Professores e gestores da rede SESI Minas participaram, em 7 e 8 de agosto, do Simpósio de Educação SESI Minas – Infânicas Saberes e Experiências, realizado no Teatro SESI Minas, em Belo Horizonte. Ao longo dos dois dias, especialistas de diferentes áreas da educação compartilharam conhecimentos, experiências e perspectivas sobre temas que fazem parte do cotidiano escolar, da educação infantil aos anos iniciais do ensino fundamental.
Na abertura do encontro, a gerente de Educação Básica do SESI, Flávia Bento, deu as boas-vindas aos participantes e destacou que o propósito do simpósio não era apresentar fórmulas prontas, mas estimular reflexões que pudessem se transformar em novas possibilidades para a atuação dos educadores nas escolas. “Não estamos aqui em busca de respostas prontas. Estamos aqui para ampliar o olhar, aproximar saberes, revisitar escolhas e reconhecer que cada prática ganha sentido quando dialoga com o cotidiano das escolas e com as experiências das crianças”, afirmou.
Segundo Flávia, mais do que assimilar os conteúdos apresentados durante as palestras, a proposta era provocar os professores a pensar sobre como as discussões poderiam repercutir em suas próprias práticas e gerar novos caminhos de investigação e aprendizagem. “O mais importante é pensar: o que daqui eu vou conseguir absorver e levar para a escola e para a minha prática? E, além disso, o que ainda vai me instigar a investigar e ir além das reflexões que ouvi aqui? O objetivo do simpósio é contribuir para que cada professor possa construir a sua e direcionar novas estratégias para o desenvolvimento das crianças”.
Ao abrir a programação, a gerente também convidou os educadores a aproveitarem o encontro como um espaço de construção coletiva. “Que estes dois dias sejam tempo de presença, de troca e de inspiração. Que possamos viver cada fala como uma janela para novas possibilidades e, ao mesmo tempo, como um espelho que nos ajude a reconhecer a potência do que já construímos em nossas escolas”.
Diferentes olhares para o cotidiano escolar
A programação do primeiro dia teve início com uma apresentação musical dos artistas Geovanne Sassá e Alexandre Messias. Na sequência, Paulo Fochi falou em palestra sobre “A relação entre a aprendizagem e as linguagens na Educação Infantil”. A discussão abordou as diversas formas pelas quais as crianças constroem aprendizagens no cotidiano, por meio de brincadeiras, investigações, relações, hipóteses e diferentes maneiras de se expressar e produzir sentidos sobre o mundo.

A proposta foi refletir sobre como a organização do contexto educativo pode favorecer esses processos, reconhecendo as diferentes linguagens utilizadas pelas crianças e tornando suas aprendizagens mais visíveis.
Em seguida, Celina Martins, bióloga e mestre em Didática do Ensino de Ciências pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), conduziu a palestra “Avaliação com propósito: do objetivo avaliativo ao instrumento”. Voltado aos anos iniciais, o debate trouxe reflexões sobre como transformar objetivos de aprendizagem em situações e instrumentos de avaliação capazes de ajudar o professor a compreender efetivamente os processos vivenciados pelas crianças.
No segundo dia, a programação começou com Felipe Munita, doutor em Didática da Língua e Literatura, professor da Faculdade de Filosofia e Humanidades da Universidade Austral do Chile e pesquisador do Instituto Milênio para o Estudo da Literacidade e da Aprendizagem Transformativa. Na palestra “A mediação na formação de leitores”, o especialista abordou o papel do educador na aproximação das crianças e jovens com a literatura e na construção de práticas de leitura significativas.
A relação das crianças com a produção textual foi aprofundada por Miruna Kayano Genoino, na palestra “Quantas escritas existem na escola? Processo de autoria nos anos iniciais do Ensino Fundamental”. A discussão partiu das diferentes situações em que a escrita está presente no ambiente escolar e de como propostas que apresentam propósitos e interlocutores reais ajudam as crianças a perceber que suas palavras podem circular, comunicar ideias, produzir sentidos e participar do mundo.
Já Isis Nogueira, mestre em Escrita e Alfabetização pela Universidade Nacional de La Plata, pedagoga e especialista em Alfabetização pelo Centro de Formação da Escola da Vila, apresentou “Aprender ortografia: desafios, descobertas e possibilidades para a prática docente”. A especialista trouxe contribuições para o trabalho dos educadores com os processos de aprendizagem da escrita e da ortografia nos primeiros anos escolares.
A matemática também integrou a programação. Maira Costa, gerente pedagógica do programa Mentalidades Matemáticas no Brasil e educadora com mais de 30 anos de experiência, conduziu a palestra “Do senso numérico ao letramento matemático: uma nova forma de olhar para o que já fazemos”, propondo reflexões sobre as práticas desenvolvidas em sala de aula e as possibilidades de ampliar a compreensão matemática dos estudantes.
Encerrando o percurso formativo, Fernanda Flores, doutoranda em Psicologia Clínica pela USP e pesquisadora do conceito de desenvolvimento nas políticas para a primeira infância no Brasil, apresentou “Educar para a convivência ética: intencionalidade e autonomia moral no cotidiano da escola”. A abordagem ampliou o olhar sobre a educação para além dos conteúdos curriculares, destacando a escola como espaço de relações, desenvolvimento da autonomia e formação para a convivência.
Com diferentes perspectivas sobre os processos de ensino e aprendizagem, o Simpósio de Educação SESI Minas reforçou a formação continuada e a troca de experiências como caminhos para que professores possam revisitar práticas, ampliar repertórios e transformar as reflexões construídas coletivamente em novas possibilidades no cotidiano das escolas.

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Rafael Passos
Imprensa FIEMG