O projeto do Rodoanel da Região Metropolitana de Belo Horizonte foi tema de debate nesta quarta-feira (11/3), durante reunião do Fórum Emprego e Renda da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). Considerada uma das principais obras de infraestrutura em discussão no estado, a iniciativa busca reduzir o tráfego de veículos pesados no Anel Rodoviário de Belo Horizonte, diminuir acidentes e melhorar a logística na Região Metropolitana.
A proposta prevê a construção de cerca de 70 quilômetros de rodovias, conectando as principais estradas que chegam à capital mineira e permitindo que caminhões contornem a cidade sem precisar atravessar áreas urbanas de municípios como Belo Horizonte, Contagem e Betim. A estimativa é que a nova via retire aproximadamente 5 mil caminhões por dia do trânsito urbano.
O presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, afirmou que o projeto pode ajudar a resolver um dos principais gargalos de mobilidade da região metropolitana.Segundo ele, o Anel Rodoviário deixou de cumprir sua função original de desviar o transporte pesado e acabou se transformando em uma via urbana intensamente utilizada.
“Estamos falando de uma obra que pode salvar vidas. Hoje, o Anel Rodoviário é um gargalo estrutural da região metropolitana e registra acidentes com frequência. A retirada do tráfego pesado da área urbana é fundamental para melhorar a segurança e a mobilidade”, afirmou. Roscoe também destacou que a infraestrutura logística tem impacto direto na competitividade da economia mineira. Para ele, a existência de uma rede de transportes eficiente é essencial para atrair investimentos e manter empresas instaladas na região.
Investimento e logística
O secretário de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias, Pedro Bruno, afirmou que o Rodoanel está entre as prioridades do governo estadual na área de mobilidade. Segundo ele, Minas Gerais tem posição estratégica no transporte de cargas no país, e a Região Metropolitana de Belo Horizonte funciona como um importante centro de circulação de mercadorias. “Hoje Belo Horizonte está entre as capitais com menor índice de fluidez no trânsito. Muitas vezes se leva muito tempo para percorrer distâncias curtas. O Rodoanel permitirá que o transporte de carga contorne a cidade, reduzindo congestionamentos e melhorando a mobilidade”, afirmou.

O projeto prevê investimento de cerca de R$5 bilhões e deve beneficiar aproximadamente 6 milhões de moradores da região metropolitana. O contrato de concessão foi assinado em março de 2023 e o governo trabalha para viabilizar o início das obras em 2026. Segundo o secretário, os projetos de engenharia e os estudos de desapropriação já estão prontos para a fase de execução. O avanço da obra depende agora da conclusão do processo de licenciamento ambiental.
Obra preparada para começar
De acordo com o gerente de Engenharia do Rodoanel BH, Thiago Valandro, o projeto já está tecnicamente estruturado para iniciar as obras assim que o licenciamento ambiental for concluído. Os projetos de engenharia estão em estágio avançado e os processos de desapropriação estão em andamento. A expectativa é mobilizar diversas frentes de trabalho simultaneamente ao longo do traçado.
A rodovia terá duas faixas de rolamento por sentido, acostamentos e 49 obras de arte especiais, como viadutos, pontes e passagens inferiores. Segundo Valandro, os recursos necessários para a obra já estão garantidos. Cerca de 60% do investimento virá do acordo firmado com a Vale e 40% corresponde ao capital da concessionária responsável pelo empreendimento. A rodovia também contará com pedágio no modelo free flow, sistema que elimina praças físicas de cobrança e utiliza tecnologia para identificação automática dos veículos, controle total de acessos, moderno sistema de pesagem de veículos pesado, oito interseções de acesso, serviço de atendimento ao usuário e cinco dispositivos de retorno.
Impacto econômico e empregos
Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Estado de Minas Gerais (Sicepot-MG), Bruno Ligório, o Rodoanel representa um projeto estratégico para o desenvolvimento econômico do estado. Segundo ele, investimentos em infraestrutura têm efeito multiplicador na economia. “Além dos empregos diretos na construção, há impactos em toda a cadeia produtiva. Obras de infraestrutura reduzem custos logísticos, atraem investimentos e fortalecem a competitividade do estado”, afirmou. Ligório também destacou que o projeto deverá integrar importantes rodovias que passam pela região metropolitana, como a BR-381 e a BR-040, facilitando o escoamento da produção industrial, mineral e do agronegócio.
Já o representante dos trabalhadores e copresidente do Fórum Emprego e Renda, José Afranes de Carvalho, afirmou que a obra pode trazer benefícios também para a rotina dos trabalhadores da Grande BH. Segundo ele, congestionamentos frequentes no Anel Rodoviário afetam diretamente o deslocamento entre casa e trabalho, aumentando o tempo gasto no trânsito e reduzindo o período de descanso.
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Rafael Passos
Imprensa FIEMG