Nos dias 17 e 18 de outubro, Belo Horizonte receberá pela primeira vez o espetáculo “Do outro lado do mar”, da Cia Teatro dos Novos, tradicional coletivo teatral baiano fundado em 1959, como parte da programação do Festival SESI em Cena. Com direção de Marcio Meirelles, um dos mais reconhecidos encenadores do teatro brasileiro, a peça é a primeira montagem no país de uma obra da autora salvadorenha Jorgelina Cerritos. Em cena, os artistas Chica Carelli e Edu Coutinho dividem o palco com o músico Ramon Gonçalves. As apresentações acontecem no Teatro de Bolso SESIMINAS. Adquira seus ingressos na plataforma Sympla.
Assistida por mais de 5 mil pessoas em temporadas nas cidades de Salvador e Rio de Janeiro, “Do outro lado do mar” marca uma importante ponte cultural entre Brasil e El Salvador. O texto, que rendeu à dramaturga Jorgelina Cerritos o Prêmio Casa de las Américas, ganhou tradução para a língua portuguesa pelas mãos do ator Edu Coutinho com a colaboração do diretor Marcio Meirelles, responsável também pela iluminação, figurinos e cenário, este último indicado ao Prêmio Shell de Teatro 2022.
Na trama do espetáculo “Do outro lado do mar”, uma funcionária pública, isolada em um balcão de atendimento numa praia deserta, vive uma rotina de espera. Sua monotonia é interrompida por um jovem pescador que, sem nome ou sobrenome, busca um documento que comprove a sua existência. Assim surge uma história carregada de poesia que, com aparente simplicidade, provoca uma profunda reflexão sobre o trabalho, a burocracia, a solidão e as identidades.
“A peça parte do conflito de um jovem personagem que, por não ter certidão de nascimento, oficialmente não existe. Embora pareça absurda, essa situação é realidade para 3 milhões de brasileiros e brasileiras que, sem registro civil, não têm acesso aos direitos mais básicos, como acesso à saúde e educação públicas, o direito de votar nas eleições”, comenta o ator Edu Coutinho. Ele lembra que, além do sentido literal do documento de identificação, o conceito de identidade é abordado pela obra em seus múltiplos significados e simbologias. “É um texto que capta o público pela beleza, pela poesia, e que aos poucos vai o fazendo pensar sobre os diferentes lugares sociais que as pessoas ocupam ou são levadas a ocupar”.
A dramaturga tem sido uma parceira do projeto desde o início. “É muito significativo que a peça tenha a capacidade de dialogar com criadores, criadoras e espectadores da cena internacional, pois me confirma a universalidade e a força da palavra dramática, essa palavra que nos habita e nos fecunda para além das fronteiras”, reconhece Jorgelina Cerritos.
A montagem foi um dos marcos dos 50 anos de carreira do diretor Márcio Meirelles, celebrados em 2022. “Estou envolvido com a peça desde o começo de 2022, quando fizemos a transliteração e a reposição na cena presencial desse espetáculo que foi criado para uma cena virtual. É uma peça sobre a identidade que você tem e a identidade que você é obrigado a ter. As imposições sociais, as estruturas, o sistema que impõe identidades e o que isso provoca em pessoas diferentes. Uma peça que fala daquelas pessoas que estão à margem e daquelas que fazem parte do sistema de alguma forma, mesmo que dentro do sistema estejam em uma posição marginalizada. Esse é o caso de Dorotéia, que é uma pessoa à margem dentro de um sistema. Já o Pescador é um personagem à margem do sistema, à margem de tudo, ele vive do outro lado do mar. E esse mar é uma infinidade de coisas, uma infinidade de conteúdos, é uma imensa profundidade azul, como o mar é”, reflete.
O espetáculo tem música assinada por Ramon Gonçalves e Caio Terra, assistência de iluminação de Marcos Dede e produção audiovisual assinada por Rafael Grilo. Com duas câmeras em captação ao vivo e projeções sobre o cenário criado a partir de materiais reutilizados (telas de construção civil e painéis de papelão), a montagem foi indicada ao Prêmio Shell de Teatro de melhor cenografia (Marcio Meirelles) em 2022, por sua temporada no Rio de Janeiro, e entrou na lista dos melhores espetáculos do ano de 2021 pelo site Palco Paulistano nas categorias espetáculo, ator (Edu Coutinho) e direção (Marcio Meirelles), por sua temporada virtual. O texto rendeu à autora Jorgelina Cerritos o prêmio internacional Casa de las Américas de melhor dramaturgia no ano de 2010. “Do outro lado do mar” é uma realização do Teatro Vila Velha, Teatro dos Novos e Toró Teatro.
Serviço
FESTIVAL SESI EM CENA 2026 apresenta DO OUTRO LADO DO MAR
Datas: 17 e 18 de outubro de 2026
Horários: sábado 20h e domingo 19h
Local: Teatro de Bolso – Centro Cultural SESIMINAS BH | Rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia, Belo Horizonte
Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada) | Adquira seus ingressos na plataforma Sympla.
Classificação: 12 anos – Lugares sem marcação
Duração: 60 minutos
Sessão com tradução e interpretação em Libras.
O projeto é realizado pelo SESI-MG, com patrocínio da Lonax, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e realização do Ministério da Cultura.