
O faturamento real da indústria mineira apresentou alta de 0,2% em agosto de 2026, na comparação com julho, interrompendo uma sequência de três meses consecutivos de queda. O resultado foi impulsionado, sobretudo, pelo aumento dos pedidos em carteira das empresas da indústria extrativa. Os dados são da Pesquisa Indicadores Industriais, elaborada pela Gerência de Economia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG).
Apesar da recuperação mensal, o faturamento industrial ficou 1,4% abaixo do registrado em agosto de 2025. No acumulado de 2026, o indicador apresenta crescimento de 0,2%. Já na análise dos últimos 12 meses, a alta é de 1,4%.
A utilização da capacidade instalada também avançou, passando de 82,7% em julho para 83,2% em agosto. As horas trabalhadas na produção permaneceram estáveis na comparação mensal, indicando manutenção do ritmo de atividade nesse indicador.
Por outro lado, o emprego industrial recuou 0,7% em agosto, influenciado por ajustes no quadro de funcionários das empresas do segmento extrativo. A massa salarial real apresentou queda de 0,2%, reflexo da redução dos pagamentos de horas extras e de participação nos lucros e resultados realizados pelas empresas da indústria de transformação no mês anterior. O rendimento médio real permaneceu estável.
Os resultados mostram uma melhora pontual do faturamento e da utilização da capacidade instalada, acompanhada pela estabilidade das horas trabalhadas. Ao mesmo tempo, a retração do emprego e da massa salarial evidencia as dificuldades para sustentar uma expansão mais disseminada da atividade industrial em Minas Gerais.
Cenário econômico – De acordo com a análise da FIEMG, o ambiente econômico interno segue marcado pela desaceleração gradual da economia, pelo elevado endividamento das famílias e por condições financeiras restritivas, que limitam a expansão do consumo e do crédito.
A inflação permanece acima da meta, enquanto as expectativas inflacionárias seguem desancoradas em horizontes mais longos. Esse cenário indica a possibilidade de manutenção da política monetária restritiva por mais tempo. As preocupações com a sustentabilidade das contas públicas e as incertezas relacionadas ao período eleitoral também representam fatores de pressão sobre o ambiente de negócios.
No cenário externo, as tensões geopolíticas no Oriente Médio e a política tarifária dos Estados Unidos continuam entre os desafios para a indústria. As tarifas norte-americanas ampliam as barreiras ao acesso de produtos brasileiros naquele mercado e reforçam a necessidade de buscar alternativas comerciais.
Diante desse contexto, a FIEMG projeta crescimento moderado da indústria mineira em 2026.
A edição de agosto da Pesquisa Indicadores Industriais foi elaborada com base em levantamento realizado junto a 179 empresas. O estudo acompanha indicadores como faturamento real, emprego, horas trabalhadas na produção, massa salarial real, rendimento médio real e utilização da capacidade instalada.
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Denise Lucas
Imprensa FIEMG