As transformações tecnológicas da indústria exigem uma nova abordagem na formação dos profissionais de engenharia. Durante o ENA 2026, Ricardo Aloysio, gerente de Educação Profissional e Superior do SENAI Minas Gerais, apresentou uma reflexão sobre as competências necessárias ao engenheiro de controle e automação diante do avanço da inteligência artificial, da digitalização e da integração dos processos produtivos. “Se as fábricas estão mudando, incorporando novas tecnologias e novos conhecimentos, por que continuar formando engenheiros da mesma maneira?”, questionou Ricardo.
Segundo ele, o engenheiro de controle e automação precisa ir além do domínio de máquinas e processos, desenvolvendo competências em tecnologia da informação, análise de dados, inteligência artificial e gestão. O objetivo é formar profissionais capazes de integrar diferentes soluções tecnológicas e gerar resultados concretos para as empresas, como ganhos de produtividade, qualidade, segurança e eficiência energética.
Ao abordar o papel da inteligência artificial no setor, Ricardo destacou que a tecnologia deve ser vista como uma ferramenta para ampliar as capacidades dos profissionais. “A pergunta não é se a inteligência artificial vai substituir o engenheiro, mas o que esse engenheiro será capaz de fazer quando souber trabalhar com inteligência artificial”, afirmou.
A formação acadêmica também esteve no centro do debate. O gerente defendeu um modelo de ensino baseado em desafios reais da indústria, no qual os estudantes possam investigar problemas, desenvolver projetos, testar soluções e aplicar conhecimentos na prática. “A gente aprende engenharia fazendo engenharia. Mudar o conteúdo sem mudar a experiência de aprendizagem não vai ser suficiente”, ressaltou.
Como exemplo, apresentou as fábricas inteligentes do SENAI-MG, instaladas em Contagem, Juiz de Fora e Itajubá. Os ambientes contam com equipamentos industriais e sistemas integrados, permitindo aos alunos vivenciar processos produtivos semelhantes aos encontrados nas empresas.
Ricardo também destacou uma iniciativa em desenvolvimento pelo SENAI-MG, em parceria com a IHK, na Alemanha, para implementar um modelo de engenharia dual, que combina formação acadêmica e experiência prática nas empresas ao longo da graduação.
Ao encerrar a palestra, reforçou que o avanço tecnológico precisa estar acompanhado da qualificação profissional. “O futuro da indústria não será definido apenas pela tecnologia. Ele será definido pelas pessoas capazes de transformar a tecnologia em resultado”, concluiu.
O ENA é realizado pela FIEMG e correalizado pela CNI e Gerdau, com patrocínio máster de Schneider, Sitech, Siemens, AVEVA Select Brasil, Stefanini Manufacturing e Rockwell. O patrocínio ouro é de Honeywell, Wago, Mais Industrial, TSA Engenharia, Cast Group, Russula, Energytech e Westcon. Já o patrocínio prata é de Aquarius, Lapp, Emeta, Yaskawa, Apta, SM&A, Newon, Simatec, TCS, Inatel, Innomotics, SMS Group, Vetta e ABB. O evento ainda tem o apoio da Fire Fly.
Thaís Mota
Imprensa FIEMG