O Centro de Inovação e Tecnologia (CIT SENAI), por meio do Instituto SENAI de Inovação em Metalurgia e Ligas Especiais (ISI MLE) em Belo Horizonte, promoveu, de 24 a 27 de fevereiro, o workshop de capacitação Decarbonizing Steelmaking: Green Steel through Hydrogen and Iron Reduction Technologies. A iniciativa reuniu profissionais, pesquisadores e gestores para uma imersão nas principais estratégias voltadas à produção de aço de baixa emissão de carbono, conhecido como Green Steel.
A abertura foi conduzida por José Luciano de Assis, gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do CIT SENAI. Segundo ele, o Brasil já começou um movimento estruturado para apoiar a transformação do setor. “Iniciamos no Brasil um trabalho para apoiar a descarbonização do setor siderúrgico e, ao fazer isso, impactamos diretamente toda a cadeia upstream de grande parte da indústria nacional”, afirmou.

Ele destacou que está em fase de formalização um projeto para instalação de um alto-forno piloto no sul do estado de Minas Gerais. A proposta envolve montadoras, duas siderúrgicas e empresas de refratários com foco na redução de emissões na produção do aço.
O CIT SENAI também se consolidou como referência no programa Mover, financiado com recursos do setor automotivo. A instituição lidera em número de projetos na parceria com o programa e conta com dois projetos estruturantes que somam R$ 150 milhões. Entre eles está o MagBras, voltado ao desenvolvimento de ímãs permanentes de terras raras, já em execução. Agora, o aço de baixa pegada de carbono passa a integrar essa estratégia.
De acordo com José Luciano, a conexão com o setor automotivo é fundamental. “O aço representa cerca de 70% de um veículo. Em um carro elétrico, 64% das emissões estão associadas à produção do aço, enquanto em veículos a combustão esse índice é de 11%. A matriz de emissões migra para o upstream”, explicou.
O treinamento contou com recursos do SENAI Departamento Regional de Minas Gerais e do SENAI Nacional e integra um programa de mobilidade internacional voltado à cooperação técnica em pesquisa.
Durante os quatro dias, o evento foi mediado por Anderson Caires, também do CIT SENAI. Ele contextualizou a relevância do tema ao apresentar dados globais. “Em 2023, quase 2 bilhões de toneladas de aço foram produzidas no mundo. Entre 7% e 9% das emissões globais de CO₂ vêm da siderurgia. Descarbonizar o aço não é opcional, é urgente”, ressaltou.
Atualmente, 70% da produção mundial utiliza alto-forno tradicional. No Brasil, esse índice chega a 75%. O país produz cerca de 35 milhões de toneladas por ano e emprega mais de 100 mil pessoas na cadeia. “É um setor estratégico para o PIB e um dos grandes desafios ambientais da nossa geração”, afirmou Caires.

O evento também marcou a consolidação do Centro de Descarbonização do CIT SENAI, com foco em hidrogênio, captura de CO₂ e minerais estratégicos. A iniciativa conta com financiamento do BNDES, FAPEMIG, programa Mover e parceiros industriais.
Um dos diferenciais da programação foi a participação de pesquisadores do Max Planck Institute for Sustainable Materials, da Alemanha, referência internacional em pesquisa científica a materiais sustentáveis. Isnaldi Souza, representante do Institut Jean Lamour, da CNRS, Université de Lorraine na França e do instituto alemão, apresentou a palestra Introduction to Green Steel and Technologies under Development for Decarbonization.
Ele destacou a dimensão da indústria. “Uma turbina eólica de 3 MW precisa de 335 toneladas de aço. Exploramos cerca de 3 bilhões de toneladas de minério de ferro por ano. A escala é gigantesca”, afirmou. Segundo o pesquisador, a siderurgia responde por 8% das emissões globais, 33% das emissões industriais e consome cerca de 7% da energia mundial.
Isnaldi explicou que, na rota tradicional, cada tonelada de aço produzida pode gerar duas toneladas de CO₂. Alternativas como a redução direta do minério com hidrogênio permitem substituir o carbono como agente redutor, gerando água em vez de dióxido de carbono.

Os pesquisadores Bhaskarjyoti Das, Ashutosh Kumar e Anumoy Ganguly apresentaram pesquisas de ponta em tecnologias para a produção de aço verde e redução direta de ferro. A programação abordou o uso de processos como o MIDREX, bem como o aproveitamento de gás natural e hidrogênio. Foram discutidas também inovações no aproveitamento de finos de minério, com o uso de plasma utilizando hidrogênio, além da eletrólise de óxidos de ferro. Além disso, foram exploradas as tecnologias emergentes para a produção de aço, como a reciclagem de sucata em fornos elétricos, integração de energias renováveis e políticas ambientais. O evento também incluiu estudos de caso e aplicações práticas, com ênfase no futuro das tecnologias sustentáveis na siderurgia.
Confira as fotos do workshop Decarbonizing Steelmaking: Green Steel through Hydrogen and Iron Reduction Technologies no Flickr do Sistema FIEMG.
Denise Lucas
Imprensa FIEMG