O Produto Interno Bruto (PIB) da indústria mineral de Minas Gerais apresentou forte desempenho na margem, com crescimento de 13,5%. De acordo com o Boletim da Indústria Mineral, o avanço ocorre após a retração no 3º trimestre, movimento associado a efeitos pontuais, especialmente paradas programadas para manutenção em importantes operações de minério de ferro no estado.
Além da recuperação da produção no estado, evidenciada pelo avanço de 12,6% na produção física (PIM) do setor no 4º trimestre ante o trimestre anterior, a trajetória favorável dos preços das commodities também contribuiu para o resultado.
Ainda segundo o Boletim da Indústria Mineral, a elevação do preço médio trimestral do minério de ferro entre outubro e dezembro reforçou o desempenho da atividade, assim como o aumento expressivo das cotações do ouro, ambos os produtos de elevada relevância para a indústria extrativa mineira. Diante disso, o setor acumulou alta de 3,1% em 2025.
De acordo com o economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio, “frente aos resultados observados, a indústria mineral, por ser menos sensível às oscilações do ciclo econômico, consolidou-se como o segmento de melhor desempenho no PIB industrial acumulado no ano, exercendo papel relevante na sustentação do resultado da indústria brasileira e mineira”.
Já o PIB da indústria mineral no Brasil avançou 1,1% na comparação entre o 4º trimestre de 2025 e o período imediatamente anterior. Com isso, a alta acumulada no ano ficou em 8,6%. Segundo o Boletim da Indústria Mineral, esse resultado decorre, principalmente, do aumento da produção de petróleo e gás natural, refletindo o maior dinamismo do pré-sal, associado à entrada em operação de novos poços e à ampliação da capacidade produtiva das plataformas.
Mercado de trabalho da Indústria Mineral
No último trimestre de 2025, a indústria mineral brasileira registrou criação líquida de 263 empregos formais. Em Minas Gerais, no mesmo período, o saldo de empregos formais na indústria mineral alcançou 334 vagas. Assim como observado no cenário brasileiro, a extração de minerais metálicos liderou a geração de postos de trabalho no estado.
Com isso, no 4º trimestre de 2025, Minas Gerais contabilizou 79.064 trabalhadores no setor mineral, representando 29,5% do estoque nacional. Em ambos os recortes, a extração de minerais metálicos concentra a maior parcela do emprego setorial, refletindo a relevância do minério de ferro,principal commodity mineral exportada pelo estado.
Balança Comercial da Indústria Mineral
De acordo com o Boletim da Indústria Mineral, 44% do saldo da balança comercial brasileira total corresponderam ao setor mineral, cujo superávit alcançou US$ 9,48 bilhões. No último trimestre do ano, as exportações da indústria mineral brasileira apresentaram crescimento de 9,9% em valor, na comparação com o trimestre anterior.
Em contrapartida, houve queda de 1,7% em volume nesse período. Esse resultado reflete um aumento no preço médio trimestral de algumas commodities. Já as importações evoluíram tanto em valor (8,1%) quanto no volume (13,9%) do terceiro para o quarto trimestre.
Como resultado, o saldo da balança comercial avançou 10,1% em valor, enquanto houve retração de 2,6% em volume nesse período. Ainda assim, no acumulado de 2025, o saldo apresentou elevação de 0,5% em valor e crescimento mais robusto,de 7,8%,em volume em comparação a 2024.
O Pará se destacou como principal estado exportador da indústria mineral, com US$ 4,7 bilhões no quarto trimestre,seguido por Minas Gerais,com US$ 2,9 bilhões,e Rio de Janeiro,com US$1,2 bilhão.
Sobre o Boletim da Indústria Mineral
O Boletim da Indústria Mineral apresenta uma análise aprofundada do desempenho do setor mineral, excluídas as atividades de petróleo, gás natural e transformação mineral. O estudo reúne e articula os principais indicadores do setor, abrangendo a evolução do Produto Interno Bruto (PIB), do mercado de trabalho, da balança comercial e dos preços das principais commodities minerais no contexto recente,tanto no Brasil quanto em Minas Gerais.
No caso específico do PIB, a análise também considera as atividades de petróleo e gás natural, em razão das limitações no nível de desagregação disponível,o que impossibilita a exclusão dessas atividades.
Além da leitura individual dos indicadores, o boletim promove uma análise integrada de seus movimentos, permitindo compreender as relações entre atividade econômica, comércio exterior, emprego e dinâmica de preços no setor mineral.
O material também contempla o desempenho e as estratégias dos principais players do setor e, além disso, dedica uma seção especial à abordagem de um tema atualmente relevante para a indústria mineral, aprofundando aspectos estruturais e conjunturais que influenciam sua trajetória recente e suas perspectivas.
Confira o resultado completo do Boletim da Indústria Mineral aqui.
Assista aqui a análise da Luísa de Melo Teixeira e do Paulo da Rocha, ambos analistas de estudos econômicos da FIEMG.
Marina Rigueira
Imprensa FIEMG