem que as meninas brinquem e se movimentem com liberdade”.
A sustentabilidade faz parte de novo cenário do universo da moda kis. Por fim, Ana Maria destaca a valorização de materiais de origem rastreável, fibras recicladas e roupas atemporais, que podem ser usadas por mais tempo.
O Minas Trend é uma realização do Sistema FIEMG, com apoio máster do Sebrae Minas, patrocínio bronze da CDL/BH e Serras Mar de Minas e apoio da 98News, Casa e Decoração Móveis em Alumínio, Clara Água Mineral, Fabril Mascarenhas, FireFly, Gellak, Glori e Golden Air.
Rafael Passos
Imprensa FIEMG
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