O Dia Internacional da Mulher não é apenas uma data comemorativa — é um marco de reflexão, memória e, sobretudo, de compromisso com o que ainda precisa avançar. Ao longo das últimas décadas, as mulheres conquistaram espaços antes inimagináveis no mercado de trabalho, lideraram transformações profundas nas organizações e provaram, todos os dias, sua capacidade técnica, estratégica e inovadora.
Ainda há um caminho significativo a percorrer, mas ainda assim, há algumas conquistas a se comemorar: a média de 26,7% das matrículas femininas registradas em cursos tradicionalmente masculinos, como mecânica, eletromecânica, automação, soldagem, TI industrial.
De acordo com levantamento do SENAI MG, alguns cursos apresentaram crescimento expressivo da presença feminina desde 2023, como: alta de 49% nos cursos na área de manufatura, aumento de 35% nos de operação e transporte, incremento de 25% nos cursos de mineração e extração, alta de 26,2% nos cursos de eletrônica e automação, aumento de 24% na manutenção e operação e 21% na metalmecânica.
Desigualdade salarial, baixa representatividade em cargos de liderança, sobrecarga da dupla jornada e barreiras estruturais continuam fazendo parte da realidade de muitos profissionais. Celebrar as conquistas é fundamental — mas reconhecer os desafios que persistem é indispensável para que o avanço não pare.
De acordo com Lucimara Assis, coordenadora de Educação Profissional do SENAI MG, a instituição tem como objetivo estratégico disponibilizar profissionais qualificados para a indústria, de acordo com a demanda de mercado.
“Percebemos que, cada vez mais, as indústrias têm acionado o SENAI com objetivo de estruturar projetos e ações afirmativas para inclusão deste público no setor produtivo. Neste sentido, a estratégia é apresentar para todos os públicos, incluindo as mulheres, que a indústria é uma grande oportunidade para desenvolvimento profissional e de carreira. O SENAI MG vem registrando um aumento da presença feminina na educação profissional com foco na indústria, e para tal possui um programa específico de inclusão, o Programa SENAI de Ações Inclusivas (PSAI)”, ressalta Lucimara.
Segundo a pesquisa de egressos do SENAI (ciclo 2023/2025), 72% do público feminino egresso do SENAI está trabalhando, um ano após a conclusão do curso no SENAI, com um incremento de renda de 24%.
Aprendizes mulheres: as primeiras na pintura e solda da TSEA
A inclusão feminina na indústria é uma oportunidade de ampliar o capital humano com as competências específicas femininas, como criatividade e inovação, e atenção aos detalhes. Essa trajetória representa maturidade social e estratégica da indústria nos tempos modernos.
Neste Dia Internacional da Mulher, mais do que homenagear, é preciso reafirmar o compromisso coletivo com ambientes de trabalho mais justos, inclusivos e diversos, onde talento e competência sejam os únicos critérios que definam oportunidades.
Duas aprendizes mulheres que foram as primeiras a serem contratadas pela empresa TSEA para realizarem os cursos de aprendizagem em AI em Assistente de Pintura e AI em Assistente de Soldagem e foram as primeiras mulheres a serem contratadas. Elas atuam na fábrica mecânica da TSEA como Pintora e Soldadora.
Kemelly Cristina Vieira, de 22 anos, é a primeira mulher contratada para a equipe de pintura da TSEA. Ela fez o curso de aprendizagem do SENAI, que tem duração de 10 meses e logo foi inserida no mercado.
“Comecei o curso aos 20 anos de idade. Durante dois meses aprendemos a parte teórica no SENAI e depois vamos para a prática direto em uma indústria, que no meu caso foi a TSEA. Entrei como aprendiz e era a única mulher, hoje tenho dois anos de experiência e já somos três mulheres na pintura”, conta a pintora A da TSEA.
“Todos os dias enfrento um desafio técnico e aprendo novas coisas. Achava que a pintura era só estética, mas aprendi o quanto vai além. Apesar de ser um ambiente totalmente masculino, sempre sempre fui muito acolhida pela equipe, e respeitada com conversas de igual para igual. Cheguei acanhada por ser a primeira mulher, mas conquistei meu espaço. Os homens da equipe apoiam a ideia de mais mulheres na área e em cargos de destaque na empresa”, complementa Kemelly.

A soladora A da TSEA, Monique Oliveira, 20 anos, é a primeira mulher na equipe de solda. “Fiquei surpresa quando fui selecionada para solda. Morria de medo de atuar nessa área mas encarei o desafio. Sou a primeira mulher da solda da TSEA e também fui muito bem recebida pela equipe masculina. Sempre me encararam com total capacidade para acompanhar a equipe e confiaram no meu trabalho, me habilitando para todos os processos de solda que a TSEA desenvolve”, explica.
Monique conta que foi uma honra abrir essa porta na indústria e mostrar que também há espaço para o público feminino na indústria e especialmente na mecânica. “A mulher traz um olhar mais detalhado e minucioso, o que os processos na solda exigem. Em geral ainda há uma barreira cultural masculinizada ‘de que algumas profissões são para homens’, mas isso não acontece foi uma realidade aqui para mim”, ressalta Monique.

Marina Rigueira
Imprensa FIEMG